CB 450 DX Luxury Sport - a saga.

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Allende
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CB 450 DX Luxury Sport - a saga.

Mensagem por Allende »

(Atenção, texto com menção a Deus. Pitizentos podem sofrer efeitos colaterais)


Há tempos tenho um Dodge Polara 1980 que herdei do meu avô. Amo esse carro demais, mas infelizmente não tenho tempo, nem disposição, nem garagem e nem recursos para restaurá-lo. Poderia reformá-lo (e não restaurá-lo), mas não é que desejaria para o carro, não ia gostar de ir aos encontros de carros antigos com coisas por fazer. Ou é 8 ou é 80.

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A decisão, meia controversa, meio melancólica, foi vender o carro. Não é fácil vender, sendo que precisa de cuidado. Propostas por um terço do preço que eu pedia eram corriqueiras, mesmo tendo noção que o preço estava dentro do mercado. Muito desgaste em ficar mandando foto, analisando proposta que até eu, que gosto disso, cansei. Propostas absurdas, outras tranqueiras na troca, desde pagar parcelado no fio do bigode, acordeon e até mini pônei com charrete! (se foi algum “amigo”, quero saber!!!)

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Sempre dou uma olhada nos classificados para ver o que tem de bacana, acompanhar preços e tal. Sempre tive vontade de ter uma moto antiga, clássica, para dar umas passeadas por ai. Olhava RD135, olhava CG125, olhava CBX750 (ainda olho, mesmo que já tive uma) e olhava as CB450, mas só me interessam as de 90 pra cima.

Sempre que achava uma dessas bonita e num preço parecido, oferecia o Polara na troca. Foram alguns não, faz parte. Achei uma CB 450 91 DX, Luxury Edition, bem bonita, em Chapecó (480km de Blumenau) e o proprietário aceitava o Dodge. Pediu uma volta grande, não estava disposto a dar tanto. Praticamente 1500,00 a mais do que eu achava justo, mesmo que fosse na troca. Olhava o Dodge na garagem, ocupando espaço e se desfazendo, apertei o botão. Aquele sabe?

No final das contas, os documentos da moto estavam pagos, do Dodge não, o que me fez considerar que paguei R$ 1000,00 a mais do que deveria, mas pelo menos resolvia o meu problema com garagem e manutenção, ciente de que a moto também precisa de cuidado, mas é tudo beeeeem mais barato. A despesa da viagem não considerei, pois aventura não tem preço.

Peguei um dinheiro emprestado, trocamos fotos e vídeos e me parti à Chapecó.

Saí as 4h30 da manhã, olhando o carro, lamentando, pensando no meu avô e toda aquela coisa triste de filme. Foi mesmo. Apreensivo pela viagem de ida, afinal, fui só com o carro e a coragem (sem estepe, sem ferramentas, sem nada), mas tudo bem, confiava no carro, quase nunca deu problema. Isso só me fez ficar ainda mais apreensivo. Como vou voltar numa moto que não conheço debaixo de 480km de chuva? Ansiedade pegando a mil. Nem consegui comer durante a manhã toda, só pensando em chegar. BR 470 e BR 282, rodovias cheias de caminhões, pardais e buracos.

Subindo a serra catarinense, naquela chuva toda, me bateu um friozão, me obriguei a vestir a jaqueta de motociclismo, mas pilotando um automóvel. Nos postos de gasolina, pareci ou doido.
As 11h30 da manhã cheguei em Chapecó. Peguei 480km de chuva. O carro foi 100%, não aconteceu absolutamente nada, tal como esperado.

A moto já estava lá me esperando, linda e bela, mas fomos olhar o Dodge primeiro. Analisa daqui, dali, e depois fomos ver a moto, analisa daqui... Capacete personalizado na cor da moto, chaves reservas, manual, óleo trocado, tudo certo.

A chuva parou. Impressionante. Dei uma voltinha na moto e, de fato, era o que foi anunciado. O carro também estava conforme o descrito. Fechamos negócio.
Precisávamos ir ao cartório oficializar os documentos, mas só abria às 13h30. Ele foi comer um pastel e eu com pressa de ir pra casa, nervoso com a volta, com a distância, com o cansaço e com a chuva, não consegui comer nada.

Enquanto corríamos para resolver os papéis, parou um L200 do lado elogiando o carro, pediu o preço, o "novo dono" gritou um valor bem maior do que vendi pra ele... seguiram conversando! Quase desfiz o negócio, pra EU vender pra cara :frt: Não deu negócio, ainda bem kkkkk.

