nina em bh - relato da volta na pág. 17
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nina
nina em bh - relato da volta na pág. 17
aí, não que eu tenha grandes coisas a contar que a maioria de vcs já não tenha vivido ou experimentado.
mas é legal partilhar com vcs, pra mim é um aprendizado perene e, quem sabe, serve de ajuda tb pra alguém. se ficar chato cês avisam, que eu paro.
vi que ia sobrar uma grana - pouca - das férias e resolvi passar uns dias em bh.
data resolvida, decidi que, para não correr o risco de estragar de novo, não peguei alforjes nem mala-tanque emprestados. nem protetor de coluna, que acabei ficando com o que o patrick estava vendendo.
(tinha ouvido alguém falar que não usa contact pra 'plastificar' a moto, mas plástico-filme, aquele que se usa em cozinha. pois alguém então mentiu pra mim, pq aquilo não cola nada. só deu pra encapar a alça da garupa, onde eu ia prender minhas coisas. nem a rabeta, para evitar arranhões, eu consegui 'plastificar'. tb achei preciosismo demais desta vez - no ano passado passei contact na moto toda - e encarei sem plástico mesmo. paciência, se a moto tá na estrada, um ou outro arranhão há de rolar mesmo.)
então, eu tinha que levar um volume só, pequeno, na garupa. como esse volume é aquele em que, durante a viagem, a gente não mexe, surgiram alguns problemas: onde levar a capa de chuva, a máquina fotográfica, a toalha super-absorvente e compacta, uma blusa de frio extra e o rolo de papel higiênico. mochila, pensei eu. 'dá pra amarrar tudo na garupa.'
o márcio me disse pra não inventar de levar a mochila nas costas, mesmo leve, pq é um sofrimento cão.
eu tinha duas redinhas de garupa mas, no dia anterior à saída, só achei uma e não tive tempo de comprar outra. só ecoava na minha cabeça o que o robson disse noutro dia sobre saber amarrar bagagem. vi que não ia dar pra amarrar os dois volumes numa redinha só. eu teria que levar a mochila nas costas mesmo. 'eu encaro', pensei.
na noite anterior, como é de meu costume, não pq ache certo, mas pq meu corpo reage assim em vésperas de viagens, fui deitar tarde e não dormi bem. não quis tomar um relaxante receitado pela médica com medo de sentir sono em cima da moto no dia seguinte.
daí, minha previsão de saída se atrasou e eu, que queria ter saído às 5h30, saí às 7h.
a maletinha até que bem presinha na garupa com uma redinha só, a mochila nas costas. tudo dentro da mala ensacado em sacos de lixo grandes e mais três sacos por fora da mala. os alforjes eram à prova d´água; a mala, não. até por isso eu tb não ia poder mexer nela durante a viagem.
blusa de cross, pra não ficar pingando de suor, jaqueta de couro, mochila nas costas. as botas guartelá, calça jeans. luvas, as que comprei na go ano passado, lumica de tecido, já que aquelas alpine do ano passado saem o forro quando a gente tira da mão pra abastecer a moto e fica meia hora tentando botar o forro no lugar. previ que teria problemas com as luvas na estrada, o que, fatalmente, aconteceu.
brasília - cristalina, ok, tirando a pista até o valparaíso que ali, realmente, sem chance de ser feliz. céu azul mas, apesar do avançado da hora, um vento frio que arroxeou meu rosto todo e enregelou os dedos quando parei pra abastecer, depois de 120km.
'bosta', pensei, 'pq raios não botei a balaclava?' subi então o lenço que uso no pescoço, que faz muito bem as vezes de balaclava, é feito pra isso, tapei o nariz até quase chegar aos olhos. frio no rosto não ia passar mais.
de cristalina a paracatu, por causa até da hora do dia, o tempo esquentou bem e eu parei de sentir aquele frio monstro nos braços, já que a luva é curta, de tecido, e o punho da jaqueta um cadim maior que o braço, ou seja: entra um vento frio do caramba.
tô falando disso pra frisar o quão importante é andar com o equipamento certo, pra ocasião e o tempo certos. fosse uma luva de cano longo, teria sido muito mais confortável esse trecho. eu nem ia sentir.
não tinha tomado café da manhã e nem quis tomar. fernanda me disse 'véi, vai tá (sic)
quente, hidrate-se!' vc se hidratou? nem eu.
desta vez resolvi levar dinheiro vivo, pra ser mais rápida na hora de pagar, em vez de tirar cartão, passar cartão, digitar senha, pegar comprovante. no ano passado deu certo e desta vez eu repeti levar a doleira na cintura, no cós da calça, só com dinheiro, doc da moto, cnh e meu cra. cartão do banco, seguro, convênio médico. e chave reserva da moto. chave reserva? sim, chave reserva. sabe-se lá o que pode acontecer.
honestamente, nem quis fazer contas de consumo de moto. só zerei o trip 2 a cada parada pra medir quanto tinha andado e quanto faltava pra próxima parada.
em paracatu o tempo já estava bem quente, um solão danado, tirei o lenço e botei os óculos escuros, que achei que iam apertar a cachola dentro do capa mas nem apertaram.
estava entre 120 e 140, mas no cômputo geral parece que não rende muito pq, quando paro, desço da moto com calma, me alongo sem pressa, fumo um cigarrim. bato um papo com os frentistas, olho o povo que passa, sem pressa. tô viajando, tô sem prazo e hora certa pra chegar, aproveito esse tempo pra curtir o lugar em que parei. mas isso só dá pra fazer viajando sozinho, pq, em grupo, não dá pra atrapalhar o ritmo dos outros. dizendo fernanda que acha que eu enrolo demais nas paradas, isso quando viajei na garupa dela. sozinha, então, aí é que eu 'enrolo' mesmo.
mas, desta vez, mochila nas costas, eu precisava me alongar. nessas duas primeiras pernas, rolou um incômodo, a mochila não se acertava com o volume da garupa, ficava subindo, pesava, eu pensando se, por mais que aguentasse, conseguiria chegar até bh com aquela dorzinha, pq ela vai se intensificando durante a viagem.
de paracatu a joão pinheiro peguei dois trechos em meia pista, quando eles estão consertando o asfalto e param o trânsito de um lado até que todos que já estão esperando do outro passem. isso começou a me atrasar. mas eu nem me estressei, tava um calor do cão e esses percalços fazem parte da viagem.
tudo estaria ótimo se não fosse o povo que anda desse meio do país pra cima ser tão absurdamente mais ignorante e imprudente e mal educado que o povo que anda dessa metade do país pra baixo. em outubro estive no litoral de sp de carro - pela primeira vez - e pude ver como - verdade seja dita - os paulistas andam direito em rodovia. durante muitos anos fui de bsb ao rj passando por bh e já estava mais que acostumada com ultrapassagens absurdas, imbecis, gente cortando pelo acostamento, enfiando o carro na sua frente e fingindo que vc não existe. gente sem camisa dirigindo, bebendo, som alto, mó festa dentro do carro. nada contra, cada um dirige como quer, mas acho que tira um pouco do respeito que se deve ter quando se está numa estrada. principalmente numa de mão dupla. quando estive em sp vi como realmente faz diferença a prudência no trânsito e uma atitude tranquila, sem o desespero dos cariocas e dos brasilienses e dos goianos pra chegar ao litoral. pelo que me lembre, nunca vi placa de minas fazendo muita besteira, mas df, go e rj são campeões. em sp, numa via de três faixas, não tem nenhum espertinho furando fila. é pra andar a sessenta? beleza, todo mundo anda.
