Já tive muita moto, cada uma com suas qualidades e defeitos, mas tem algumas que se destacam.
Em primeiro lugar - disparado - foi a DT200R. Não tinha uma única pessoa que eu emprestasse (na real, eu deteto emprestar moto, eu era obrigado a deixar os outros andarem

) que não saísse dizendo algo positivo. Era uma moto extremamente divertida (leve, ágil e arisca), mesmo donos de motos fortes (4 cilindros) quando andavam nela sentiam a "patada"do YPVS e desciam com um sorriso no rosto. Nessa época eu era moleque, não tava nem aí para conforto, etc cheguei a fazer viagem de 5.000 kms com ela rindo de orelha a orelha, usava todo dia (era meu único meio de transporte), pegava trilinha final de semana... a moto representava bem em tudo, foi a melhor moto que já tive.
A gente vai ficando mais velho, mais exigente e começam a vir os mamutes. Sem dúvida, o "glamour" de uma CB1300, a polivalência de uma GS1200, etc são obras primas da engenharia, porém, nem sempre, elas despertam aquele sentimento que a gente busca na infância e vai perdendo ao longo dos anos, com a maturidade. São motos boas, mas tão boas, que para liberarem uma dose de adrenalina (ou endorfina) precisam de muito espaço (estrada), grandes quilometragem (rodar horas a fio) e, nem sempre, despertam tesão para ir até a padaria comprar pão, por exemplo. Pelo contrário, muitas vezes eu sequer tinha vontade de tirar essas motos da garagem se fosse apenas para um rolezinho curto, especialmente, se dentro da cidade. Era "muito trabalho" para pouca diversão.
Por este motivo, sempre optei por ter na garagem duas motos: uma moto grande e uma perereca para o dia a dia. Dentre as pererecas, a que ficou mais tempo foi a XT600 (mais de dez anos de uso diário), seguida pela DT200R e depois a Shadow. Porém, de novo, a tal velhice vai deixando a gente mais exigente e com aquele sentimento de "não sei até quando irei viver" ou "viva cada dia como se fosse o último". E, como uso a moto diariamente, num trajeto de aproximadamente 60 km urbanos, por que não buscar uma moto que me de prazer, tesão? Tudo isso para explicar a Sportster...
Começa pelo tamanho: a moto é minúscula, porte de 250. Isso na cidade é uma mão na roda.
Posição de pilotagem: eu que venho da escola trail, ainda assim, achei a posição de pilotagem extremamente agradável, na mão, levemente esportiva.
Nível de conforto: não é demasiado bom a ponto de não sentir "prazer" (dor e prazer caminham juntos

), nem tão ruim a ponto de incomodar (tipo super esportivas).
Peso: não chega a ser uma bigorna, dá para manobrar fora da moto facilmente e corrigir erros manobrando devagar.
E, merece um parágrafo a parte, o quesito diversão. Acredito que todos que andam de moto (com raras exceções, geralmente, donos de scooters e motos sem sal que fazem mais de 30 por litro), no limite, estão atrás de prazer. Se fosse racionalidade, estariam de carro, transporte público... ou scooters. É aí que a 48 se destaca: pra mim, ela é uma moto divertida. Sem dúvida a cereja do bolo é o motor, vibra, faz um barulho BEM acima do "normal" (Short Shots) e é demasiadamente mais forte do que a ciclística da moto permite. Já pilotei muita moto forte, desde as 450 de cross modernas até as litrão que beiram 200 cavalos, mas todas tem tanta engenharia por trás que o "tesão", aquela latinha que a gente prendia na roda da bicicleta para fazer barulho, foram deixados de lado.
Das motos que guardo com carinho, praticamente todas, são antigas (motos 2 tempos, as temidas YZ426F, as CRF450R carburadas, etc). Eram motos com motores muito potentes para a época, e, com um "conjunto" que não acompanhou o ganho de potência. Lembro quando o Gelous me emprestou uma CRF450R carburada, a moto empinava de quinta marcha sem muito esforço, era brutal a entrega de potência. Hoje as 450 de cross - injetadas - todas tem seletor de potência, modo de entrega da potência, suspensões "da nasa", as motos ficaram muito mais rápidas... e suaves, fáceis de andar.
A impressão que tive na 48 foi exatamente uma moto "das antigas". Motor chucro, brabo... com todo o resto arcaico (quadro, suspensões, freios, injeção, etc). Isso transmite ao piloto uma série de características que despertam: adrenalina. A cada acelerada em que a traseira quer passar a frente, me sinto numa moto de cross dando pedrada em quem vem atrás. Como ela é pequena, ninguém dá nada pela moto, me lembra os tempos da minha DT200R... abria o sinal as Falcon, Tenere, ficavam tudo para trás. E por aí vai...