Papelada pronta, enchi o tanque, os pneus e saí de Chapecó às 15h, sem chuva. Pensei comigo: “vou tocar até onde der e parar num hotel quando a chuva apertar”.
Andei 55km e vi que o marcador de combustível não estava funcionando. Tive que parar no posto para ver qual a média que fazia e ver quanto já tinha consumido e tal. Quando paro na bomba, pneu dianteiro murcho....
Graças a Deus, vi o pneu murcho com ela parada e não rodando, e estava num posto com borracharia. Trocamos a câmera, mas ali perdi 1h de viagem, praticamente.

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Foto numa das paradas no meio da viagem

Segui viagem, mas o pneu não assentou no aro. Estava quicando. Voltei. Ele reposicionou o pneu, esvaziou e encheu algumas vezes. Perdi mais 15 minutos.
E toquei viagem. Moto gostosa de rodar, estava feliz, mas com saudade do Dodge, carro que esteve intensamente presente em minha vida há 35 anos.
Rodei mais uns 100km, curtindo a moto, andando devagar, dando umas aceleradas para pegar o sol ainda, afinal, já eram quase 18h.
Nada de chuva. Um vazamento de óleo aqui e ali, buzina não funciona, mas de resto tudo certo. Aliás, o óleo vazava e, com a velocidade, pingava entre o tênis e a calça, bem onde não tinha proteção.....

Subindo a serra, já noite, vejo que não tenho farol. Ué, cadê a luz? Apontava pra lua. Decepcionado comigo mesmo de não ter visto isso antes, dei uma praguejada. E eu, com conhecimento quase 0 de como fazer a coisas, fui na mão mesmo e forcei o farol para baixo. Pronto, problema resolvido.
Parcialmente resolvido, pois a lâmpada é muito fraquinha, ter farol e não ter era quase a mesma coisa. Eis que Deus me presenteia com um luar maravilhoso! Nem precisei mais de farol, enxergava tudo mesmo sem luz. Lembrei de Êxodo 13.21: “Durante o dia o SENHOR ia adiante deles, numa coluna de nuvem, para guiá-los no caminho e, de noite, numa coluna de fogo, para iluminá-los, e assim podiam caminhar de dia e durante a noite”.
Faltando 350km para chegar em Blumenau, a moto começa a falhar. Motor trancando, pulando, embolando, sem força. E agora? Não entendo nada. Lembrei de que motos carburadas sofrem na altura, e estava na serra (mesmo achando que a serra catarinense não tem nada a ver com a altura dos alpes e tal, mas eu queria acreditar nisso. Aliás, era a única opção). Bom, quando descer, melhora. Não conseguia passar de 50km/h. Liguei o pisca alerta e continuei rodando. Rodovia vazia, estava seguro, teoricamente.

Parei num posto para ver o consumo nessa bagunça toda, e perguntei quantos km faltavam para descer a serra. – “90km”. Bom, vamos andar esses 90km assim mesmo.
Ledo engano. Desci um pouco e a moto cada vez pior. Parei no posto, braço exausto de tanto tranco, corpo idem, mente idem. Um cara olhou e disse que era a boia que havia furado. – “Pode tocar assim mesmo, não dá nada”.
Fui. Moto boa. Estava rodando, mas durou só 2km e começou a falhar de novo. Ué.

Medo. NINGUÉM na rua, eu isolado no meio do nada, escuro (mas com um luar bonito!), sem carros passando. Só pensava: Se eu ficar por aqui tenho que dormir no acostamento mesmo....

Pode ficar pior? Pode.... Neblina.

Faltando ainda 150km para chegar em Blumenau, isso já pra mais de 22h, parei no posto de novo, outro cara olhou e viu que o cabo que liga na vela estava saindo faísca por cima. Só botar uma fita isolante que resolve. Falei que era mesmo, pois fui mexer ali durante a viagem, pensando ser isso, e tomei um choque.
Quem disse que temos fita isolante às 10 da noite? Botamos fita adesiva mesmo, resolveu em partes. Vai no outro posto que tem. Fui. Moto igual cabrito. Devia ter aceitado o mini-pônei com a charrete, era menos cansaço.
No outro posto nada de fita, e no outro nada também. Cansado de descer da moto, tirar capacete, balaclava, luvas...
Andei. Faltavam 100km. Parei num posto da Polícia Rodoviária Federal, pedi fita isolante. Ela tinha, aleluia!