no segundo desses intervalos para esperar a liberação da pista (dupla, lembrem-se) fiquei uns 15' em cima da moto, de capa, luva, jaqueta, num calor 'ensurdecedor'. tinha um golzinho numa meia sombra no acostamento, desliguei a moto e empurrei até lá, parei ao lado da janela, perguntei ao motorista: 'posso roubar um cadim de sua sombra?'; 'claro. é yamaha, é?'
movimento dos caminhoneiros à frente, voltando pros seus caminhões, botei luva e capa, liguei a moto e me dirigi ao meu lugar anterior na fila. eu, de moto, convenhamos, podia ter ido de boa até o bloqueio. resolvi que ganho mais sendo educada que usando a moto pra furar uma fila, mesmo assando embaixo daquele sol.
ah, sim, fernanda tinha dito pra eu me hidratar, lembram-se?
qual não foi minha surpresa quando uma bostica dum carro que sei lá se era um palio, um fiesta ou um corsa, um trem assim, pilotado por um completamente juvenil, coitado, embica na minha frente na fila na maior ignorância mesmo, quase encostando na moto e naquela atitude 'sai que eu vi primeiro.'
olhei bem pra cara daquele aprendiz de boçal, pensei, pensei. arrastei a moto pra trás, olhei bem pra cara dele, acenei com a mão dando a vez - estávamos todos parados ainda, na fila - e disse 'pode passar.' era óbvia a minha ironia. é claro que ele passaria, se quisesse, ele é um carro e eu, uma moto, mas fiz questão de dar a passagem.
a cara de c* com cãimbra daquele moleque foi tão grande que eu não sei se ele ficou sem saber o que responder - o que era meu objetivo: constrangê-lo pela desnecessária ignorância e deselegância no trânsito - ou se ele nem entendeu o que tentei fazer e simplesmente continuou me ignorando. mas, claro, passou na minha frente como se eu fosse pó.
tinha um outro fiesta ou corsa ou palio tb que já vinha fazendo merda atrás de merda, forçando ultrapassagem quando era óbvio que não dava, andando naquilo como se estivesse num f1. eu queria mesmo é que todos esses pilotos de araque sumissem na minha frente e deixassem meu campo de visão sem nenhuma ameaça de acidente com peças de carro voando na minha cara. quer ir, meu filho, vai. só não estraga a minha viagem tb.
rapidinho, assim que o bloqueio foi liberado, eles, efetivamente, sumiram.
uma vez ouvi alguém perguntar à fernanda se ela não passava muito susto em estrada. lembro que ela respondeu que 'cara... susto a gente sempre passa'. é isso. em pista dupla, não tem como não ter susto. principalmente pq as pessoas, em sua maioria (atenham-se a esse detalhe: na metade norte do país, e isso é fato), não respeitam nada, condições do tempo, potência do veículo, condições para ultrapassagem, condições e potência dos outros veículos, enfim. nada. vi corcel puxando reboque ultrapassando ônibus.
dei passagem pra outros apressadinhos tb, encosto quase na faixa do acostamento, vai em paz.
beleza. cheguei em três marias. tinha tempo que eu não passava sobre o são francisco. eu sou meio bocó, choro à toa. o rio tava tão lindo, tão limpo, e a minha saudade dele era tão grande, que abri a boca para cumprimentá-lo e... chorei. parecia um velho amigo que eu estava reencontrando, mais bonito, mais novo. queria uma foto sobre aquela ponte, mas não se pode parar sobre uma ponte como aquela para fotografar, certo? nunca vou ter uma foto do são francisco naquele ângulo. só o verei assim quando passar por aqueles, se não me engano, 360m de vão da ponte. tava cheeeeeeeio, viu, por causa dessas chuvas aí, decerto. são as delícias de viajar só. em grupo tem uma graça, mas sozinha eu posso me dar ao ridículo de passar numa ponte e chorar dentro do capacete de saudade... de um rio.
até então eu vinha parando nos postos em que fernanda e brizzo pararam da primeira vez que vim com eles a bh. em três marias resolvi parar no mar doce, onde eu sempre parei naqueles anos em que passava naquela ponte e cumprimentava o rio. memórias são memórias.
foi quando ouvi pela primeira vez 'moça... cê tá so-zi-nha?!' a gente pára e parece que os frentistas ficam esperando o resto de motoqueiros. como a gente abastece, põe luva, capacete, ameça subir na moto e não chega mais ninguém, eles se assustam. eu me divirto.
eu podia ter bebido água, mas bebi? tinha tomado duas garrafinhas mirins de coca-cola e um pão com queijo em joão pinheiro e só. preferi me dar um tempo, olhar o céu, fumar, em vez de um, dois cigarrim. devia ter bebido água. tive medo de ficar apertada pra ir ao banheiro e não ia parar no meio do nada pra fazer xixi que nem o demo me obrigou a fazer no ano passado. já me bastou passar aquele ridículo de agachar numa estrada de terra e passar uma caminhonete cheia de gente uma vez só.
o céu escurecia. brabamente. a capa é a que comprei na volta de sp no ano passado, naquela chuva torrencial que me pegou em ribeirão preto, ggggggg, caberia a mochila dentro. a mala na garupa estava ensacada, mas a mochila eu tinha que proteger. quando ando na cidade com essa mochila e chove, a capa consegue cobri-la numa boa. na cidade. eu ainda não tinha feito o teste na estrada. com coisas mais volumosas dentro, cadê que a capa ggggggggggggggggggggggggg fechava sobre protetor de coluna, jaqueta, colete, mochila? pensei 'fudeu'. não quis forçar o zíper com medo de inutilizar de vez a capa. se não fechasse, eu teria que escolher: ou usar em mim ou enrolá-la na mochila. acabou dando pra fechar, com uma certa forcinha, e eu fiquei tranquila.
eu já vinha mandando sms pra todas as minhas bases: em bsb, fernanda, márcio, rod, pai e mãe. em bh, jota, em sp, robson. jurando que os sms estavam chegando, pq meu celu dizia que tinham sido entregues. só fui descobrir no fim do dia, a 90km de bh, que nenhuma delas tinha chegado e que tava todo mundo sem notícias. sou mirim no assunto, café-com-leite mesmo e sei que se preocupam. eu mesma só me sinto mais segura na estrada, de moto, quando sei que eles estão acompanhando via sms.
ah, sim. por medo de tomar um sacode do robson se eu perdesse a mala por não tê-la amarrado direito, passei a viagem toda checando no retrovisor se o saco de lixo azul ainda estava lá. acho que isso me rendeu uma dorzinha no ombro esquerdo, mas tudo bem. descobri que alforje não me faz muita falta, mas mala-tanque, sim. é fundamental ter as coisas de que talvez vc precise à mão numa viagem de moto.
aí, blz, saio do posto em três marias (nessa sequência: camisa 1, doleira, camisa 2, protetor de coluna, jaqueta de couro, colete de couro, mochila, capa), o céu desaba. típica chuva que ia passar logo, mas enfurecida.
eu não passava de 80 e já achando muito, dando passagem pra qualquer um que quisesse. do asfalto não se via nada, só o rio passando por cima. à frente eu só enxergava até a placa do carro.
uma chuva dessas, quem não haveria de respeitar, não é? o animal que apareceu na minha frente, na minha mão, fazendo uma ultrapassagem numa condição daquelas, a dois km da saída do posto, num movimento daqueles. dei sinal. eu não PODIA sair da pista, tinha o ressalto pro acostamento e a água tinha tampado tudo, tava tudo um espelho d´água só, cheio, molhando a barra da minha calça (que fica fora da capa mesmo, não tem jeito
). o que o senna fez? respondeu meu sinal alto com um mais alto ainda que me pareceu até de xenon, embaixo daquela água toda. tipo 'vaza, motoquinha, que eu vou passar'.