Tirei a fita plástica, botei fita isolante, agradeci e bora.

Só que não melhorou muito não. A moto, em giro normal, falhava. Em giro alto, ia. Lá fui eu, rodando em quinta marcha e giro lá em cima (são 6 marchas). Comecei a descer a outra serra. Um loco descendo a serra, atrás de caminhões (agora já tinha movimento nessa área de SC) e com o giro lá em cima, moto pipocando.

Faltavam 30km. Não aguentava mais. Muito cansado. Arrependimento. Frio. Vontade de chorar, medo. Já estava gritando e cantando para afastar o sono e a moleza. Eu, que não sei nenhuma música de cor, e sempre pensando na Gaby, que estava a par de tudo pelo Whatsapp (onde pegava) e Miguelzinho, acabei lembrando de umas das únicas músicas que sei de cor – “a porta do ônibus abre e fecha, abre e fecha, abre e fecha, peeeeela cidade”, by Peppa. E ficava pensando no Miguel enquanto ficava aos trancos em cima da moto. Gaby já tinha falado pra família não desligar o celular pois, de repente, precisaria de ajuda. Todos apreensivos.

Quando passo por um trevo em Timbó, dois caras em duas motos olham para mim no sentido contrário, na rua lateral. Ué, 23h40, andando de moto passeando? Olhei para trás e vi uma moto. Aí lascou.

Bom, como a CB só andava em giro alto, bora girar. Passei o caminhão que ia na minha frente (ele sabia os pardais e eu tinha uma luz melhor que a da minha moto pra ser guiado, por isso andei dezenas de quilômetros atrás dele) e toquei como um cachorro louco, olhando pra frente e para trás ao mesmo tempo. Moto falhando, pipocando, trancando, meio sem luz, mas eu de punho colado, azar. Era trecho conhecido, sabia onde tinha buraco e onde não tinha. Não vi mais a moto.

Cheguei em casa às 00h20. Agradeci a Deus pela viagem, pois mesmo com tanto imprevisto, senti a presença d´Ele comigo. Não peguei chuva, nenhuma gota sequer. Resolvi todos os problemas. Cheguei em casa bem, muito cansado, muito feliz e triste ao mesmo tempo afinal... o espaço do Dodge na garagem estava vazio. Ele se foi, depois de tanto tempo, tanta discussão na família, tantas decisões, tantos planos, mas tudo tem um fim.

Olho para a CB na garagem, não há memórias, não há lembranças de pessoas, não tem história (pelo menos comigo). Que bom! Vou precisar construir tudo isso!

Foram 1012km rodados, entre idas e vindas, mais as voltas na cidade.

Vou levar a CB na revisão e consertar os probleminhas. E bora rodar! (e dar uma olhada nos classificados, para ver se não tem alguém disposto a trocar um Dodge numa CB450!)

Ab, Gustavo Allende
Editado pela última vez por Allende em 28 Mar 2016, 12:33, em um total de 1 vez.
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Russo
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Re: 1800 dividido por 4 dá 450!

Mensagem por Russo »

Ae Kamerad Allende...

Parabéns! Acredite, saiu no lucro trocando o Polara pela CB 450 91 DX, Luxury Edition.

Eu tive uma dessas, desse mesmo ano, que acabei trocando pela Savage do Pharopha.
E tive tambem a CB400 82 CR, com a qual rodei de 2004 até 2015.

Acredite, bem cuidadas essas motocas vão longe!
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Marcus DT escreveu: No final, muito antes da moto, é isso que fica: a camaradagem.
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Marcus DT
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Re: 1800 dividido por 4 dá 450!

Mensagem por Marcus DT »

Por foto a motoca está fantástica, lindíssima, parabéns ;-) !

Todas as motos que tive até hoje (exceto a CRF230, única que tirei 0km) eu viajei para buscar (de 200 a 1200 kms) e, tirando as de trilha, todas eu montei em cima e voltei rodando, graças a Deus, em segurança. Aliás, acho um tesão comprar longe e voltar rodando! Mas tem que rolar uma camaradagem de quem está vendendo, se o cara diz que a moto aguenta a viagem, eu confio na palavra.