saí, né. não cheguei a descer pro acostamento pq seria queda na certa, então botei a moto em cima da faixa que divide a pista do acostamento. faixa essa que eu presumia onde estava, já que não se via nada sob aquela água. o cara passou do meu lado, chutado. ainda bem que, não sei pq, eu não me apavoro numa hora dessas e, me parece, reajo bem. se vc perde a calma e o controle, vc mesmo se estrepa. só soltei um 'fi-lho-de-u-ma-pu-ta' dentro do capacete e segui. depois me arrependi, pedi aos céus que cuidassem daquele motorista imprudente para que ele não estragasse a vida de ninguém, sabe. não vale a pena sentir raiva numa hora dessas.
este post já tá imenso, vou postar e continuo com outro. ou outros.
mas é legal partilhar com vcs, pra mim é um aprendizado perene e, quem sabe, serve de ajuda tb pra alguém. se ficar chato cês avisam, que eu paro.
vi que ia sobrar uma grana - pouca - das férias e resolvi passar uns dias em bh.
data resolvida, decidi que, para não correr o risco de estragar de novo, não peguei alforjes nem mala-tanque emprestados. nem protetor de coluna, que acabei ficando com o que o patrick estava vendendo.
(tinha ouvido alguém falar que não usa contact pra 'plastificar' a moto, mas plástico-filme, aquele que se usa em cozinha. pois alguém então mentiu pra mim, pq aquilo não cola nada. só deu pra encapar a alça da garupa, onde eu ia prender minhas coisas. nem a rabeta, para evitar arranhões, eu consegui 'plastificar'. tb achei preciosismo demais desta vez - no ano passado passei contact na moto toda - e encarei sem plástico mesmo. paciência, se a moto tá na estrada, um ou outro arranhão há de rolar mesmo.)
então, eu tinha que levar um volume só, pequeno, na garupa. como esse volume é aquele em que, durante a viagem, a gente não mexe, surgiram alguns problemas: onde levar a capa de chuva, a máquina fotográfica, a toalha super-absorvente e compacta, uma blusa de frio extra e o rolo de papel higiênico. mochila, pensei eu. 'dá pra amarrar tudo na garupa.'
o márcio me disse pra não inventar de levar a mochila nas costas, mesmo leve, pq é um sofrimento cão.
eu tinha duas redinhas de garupa mas, no dia anterior à saída, só achei uma e não tive tempo de comprar outra. só ecoava na minha cabeça o que o robson disse noutro dia sobre saber amarrar bagagem. vi que não ia dar pra amarrar os dois volumes numa redinha só. eu teria que levar a mochila nas costas mesmo. 'eu encaro', pensei.
na noite anterior, como é de meu costume, não pq ache certo, mas pq meu corpo reage assim em vésperas de viagens, fui deitar tarde e não dormi bem. não quis tomar um relaxante receitado pela médica com medo de sentir sono em cima da moto no dia seguinte.
daí, minha previsão de saída se atrasou e eu, que queria ter saído às 5h30, saí às 7h.
a maletinha até que bem presinha na garupa com uma redinha só, a mochila nas costas. tudo dentro da mala ensacado em sacos de lixo grandes e mais três sacos por fora da mala. os alforjes eram à prova d´água; a mala, não. até por isso eu tb não ia poder mexer nela durante a viagem.
blusa de cross, pra não ficar pingando de suor, jaqueta de couro, mochila nas costas. as botas guartelá, calça jeans. luvas, as que comprei na go ano passado, lumica de tecido, já que aquelas alpine do ano passado saem o forro quando a gente tira da mão pra abastecer a moto e fica meia hora tentando botar o forro no lugar. previ que teria problemas com as luvas na estrada, o que, fatalmente, aconteceu.
brasília - cristalina, ok, tirando a pista até o valparaíso que ali, realmente, sem chance de ser feliz. céu azul mas, apesar do avançado da hora, um vento frio que arroxeou meu rosto todo e enregelou os dedos quando parei pra abastecer, depois de 120km.
'bosta', pensei, 'pq raios não botei a balaclava?' subi então o lenço que uso no pescoço, que faz muito bem as vezes de balaclava, é feito pra isso, tapei o nariz até quase chegar aos olhos. frio no rosto não ia passar mais.
de cristalina a paracatu, por causa até da hora do dia, o tempo esquentou bem e eu parei de sentir aquele frio monstro nos braços, já que a luva é curta, de tecido, e o punho da jaqueta um cadim maior que o braço, ou seja: entra um vento frio do caramba.
tô falando disso pra frisar o quão importante é andar com o equipamento certo, pra ocasião e o tempo certos. fosse uma luva de cano longo, teria sido muito mais confortável esse trecho. eu nem ia sentir.
não tinha tomado café da manhã e nem quis tomar. fernanda me disse 'véi, vai tá (sic)
desta vez resolvi levar dinheiro vivo, pra ser mais rápida na hora de pagar, em vez de tirar cartão, passar cartão, digitar senha, pegar comprovante. no ano passado deu certo e desta vez eu repeti levar a doleira na cintura, no cós da calça, só com dinheiro, doc da moto, cnh e meu cra. cartão do banco, seguro, convênio médico. e chave reserva da moto. chave reserva? sim, chave reserva. sabe-se lá o que pode acontecer.
honestamente, nem quis fazer contas de consumo de moto. só zerei o trip 2 a cada parada pra medir quanto tinha andado e quanto faltava pra próxima parada.
em paracatu o tempo já estava bem quente, um solão danado, tirei o lenço e botei os óculos escuros, que achei que iam apertar a cachola dentro do capa mas nem apertaram.
estava entre 120 e 140, mas no cômputo geral parece que não rende muito pq, quando paro, desço da moto com calma, me alongo sem pressa, fumo um cigarrim. bato um papo com os frentistas, olho o povo que passa, sem pressa. tô viajando, tô sem prazo e hora certa pra chegar, aproveito esse tempo pra curtir o lugar em que parei. mas isso só dá pra fazer viajando sozinho, pq, em grupo, não dá pra atrapalhar o ritmo dos outros. dizendo fernanda que acha que eu enrolo demais nas paradas, isso quando viajei na garupa dela. sozinha, então, aí é que eu 'enrolo' mesmo.
mas, desta vez, mochila nas costas, eu precisava me alongar. nessas duas primeiras pernas, rolou um incômodo, a mochila não se acertava com o volume da garupa, ficava subindo, pesava, eu pensando se, por mais que aguentasse, conseguiria chegar até bh com aquela dorzinha, pq ela vai se intensificando durante a viagem.
de paracatu a joão pinheiro peguei dois trechos em meia pista, quando eles estão consertando o asfalto e param o trânsito de um lado até que todos que já estão esperando do outro passem. isso começou a me atrasar. mas eu nem me estressei, tava um calor do cão e esses percalços fazem parte da viagem.
tudo estaria ótimo se não fosse o povo que anda desse meio do país pra cima ser tão absurdamente mais ignorante e imprudente e mal educado que o povo que anda dessa metade do país pra baixo. em outubro estive no litoral de sp de carro - pela primeira vez - e pude ver como - verdade seja dita - os paulistas andam direito em rodovia. durante muitos anos fui de bsb ao rj passando por bh e já estava mais que acostumada com ultrapassagens absurdas, imbecis, gente cortando pelo acostamento, enfiando o carro na sua frente e fingindo que vc não existe. gente sem camisa dirigindo, bebendo, som alto, mó festa dentro do carro. nada contra, cada um dirige como quer, mas acho que tira um pouco do respeito que se deve ter quando se está numa estrada. principalmente numa de mão dupla. quando estive em sp vi como realmente faz diferença a prudência no trânsito e uma atitude tranquila, sem o desespero dos cariocas e dos brasilienses e dos goianos pra chegar ao litoral. pelo que me lembre, nunca vi placa de minas fazendo muita besteira, mas df, go e rj são campeões. em sp, numa via de três faixas, não tem nenhum espertinho furando fila. é pra andar a sessenta? beleza, todo mundo anda.
no segundo desses intervalos para esperar a liberação da pista (dupla, lembrem-se) fiquei uns 15' em cima da moto, de capa, luva, jaqueta, num calor 'ensurdecedor'. tinha um golzinho numa meia sombra no acostamento, desliguei a moto e empurrei até lá, parei ao lado da janela, perguntei ao motorista: 'posso roubar um cadim de sua sombra?'; 'claro. é yamaha, é?'
movimento dos caminhoneiros à frente, voltando pros seus caminhões, botei luva e capa, liguei a moto e me dirigi ao meu lugar anterior na fila. eu, de moto, convenhamos, podia ter ido de boa até o bloqueio. resolvi que ganho mais sendo educada que usando a moto pra furar uma fila, mesmo assando embaixo daquele sol.
ah, sim, fernanda tinha dito pra eu me hidratar, lembram-se?
qual não foi minha surpresa quando uma bostica dum carro que sei lá se era um palio, um fiesta ou um corsa, um trem assim, pilotado por um completamente juvenil, coitado, embica na minha frente na fila na maior ignorância mesmo, quase encostando na moto e naquela atitude 'sai que eu vi primeiro.'
olhei bem pra cara daquele aprendiz de boçal, pensei, pensei. arrastei a moto pra trás, olhei bem pra cara dele, acenei com a mão dando a vez - estávamos todos parados ainda, na fila - e disse 'pode passar.' era óbvia a minha ironia. é claro que ele passaria, se quisesse, ele é um carro e eu, uma moto, mas fiz questão de dar a passagem.
a cara de c* com cãimbra daquele moleque foi tão grande que eu não sei se ele ficou sem saber o que responder - o que era meu objetivo: constrangê-lo pela desnecessária ignorância e deselegância no trânsito - ou se ele nem entendeu o que tentei fazer e simplesmente continuou me ignorando. mas, claro, passou na minha frente como se eu fosse pó.
tinha um outro fiesta ou corsa ou palio tb que já vinha fazendo merda atrás de merda, forçando ultrapassagem quando era óbvio que não dava, andando naquilo como se estivesse num f1. eu queria mesmo é que todos esses pilotos de araque sumissem na minha frente e deixassem meu campo de visão sem nenhuma ameaça de acidente com peças de carro voando na minha cara. quer ir, meu filho, vai. só não estraga a minha viagem tb.
rapidinho, assim que o bloqueio foi liberado, eles, efetivamente, sumiram.
uma vez ouvi alguém perguntar à fernanda se ela não passava muito susto em estrada. lembro que ela respondeu que 'cara... susto a gente sempre passa'. é isso. em pista dupla, não tem como não ter susto. principalmente pq as pessoas, em sua maioria (atenham-se a esse detalhe: na metade norte do país, e isso é fato), não respeitam nada, condições do tempo, potência do veículo, condições para ultrapassagem, condições e potência dos outros veículos, enfim. nada. vi corcel puxando reboque ultrapassando ônibus.
dei passagem pra outros apressadinhos tb, encosto quase na faixa do acostamento, vai em paz.
beleza. cheguei em três marias. tinha tempo que eu não passava sobre o são francisco. eu sou meio bocó, choro à toa. o rio tava tão lindo, tão limpo, e a minha saudade dele era tão grande, que abri a boca para cumprimentá-lo e... chorei. parecia um velho amigo que eu estava reencontrando, mais bonito, mais novo. queria uma foto sobre aquela ponte, mas não se pode parar sobre uma ponte como aquela para fotografar, certo? nunca vou ter uma foto do são francisco naquele ângulo. só o verei assim quando passar por aqueles, se não me engano, 360m de vão da ponte. tava cheeeeeeeio, viu, por causa dessas chuvas aí, decerto. são as delícias de viajar só. em grupo tem uma graça, mas sozinha eu posso me dar ao ridículo de passar numa ponte e chorar dentro do capacete de saudade... de um rio.
até então eu vinha parando nos postos em que fernanda e brizzo pararam da primeira vez que vim com eles a bh. em três marias resolvi parar no mar doce, onde eu sempre parei naqueles anos em que passava naquela ponte e cumprimentava o rio. memórias são memórias.
foi quando ouvi pela primeira vez 'moça... cê tá so-zi-nha?!' a gente pára e parece que os frentistas ficam esperando o resto de motoqueiros. como a gente abastece, põe luva, capacete, ameça subir na moto e não chega mais ninguém, eles se assustam. eu me divirto.
eu podia ter bebido água, mas bebi? tinha tomado duas garrafinhas mirins de coca-cola e um pão com queijo em joão pinheiro e só. preferi me dar um tempo, olhar o céu, fumar, em vez de um, dois cigarrim. devia ter bebido água. tive medo de ficar apertada pra ir ao banheiro e não ia parar no meio do nada pra fazer xixi que nem o demo me obrigou a fazer no ano passado. já me bastou passar aquele ridículo de agachar numa estrada de terra e passar uma caminhonete cheia de gente uma vez só.
o céu escurecia. brabamente. a capa é a que comprei na volta de sp no ano passado, naquela chuva torrencial que me pegou em ribeirão preto, ggggggg, caberia a mochila dentro. a mala na garupa estava ensacada, mas a mochila eu tinha que proteger. quando ando na cidade com essa mochila e chove, a capa consegue cobri-la numa boa. na cidade. eu ainda não tinha feito o teste na estrada. com coisas mais volumosas dentro, cadê que a capa ggggggggggggggggggggggggg fechava sobre protetor de coluna, jaqueta, colete, mochila? pensei 'fudeu'. não quis forçar o zíper com medo de inutilizar de vez a capa. se não fechasse, eu teria que escolher: ou usar em mim ou enrolá-la na mochila. acabou dando pra fechar, com uma certa forcinha, e eu fiquei tranquila.
eu já vinha mandando sms pra todas as minhas bases: em bsb, fernanda, márcio, rod, pai e mãe. em bh, jota, em sp, robson. jurando que os sms estavam chegando, pq meu celu dizia que tinham sido entregues. só fui descobrir no fim do dia, a 90km de bh, que nenhuma delas tinha chegado e que tava todo mundo sem notícias. sou mirim no assunto, café-com-leite mesmo e sei que se preocupam. eu mesma só me sinto mais segura na estrada, de moto, quando sei que eles estão acompanhando via sms.
ah, sim. por medo de tomar um sacode do robson se eu perdesse a mala por não tê-la amarrado direito, passei a viagem toda checando no retrovisor se o saco de lixo azul ainda estava lá. acho que isso me rendeu uma dorzinha no ombro esquerdo, mas tudo bem. descobri que alforje não me faz muita falta, mas mala-tanque, sim. é fundamental ter as coisas de que talvez vc precise à mão numa viagem de moto.
aí, blz, saio do posto em três marias (nessa sequência: camisa 1, doleira, camisa 2, protetor de coluna, jaqueta de couro, colete de couro, mochila, capa), o céu desaba. típica chuva que ia passar logo, mas enfurecida.