A CBzona parece que está zero, mas pelo visto devia estar parada há muito tempo (pelos problemas). Montar em uma moto carburada, que tem mais de 20 anos e está parada (ou com uso-padaria) e pegar estrada é puxado, tem que fazer uma revisão geral antes. Leve em um mecânico de confiança - e que gosta de mexer com moto antiga - e dê uma geralzona... isso é moto para mais 20 anos se cuidar bem. E se for vendê-la, anuncie no M@D... curto essas "velharias", faria uma bela dupla ao lado da XTzona ;-) !
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Allende
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Re: 1800 dividido por 4 dá 450!

Mensagem por Allende »

opa, vlw prezados! :wsh:

Realmente foi uma loucura. A moto é restaurada/reformada. Na minha cabeça estava voltando de moto 0km pra casa (o cara me disse tudo que fez e tal), mas só no meio da viagem (de ida) é que me dei conta que é uma moto velha mesmo e que poderia dar problema.

Enfim, deu né? kkkk

No mais, a motoca é show. Tem coisa nova, tem coisa paralela, tem coisa original. As mudanças são exatamente as mesmas que eu faria, se ela estivesse comigo, exceto o retrovisor, que é de cb400, esses vão pro espaço logo mais. O escapamento parece meio vagabundo, mas vai ficar esse mesmo.

Banco bonito, mesmo que não é brilhante como o original, gosto mais desse que está nela agora. Pneus são mais altos, ficou bonito e confortável.

O que eu faria seria tirar os cromados e fazer uns polidos. Será que vale? As peças cromadas são originais e apresentam sinais do tempo em alguns lugares.

Hoje a tarde vou providenciar o item fundamental e de extrema importância:

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:lol: :lol:

Ab
100 - 250 - 750 - 400 - 500 - 250 - 400 - 250 - 600 - 660 - 250 - 110 - 450 - 150 - 500 - 250 - 500 - 160 - 650 - 160 - 250
Leandro
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Re: 1800 dividido por 4 dá 450!

Mensagem por Leandro »

:wsh: :wsh:

Parabéns Pastor, baita moto, baita AVENTURA, baita relato (coisa rara por aqui nos últimos tempos).

O Doginho eu já te falei: melhor saber que ele está com alguém que vai cuidar muito bem dele do que ficar vendo ele apodrecer por não ter condições de cuidar dele como deveria.
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Allende
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Re: 1800 dividido por 4 dá 450!

Mensagem por Allende »

Leandro escreveu:
O Doginho eu já te falei: melhor saber que ele está com alguém que vai cuidar muito bem dele do que ficar vendo ele apodrecer por não ter condições de cuidar dele como deveria.


:wsh:

Não vai cuidar. Meteu um cacete desgraçado no carro enquanto íamos no cartório. Já botou pra anunciar por 3k a mais do que ele levou. O cara tem uma oficina em casa, vai arrumar os podres, ajeitar e passar pra frente (assim como fez com a CB, foi ele quem reformou)

Entremente, não me apego. Se não é meu mais, foda-se. Tenho/tinha um sentimentalismo pelo carro, mas não sofro de luto pela perda. Que faça o que bem entender.
100 - 250 - 750 - 400 - 500 - 250 - 400 - 250 - 600 - 660 - 250 - 110 - 450 - 150 - 500 - 250 - 500 - 160 - 650 - 160 - 250
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Narizudo
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Re: 1800 dividido por 4 dá 450!

Mensagem por Narizudo »

A CB que tu postou no tópico de raridades a venda.
Que belo relato, consegui sentir suas emoções, viagem para marcar sua vida, rende muita história.
Parabéns pela motoca e vai postando as manutenções dela aqui. Quero saber o conserto dos problemas.
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Marcus DT
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Re: 1800 dividido por 4 dá 450!

Mensagem por Marcus DT »

Allende, antes de sair mexendo na estética, tente primeiro deixar a mecânica 100% confiável. Depois, aí sim, deixe a seu gosto (esteticamente).

Eu tenho 10 pés atrás com moto restaurada/reformada, principalmente se tiver mais do que uns 2 donos anteriores. Prefiro pegar uma motoca mais "desgastada" mas que tenha 1 ou 2 donos - de preferência há mais de 10 anos com o último - pois a chance de ter gambiarra é menor. Não gosto de comprar moto de dono trocador, ainda mais desses que pegam para revender... tô fora. Sugiro dar uma geral na moto, a chance dele ter escondido as cagadas para passar para frente é enorme. Leve para quem conhece CB450 e peça para ser detalhista, se for a sua intenção ficar com a moto por vários anos e usar para viajar.
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Betao Atibaia
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Re: 1800 dividido por 4 dá 450!