eu não passava de 80 e já achando muito, dando passagem pra qualquer um que quisesse. do asfalto não se via nada, só o rio passando por cima. à frente eu só enxergava até a placa do carro.
uma chuva dessas, quem não haveria de respeitar, não é? o animal que apareceu na minha frente, na minha mão, fazendo uma ultrapassagem numa condição daquelas, a dois km da saída do posto, num movimento daqueles. dei sinal. eu não PODIA sair da pista, tinha o ressalto pro acostamento e a água tinha tampado tudo, tava tudo um espelho d´água só, cheio, molhando a barra da minha calça (que fica fora da capa mesmo, não tem jeito
saí, né. não cheguei a descer pro acostamento pq seria queda na certa, então botei a moto em cima da faixa que divide a pista do acostamento. faixa essa que eu presumia onde estava, já que não se via nada sob aquela água. o cara passou do meu lado, chutado. ainda bem que, não sei pq, eu não me apavoro numa hora dessas e, me parece, reajo bem. se vc perde a calma e o controle, vc mesmo se estrepa. só soltei um 'fi-lho-de-u-ma-pu-ta' dentro do capacete e segui. depois me arrependi, pedi aos céus que cuidassem daquele motorista imprudente para que ele não estragasse a vida de ninguém, sabe. não vale a pena sentir raiva numa hora dessas.
este post já tá imenso, vou postar e continuo com outro. ou outros.
Editado pela última vez por nina em 26 Jan 2010, 11:07, em um total de 1 vez.
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GoGoBoy
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- Registrado em: 28 Dez 2007, 13:41
- Localização: Roça Iluminada/Cvel - PR
Re: nina em bh
parei de ler em "perene", mas legal o relato 
- Quem é ele?
- Ele é o mercador da morte...
qual é o negócio, he-man?
- Ele é o mercador da morte...
qual é o negócio, he-man?
Re: nina em bh
sem fotos, sem viagem
e pensei que vinria a bahia,, agente reservou até seu quarto
e pensei que vinria a bahia,, agente reservou até seu quarto
Re: nina em bh
Ae Kamerad Ninaiuska, parabéns pelo relato.
Putz, enquanto a "macharada" fica atrás do teclado discutindo sobre pentelhésimos de CVs, a mulherada pega BR debaixo de chuva, eheheheh...
Putz, enquanto a "macharada" fica atrás do teclado discutindo sobre pentelhésimos de CVs, a mulherada pega BR debaixo de chuva, eheheheh...

Marcus DT escreveu: No final, muito antes da moto, é isso que fica: a camaradagem.
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Re: nina em bh
o Tite que tome cuidado, Historias de Motocicleta by Nina
Poderia estar num hotel em Dubai, num barquinho no Caribe,
mas eu prefiro estar aqui, andando de motos com vocês !
mas eu prefiro estar aqui, andando de motos com vocês !
Re: nina em bh
Nina.. baita viagem... posta as fotos aí.... espero que ao contrário dos sms, a máquina tenha funfado...... 
Fellipe
(ex) Bandit 650N -08/09 - Valentina
(ex) GS 500 - 97/97 - Suzy rebeca
(ex) YBR -00 - Jéssica
(ex) Bandit 650N -08/09 - Valentina
(ex) GS 500 - 97/97 - Suzy rebeca
(ex) YBR -00 - Jéssica
Re: nina em bh
Bacana, Nina. Viagem de moto sozinho é isso aí mesmo. Aventura, por mais planejado que seja.
Legal ler relatos assim, traz o passado da gente junto, lembranças das primeiras viagens, as "cabacisses".
Este do saco de lixo para proteger a mala, lembrei quando voltei de Pres. Epitácio em 2007, saímos (eu e o Erivan) debaixo de um temporal "sinixxxxtro", parei para abastecer em Resende (faltando uns 150 km para chegar em casa), já estava exausto, sem forças, pois já havia rodado +- uns 1.000 km, e tava fazendo um frio danado.
Olhei para a bolsa, toda enrolada no plástico e presa com um monte de extensores. Lembrei que o forro da jaqueta tava lá no fundo da bolsa, desisti. Depois disso, só bauleto.
Beijão pra ti, e aproveite, pois estes malacabados de BH são 10.
"Aqui a criança chora e a mãe vira de costas"
B12S
B12S
Russo escreveu:Mas é isso ai... no motociclismo há espaço para todos, para os que gostam de tecnologia, pros que curtem velharia e até para os babacas caras que não conseguem perceber isso, eheheheh ...
-
nina
Re: nina em bh
minha próxima parada seria sete lagoas. eu sabia que andaria um bocado sem parar, então o conforto tinha que ser fundamental.
eu não contava é que a capa de chuva e o protetor de coluna iam brigar e o protetor ia se recusar a ficar no lugar. daí já me atrasei mais ainda mesmo, pq tive que parar várias vezes pra tentar arrumar um e outro. já tava doendo o peso da mochila, completamente suportável, mas o protetor batendo na minha nuca podia me irritar a ponto de eu perder a atenção na estrada.
tive que afrouxar as alças dele e puxá-lo pra baixo pq acho que a bunda do protetor não se entendeu com o elástico da calça e, com a tensão das alças, teimava em subir. botei o protetor por fora da calça, as alças já mais frouxas, foi o que resolveu. e aproveitei essas paradas também pra tirar a blusa da capa, que estava me esquentando ainda mais - eu sem beber uma única gota de água desde que saí de casa - confiando que o chuvisco de verão que viesse seria suportado pela jaqueta. e realmente seria, mas eu me esqueci da enxurrada que cobre o motoqueiro quando um caminhão passa numa poça enorme do nosso lado. então foi um tal de tira capa põe capa que já tava até me estressando.
eu considero que o conforto é fundamental numa viagem dessas. um incômodo que começa pequeno pode tirar o juízo do cidadão no decorrer dos quilômetros e atrapalhar os reflexos dele, comprometendo a capacidade de reação. percebi tb que o capacete já me pesava, a chuva tinha estancado e o chão estava só úmido, e voltei a acelerar: é um yohe, até 100, 120 (no painel, claro) ele aguenta. mais que isso, o vento empurra ele pra trás e começa a ficar chato. não me lembro de ter sentido isso no ano passado, quando viajei com o mesmo capa e fiz 1000 km num dia só. sei lá, vai ver desta vez eu corri mais. ou ventava mais, não sei. ou eu estou mais fraca. o barulho nem me incomoda tanto, mas o peso, sim.
tudo isso serve pra gente colocar como prioridade pro ano que começa: comprar um capacete realmente bom, e não mediano, uma jaqueta realmente boa e tão leve quanto seja possível e uma mala-tanque. de ímã. ah, sim, e outro par de luvas.
na cidade, em percursos pequenos, eu já sentia a lumica fazer uma ruguinha na base dos dedos, quase na palma da mão, principalmente na direita. claro, é a mão que acelera, que vc gira. eu já sabia que corria o risco de me incomodar com aquilo pq depois de horas acelerando sem parar, ia fatalmente machucar. machucou. hj tem um quase corte na base do dedo anular direito, exatamente onde eu senti a dorzinha durante a viagem inteira. tá valendo.
da guartelá não tenho do que reclamar. é pesada mas firme quando precisamos botar o pé no chão, passa embaixo da marcha tranquilo, apesar do solado grosso de borracha, e não entra mesmo água, mesmo sendo de cadarço. pra mim tá ótimo. enquanto não tiver todos os outros equipamentos de que preciso, ela vai servir muito bem.
bom, minha previsão de chegada já tinha ido pro espaço mesmo, eu preferi continuar apreciando minha viagem.
eu sabia que mais pra perto de bh tinha uma capelinha branca numa encosta dum morrico que eu queria ver de novo, que nem fiz com o são francisco.
passei morricos e morricos olhando pra esquerda procurando a capelinha. não sei quem a colocou ali, quem cuida dela; mas TODA vez que passo naquela estrada a bichinha tá lá, caiadinha, pintadinha, florida. sim, põem flores nela. fizeram um apoio com uma estaca até a base do morrinho, tem uma pedra grande nessa estaca e a capelinha lá.
já tava pra lá de três marias, já tinha desistido de achá-la. fiquei meio tristonha, sabe, eu queria vê-la. tem gente que sabe até qual é a curva em que ela aparece, mas eu sou uma anta em termos de orientação, não saberia nunca adivinhar.
dei-me por satisfeita com o são francisco e desisti dela.
com a chuva recém-caída, o verde do lado direito, no vão da pista, estava a coisa mais maravilhosa do mundo. fui olhando aquela paisagem, as curvas de nível, milhares de tons de verde, que coisa linda, queria fotografar. apesar da minha maquininha ser bem chulé, quem sabe as fotos ficariam boas. mas eu já tava na br de novo, caminhão descendo, caminhão subindo, tinha acostamento, mas eu não paro em acostamento. no meio do nada.
a não ser quando o demo me obriga a explodir de vontade de fazer xixi e não resta outra saída.
não sei quantos km depois de três marias ela aparece, branquinha, lá na encosta do morro, a capelinha.
minha alegria foi tão grande que não resisti. parei a moto no acostamento, num bem final de curva, onde desse pros caminhões que estivessem descendo me verem antes, bem antes de entrarem na curva, fui atrás da câmera.
que silêncio era aquele.
que verde era aquele. que paz cantada pelos pássaros era aquela, tão diferente do asfalto cinza correndo na minha frente. eu amo o asfalto, adoro estar sobre minha moto, adoro estar sozinha, tenho adorado viajar sozinha de moto, sou uma pessoa bem citadina, bem urbana. mas que verde, que pássaros. tirei umas fotos - ou tentei tirar - desse cenário mas obviamente eu tinha que esquecer alguma coisa em casa e esqueci o cabo da máquina. como a bichinha é jurássica, acho que não consigo nem ver se as fotos prestaram. se prestarem, posto depois foto da capelinha procês. vou ficar devendo a do rio. mas é uma boa desculpa pra vcs passarem por lá e terem, cada um, a sua visão do velho chico.

eu não contava é que a capa de chuva e o protetor de coluna iam brigar e o protetor ia se recusar a ficar no lugar. daí já me atrasei mais ainda mesmo, pq tive que parar várias vezes pra tentar arrumar um e outro. já tava doendo o peso da mochila, completamente suportável, mas o protetor batendo na minha nuca podia me irritar a ponto de eu perder a atenção na estrada.
tive que afrouxar as alças dele e puxá-lo pra baixo pq acho que a bunda do protetor não se entendeu com o elástico da calça e, com a tensão das alças, teimava em subir. botei o protetor por fora da calça, as alças já mais frouxas, foi o que resolveu. e aproveitei essas paradas também pra tirar a blusa da capa, que estava me esquentando ainda mais - eu sem beber uma única gota de água desde que saí de casa - confiando que o chuvisco de verão que viesse seria suportado pela jaqueta. e realmente seria, mas eu me esqueci da enxurrada que cobre o motoqueiro quando um caminhão passa numa poça enorme do nosso lado. então foi um tal de tira capa põe capa que já tava até me estressando.
eu considero que o conforto é fundamental numa viagem dessas. um incômodo que começa pequeno pode tirar o juízo do cidadão no decorrer dos quilômetros e atrapalhar os reflexos dele, comprometendo a capacidade de reação. percebi tb que o capacete já me pesava, a chuva tinha estancado e o chão estava só úmido, e voltei a acelerar: é um yohe, até 100, 120 (no painel, claro) ele aguenta. mais que isso, o vento empurra ele pra trás e começa a ficar chato. não me lembro de ter sentido isso no ano passado, quando viajei com o mesmo capa e fiz 1000 km num dia só. sei lá, vai ver desta vez eu corri mais. ou ventava mais, não sei. ou eu estou mais fraca. o barulho nem me incomoda tanto, mas o peso, sim.
tudo isso serve pra gente colocar como prioridade pro ano que começa: comprar um capacete realmente bom, e não mediano, uma jaqueta realmente boa e tão leve quanto seja possível e uma mala-tanque. de ímã. ah, sim, e outro par de luvas.
na cidade, em percursos pequenos, eu já sentia a lumica fazer uma ruguinha na base dos dedos, quase na palma da mão, principalmente na direita. claro, é a mão que acelera, que vc gira. eu já sabia que corria o risco de me incomodar com aquilo pq depois de horas acelerando sem parar, ia fatalmente machucar. machucou. hj tem um quase corte na base do dedo anular direito, exatamente onde eu senti a dorzinha durante a viagem inteira. tá valendo.
da guartelá não tenho do que reclamar. é pesada mas firme quando precisamos botar o pé no chão, passa embaixo da marcha tranquilo, apesar do solado grosso de borracha, e não entra mesmo água, mesmo sendo de cadarço. pra mim tá ótimo. enquanto não tiver todos os outros equipamentos de que preciso, ela vai servir muito bem.
bom, minha previsão de chegada já tinha ido pro espaço mesmo, eu preferi continuar apreciando minha viagem.
eu sabia que mais pra perto de bh tinha uma capelinha branca numa encosta dum morrico que eu queria ver de novo, que nem fiz com o são francisco.
passei morricos e morricos olhando pra esquerda procurando a capelinha. não sei quem a colocou ali, quem cuida dela; mas TODA vez que passo naquela estrada a bichinha tá lá, caiadinha, pintadinha, florida. sim, põem flores nela. fizeram um apoio com uma estaca até a base do morrinho, tem uma pedra grande nessa estaca e a capelinha lá.
já tava pra lá de três marias, já tinha desistido de achá-la. fiquei meio tristonha, sabe, eu queria vê-la. tem gente que sabe até qual é a curva em que ela aparece, mas eu sou uma anta em termos de orientação, não saberia nunca adivinhar.
dei-me por satisfeita com o são francisco e desisti dela.
com a chuva recém-caída, o verde do lado direito, no vão da pista, estava a coisa mais maravilhosa do mundo. fui olhando aquela paisagem, as curvas de nível, milhares de tons de verde, que coisa linda, queria fotografar. apesar da minha maquininha ser bem chulé, quem sabe as fotos ficariam boas. mas eu já tava na br de novo, caminhão descendo, caminhão subindo, tinha acostamento, mas eu não paro em acostamento. no meio do nada.
a não ser quando o demo me obriga a explodir de vontade de fazer xixi e não resta outra saída.
não sei quantos km depois de três marias ela aparece, branquinha, lá na encosta do morro, a capelinha.
minha alegria foi tão grande que não resisti. parei a moto no acostamento, num bem final de curva, onde desse pros caminhões que estivessem descendo me verem antes, bem antes de entrarem na curva, fui atrás da câmera.
que silêncio era aquele.
que verde era aquele. que paz cantada pelos pássaros era aquela, tão diferente do asfalto cinza correndo na minha frente. eu amo o asfalto, adoro estar sobre minha moto, adoro estar sozinha, tenho adorado viajar sozinha de moto, sou uma pessoa bem citadina, bem urbana. mas que verde, que pássaros. tirei umas fotos - ou tentei tirar - desse cenário mas obviamente eu tinha que esquecer alguma coisa em casa e esqueci o cabo da máquina. como a bichinha é jurássica, acho que não consigo nem ver se as fotos prestaram. se prestarem, posto depois foto da capelinha procês. vou ficar devendo a do rio. mas é uma boa desculpa pra vcs passarem por lá e terem, cada um, a sua visão do velho chico.
Re: nina em bh
Parabéns Nina.
Belíssimo relato, realmente é uma aventura andar nessas estradas do Brasil, gostei bastante da forma como vc escreve, novamente parabéns.
No mais, aguardando as fotos e a continuação.
Grande abraço,
P.s.: trocou a bomba de gasolina da Fazer ????
Belíssimo relato, realmente é uma aventura andar nessas estradas do Brasil, gostei bastante da forma como vc escreve, novamente parabéns.
No mais, aguardando as fotos e a continuação.
Grande abraço,
P.s.: trocou a bomba de gasolina da Fazer ????
Ushuaia 2007/2008 - Nós fomos e foi bão dimais!!
Re: nina em bh
Show, mas desistiu da Bahia porque? A lu estava te esperando também...
Suzuki RV 90,Yamaha RS 125,Honda ML125,Yamaha DT 180, Agrale 16.5/27.5 Elefantre/27.5,XL250 R, Honda 450 DX, Yamaha RD 350 LC, Honda Hornet e New Hornet, Kawasaki Z 1000, Suzuki DRZ 400 E
EU FUI, E SOBREVIVI, FOI BOM DEMAIS
EU FUI, E SOBREVIVI, FOI BOM DEMAIS-
nina
Re: nina em bh
e 'dicionário', vc sabe o que significa?GoGoBoy escreveu:parei de ler em "perene", mas legal o relato
mentira, rad. minha cara partiu em 38 pedaços, agora. essa idéia foi môclides que me aventou, mas eu nem pude levá-la adiante. e, como pra mim tinha sido só uma idéia, nem falei nada cocê. ô, sô, mil desculpas, rad. de coração. tb devo desculpas ao deco, pq acabei me pirulitando pra bh sem avisar ele tb. não sou muito certa com essas coisas e não raras vezes me envergonho, como agora. :(Rad escreveu:sem fotos, sem viagem![]()
e pensei que vinria a bahia,, agente reservou até seu quarto
ninaiuska é algo como nínula, nininha, tipo um diminutivo? gracinha...Russo escreveu:Ae Kamerad Ninaiuska, parabéns pelo relato.
Putz, enquanto a "macharada" fica atrás do teclado discutindo sobre pentelhésimos de CVs, a mulherada pega BR debaixo de chuva, eheheheh...
ô, russo, que bom que um cara como vc teve paciência de ler. significa que não tá tão ruim assim...
-
nina
Re: nina em bh
daonde... sou mirim, sô. tem gente aí que encara ir pro chile, esses, sim, têm história pra contar.FABIO FAZER escreveu:o Tite que tome cuidado, Historias de Motocicleta by Nina
pois é. resolverei isso com uma mala-tanque. fica literalmente à mão e o que é melhor: à vista.Smoker escreveu:![]()
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Bacana, Nina. Viagem de moto sozinho é isso aí mesmo. Aventura, por mais planejado que seja.
Legal ler relatos assim, traz o passado da gente junto, lembranças das primeiras viagens, as "cabacisses".
Este do saco de lixo para proteger a mala, lembrei quando voltei de Pres. Epitácio em 2007, saímos (eu e o Erivan) debaixo de um temporal "sinixxxxtro", parei para abastecer em Resende (faltando uns 150 km para chegar em casa), já estava exausto, sem forças, pois já havia rodado +- uns 1.000 km, e tava fazendo um frio danado.
Olhei para a bolsa, toda enrolada no plástico e presa com um monte de extensores. Lembrei que o forro da jaqueta tava lá no fundo da bolsa, desisti. Depois disso, só bauleto.
Beijão pra ti, e aproveite, pois estes malacabados de BH são 10.
troquei, cara! na verdade foi o reparo, e quem fez o serviço foi o mecânico do priest que eu adotei, agora. pq, olha... o cara teve uma paciência de jó pra botar a moto no sol, testar, tirar a moto do sol, testar, abrir isso, desmontar aquilo...chinaf escreveu:Parabéns Nina.
Belíssimo relato, realmente é uma aventura andar nessas estradas do Brasil, gostei bastante da forma como vc escreve, novamente parabéns.
No mais, aguardando as fotos e a continuação.
Grande abraço,
P.s.: trocou a bomba de gasolina da Fazer ????
ela ficou pronta na semana do ano-novo, se não me engano, era o que eu estava precisando pra viajar. se não tivesse rolado isso, nunca que eu colocaria a moto na estrada. só se fosse pra passar raiva e, pior, sufoco. já pensou?
-
nina
Re: nina em bh
deco, na verdade eu fiquei sem graça de incomodar vc e lu nessa fase pós-cirúrgica. eu tô meio duranga tb, mas o motivo mesmo foi não incomodar vcs. eu sei que devia ter te avisado antes mas a sem graceza foi tão grande e eu sei que vc ia acabar me convencendo de ir mesmo assim, que eu fiquei no meu mocózinho.decoZ escreveu:Show, mas desistiu da Bahia porque? A lu estava te esperando também...
vc perdoa eu?
-
Robson
Re: nina em bh
Belo relato Nina, dá gosto de ler !!!
Mas aí vão umas dicas para a volta:
), coloca em um saco separado.... na volta, tenta prender no tanque a mochila que vc trouxe nas costas... faz um teste com a rede que vc levou, se der certo vc compra outra em BH.
Agora o puxão de orelhas..... aprendi com vc a usar um treco pra lá de útil em viagens, que é a cartucheira !!!
Nela eu levo a carteira com documentos e dinheiro, o celulítico, a câmera fotográfica, óculos de sol, o MP3 e pilhas.... cabe tudo, em um lugar só, tudo na mão a hora que precisar. Pq vc não usa mais ??
Aproveite bem a viagem... mesmo com pouca experiência na estrada (?!?!) vc dá um banho em muito marmanjo aí com 20 anos de moto nas costas que não sabe sequer se comportar em uma estrada....
Mas aí vão umas dicas para a volta:
O que vc vai precisar no meio da viagem vc leva debaixo da rede, mas separado. Eu sempre levo a minha capa de chuva por cima da mochila, ambas presas pela rede.... no caso de papel higiênico (nunca levei isso.... mulheres....então, eu tinha que levar um volume só, pequeno, na garupa. como esse volume é aquele em que, durante a viagem, a gente não mexe, surgiram alguns problemas: onde levar a capa de chuva, a máquina fotográfica, a toalha super-absorvente e compacta, uma blusa de frio extra e o rolo de papel higiênico. mochila, pensei eu. 'dá pra amarrar tudo na garupa.'
Agora o puxão de orelhas..... aprendi com vc a usar um treco pra lá de útil em viagens, que é a cartucheira !!!
Nela eu levo a carteira com documentos e dinheiro, o celulítico, a câmera fotográfica, óculos de sol, o MP3 e pilhas.... cabe tudo, em um lugar só, tudo na mão a hora que precisar. Pq vc não usa mais ??
Aproveite bem a viagem... mesmo com pouca experiência na estrada (?!?!) vc dá um banho em muito marmanjo aí com 20 anos de moto nas costas que não sabe sequer se comportar em uma estrada....
Re: nina em bh
Ow... tinha que ver o semi desespero sem nenhum SMS desde cedo...
A sorte é que noticia ruim chega rápido... se fosse o contrário, acho q vc tinha saído de moto atrás de mim.... olhando todas as marcas de pneu!
A sorte é que noticia ruim chega rápido... se fosse o contrário, acho q vc tinha saído de moto atrás de mim.... olhando todas as marcas de pneu!
CB 1300 SF - casei SEPAREI...esposa nova HD FATBOY LO foda mal dada... Piranha nova - Ducati Diavel MSM
"As pessoas que reclamam da vida, é porque estão bem...
As que relmente estão mal, cerram os dentes e seguem em frente!"
"As pessoas que reclamam da vida, é porque estão bem...
As que relmente estão mal, cerram os dentes e seguem em frente!"
Re: nina em bh
Nina, muito legal o relato. Em alguns trechos até cheguei a gargalhar (a história do xixi em SP).
Concordo com a Fê; sustos a gente toma mesmo, mas temos que ter calma e sangue frio para não ser último. Pena que as rodovias em BH (e boa parte do Brasil) estejam mal conservadas. Se perdem muitas vidas e dinheiro em razão disso. Mas não relaxe quando voltar a SP, também temos a nossa cota de motoristas/motociclistas/motoqueiros/motoboys com aposeose mental nas rodovias.
E afinal, vc se hidratou?
Concordo com a Fê; sustos a gente toma mesmo, mas temos que ter calma e sangue frio para não ser último. Pena que as rodovias em BH (e boa parte do Brasil) estejam mal conservadas. Se perdem muitas vidas e dinheiro em razão disso. Mas não relaxe quando voltar a SP, também temos a nossa cota de motoristas/motociclistas/motoqueiros/motoboys com aposeose mental nas rodovias.
E afinal, vc se hidratou?
Re: nina em bh
Show!
Ainda bem que eu não tenho paciência pra escrever esses relatos, imagina um UDI-CTBA ou UDI-FLP com essa riqueza de detalhes
Ah, e quando viajei em grupo também reclamaram de "demora" nas paradas... Porra, se é só pra abastecer nem precisa parar, essas streets com tanques de 19 litros pra cima rodam 300km sem parar de boa. A minha que roda 200 e pouco, mas mesmo se rodasse mais eu pararia antes.
Ainda bem que eu não tenho paciência pra escrever esses relatos, imagina um UDI-CTBA ou UDI-FLP com essa riqueza de detalhes
Ah, e quando viajei em grupo também reclamaram de "demora" nas paradas... Porra, se é só pra abastecer nem precisa parar, essas streets com tanques de 19 litros pra cima rodam 300km sem parar de boa. A minha que roda 200 e pouco, mas mesmo se rodasse mais eu pararia antes.
Weeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee
-
nina
Re: nina em bh
ainda tinha chão mas o tanque tava pela metade, não quis abastecer. até três marias eu vinha zerando o trip 2 pra saber direitinho a distância entre as paradas, mas depois da chuva, da encheção de saco protetor X capa, a onda de lama que o caminhão jogou que passou sobre a minha cabeça e molhou até a parte interna da viseira ('burra', eu pensei, 'quem mandou tirar a blusa da capa.'), depois de já ter perdido mesmo a previsão de chegada, decidi que só pararia em bh.
as placas me deram outra referência, diferente das que me informaram nos postos. dava pra chegar com aquela gasolina. sem mala-tanque, o mapa estava na mochila, e não pregado no tanque na minha cara, e eu não ia ficar abrindo mochila pra olhar distância em mapa. mas dava pra chegar.
jota tinha me perguntado se eu saberia chegar na prudente de morais pra ele me resgatar, eu respondi que saberia chegar até onde fernanda e brizzo chegaram da outra vez, no que me parece um anel rodoviário fora da cidade. sem gps, com o meu senso de orientação? esquece.
ia seguir direto mas me lembrei que desde joão pinheiro não botava nada no estômago - nem água, né - e parei em paraopeba - e não sete lagoas, como falei pro márcio: me enganei mesmo - no mesmo posto em que fernanda e brizzo pararam da outra vez pra eu descansar quando meu peels estava dilacerando meu pescoço (depois disso que comprei o yohe). resolvi abastecer mas o posto está desativado. comi um pão de queijo, tomei duas latinhas mirins de coca-cola, comprei um hollywood picado e a conta deu os estrondosos dois reais e sessenta centavos. achei que tinha entendido errado, perguntei, 'oito reais?'. a moça 'não, dois. dois e sessenta.'
você tomou água? nem eu.
eu tomando minha coca e fumando meu hollywood picado, o tel toca. era sms do márcio. 'estamos sem notícias desde as 7h.'
cacete, quase caí pra trás. liguei na mesma hora. 'márcio, eu tô mandando sms desde cristalina, nunca chegou nenhum?!'
nunca tinha chegado. aí ele ficou felizão de ver que eu estava bem e se encarregou de avisar o resto do povo. na hora eu disse a ele que estava em sete lagoas, mas era paraopeba. me confundi.
pronto. todo mundo avisado, agora era chegar em bh.
e resolver se deveria facilitar ou complicar a vida do jota pra me resgatar.

as placas me deram outra referência, diferente das que me informaram nos postos. dava pra chegar com aquela gasolina. sem mala-tanque, o mapa estava na mochila, e não pregado no tanque na minha cara, e eu não ia ficar abrindo mochila pra olhar distância em mapa. mas dava pra chegar.
jota tinha me perguntado se eu saberia chegar na prudente de morais pra ele me resgatar, eu respondi que saberia chegar até onde fernanda e brizzo chegaram da outra vez, no que me parece um anel rodoviário fora da cidade. sem gps, com o meu senso de orientação? esquece.
ia seguir direto mas me lembrei que desde joão pinheiro não botava nada no estômago - nem água, né - e parei em paraopeba - e não sete lagoas, como falei pro márcio: me enganei mesmo - no mesmo posto em que fernanda e brizzo pararam da outra vez pra eu descansar quando meu peels estava dilacerando meu pescoço (depois disso que comprei o yohe). resolvi abastecer mas o posto está desativado. comi um pão de queijo, tomei duas latinhas mirins de coca-cola, comprei um hollywood picado e a conta deu os estrondosos dois reais e sessenta centavos. achei que tinha entendido errado, perguntei, 'oito reais?'. a moça 'não, dois. dois e sessenta.'
você tomou água? nem eu.
eu tomando minha coca e fumando meu hollywood picado, o tel toca. era sms do márcio. 'estamos sem notícias desde as 7h.'
cacete, quase caí pra trás. liguei na mesma hora. 'márcio, eu tô mandando sms desde cristalina, nunca chegou nenhum?!'
nunca tinha chegado. aí ele ficou felizão de ver que eu estava bem e se encarregou de avisar o resto do povo. na hora eu disse a ele que estava em sete lagoas, mas era paraopeba. me confundi.
pronto. todo mundo avisado, agora era chegar em bh.
e resolver se deveria facilitar ou complicar a vida do jota pra me resgatar.
-
Puma
Re: nina em bh
Nina, show de relato.
Compre um Bauleto, é feio, estranho mas leva de tudo.
Abraços
fui.............
nina escreveu: 'dá pra amarrar tudo na garupa.
Compre um Bauleto, é feio, estranho mas leva de tudo.
Abraços
fui.............
Re: nina em bh
Puma escreveu:Nina, show de relato.
nina escreveu: 'dá pra amarrar tudo na garupa.
Compre um Bauleto, é feio, estranho mas leva de tudo.
Abraços
fui.............
Isso me lembre que preciso arrumar um.