Mensagem por Betao Atibaia »

CBzona sempre me fez a cabeça, como eu gosto dessas motos até hoje
Se tivesse um jeito de ter uma, teria sem dúvida. Curto muito, ainda mais essas DX.
Parabens pela motoca
Betão Atibaia
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Saurus
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Re: 1800 dividido por 4 dá 450!

Mensagem por Saurus »

Cara, lamento meter esse meu pitaco, mas, não sei se você sabe, o carburador das CB400/450 costumam apresentar uma folga no eixo da borboleta do venturi. Se for isso, se agarre à sua bíblia e ore fervorosamente ao senhor para ele consertar essa bagaça.

Em 2004, graças ao meu saudosismo de merda (filho da puta mesmo), comprei uma CB450 que, esteticamente, estava linda, filé, um show, parecia zero km. Quando peguei a moto ela dava uns pipocos, engasgos, espirros, tossidas, peidos.... seja lá como você queira chamar, mas o fato é que era quase impossível guiar a moto. Probleminha de merda, talvez estilete sambado, uma boia fora da altura certa, combustível adulterado, vela e/ou cabo ruim, filtro de ar pedido arrego... nada demais, pensei.

Levei ela para a revisão num cara especializado em CB400 e 450. Resultado: as pinças de freio tinham tanta sujeira e terra que detonou a pista do pistonetes, lixo, só nova. Carburador tinha folga no eixo das borboletas e não adiantava embuchar a sede dos eixos, tinha que trocar tudo (inclusive o carburador). A elétrica começou queimando uma lâmpada de pisca e foi queimando uma coisinha aqui, outra acolá.... o chicote estava um cocô, tinha mais remendo que nossa constituição. e nossa lei tributária.

Bengalas... novas. Havia vazamento por causa de risco nas duas.

Phutttamherddda!!!!! - Pensei - Essa moto tá toda fudida, uma ratoeira bonita, mas é uma ratoeira. Voltei para o antigo dono e desfiz o negócio.

Voltei a andar de Twister (CBX250) 2004. Menor cilindrada e menos potência e torque, mas muuuuuuiiiito mais moto que a CB450 no seu conjunto, muito mais estável, freios muito melhores, muito melhor em curvas....

Foi então que me convenci que o tempo das CB400/450 já havia passado. Elas eram excelentes.... no tempo delas. Hoje, é muito boa.... para ficar num museu, apreciar a de um colecionador ou algo assim. Pra mim, não quero mais, muito obrigado.
Nihil ego fecit. Sic erat cvm ego ad hic.
Ad corniger omnes poena parva est.
Timet farcimen canis icti per serpens.
Non posse avxilivm pertvrbare. Ad participandvm svmmvm est.
Nvllo desiderio qvi pictis zebra mirari reliqvvm tinxere.
Melivs est qvam contendere cooperandi
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Re: 1800 dividido por 4 dá 450!

Mensagem por Rauber »

Desapegou...
Parabéns!!

saudações
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ALUANI
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Re: 1800 dividido por 4 dá 450!

Mensagem por ALUANI »

trem velho tem disso, e acredite, se começar a rodar demais será um câncer na certa..arruma aqui, estraga ali.
parabéns pela motoca e felicidades.
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Allende
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Re: 1800 dividido por 4 dá 450!

Mensagem por Allende »

Era a CB da raridades sim, já estava negociada, queria ver se alguém falava algo :-D

Vou fazer a mecânica primeiro. O cara é picareta de carros sim, mas me deu uma boa impressão (igual traficante? são todos boa pinta kkkk). Poderia botar pneus mais baratos, poderia pintar mais meia boca, poderia não arrumar um monte de coisa.... Enfim, ou fui bem fisgado. Só pagando pra ver. :-( Minha lógica é que preciso de uma encrenca pra me incomodar, só a mulher não basta. Mas o Dodge não aguentava, o custo era alto. Coisas pequenas na CB eu encaro de boa. Como tá retinha, como a pintura ta boa, rodas e tal, um pouco de sarna eu encaro, até apertar o foda-se de novo né?

sauros, caceta, parece que ta falando da minha kkkk. Mas é a vela sim. Quando cutuco com o pé ali (e levo choque), ela funciona redondo. Na primeira andada, no segundo tanque onde rodei 179km, ela fez 20.8 km/l. Está boa sim, mas já vou ver essa do carburador, não sabia. Freios, de fato, o traseiro é só estética. :md: Quanto ao resto não concordo muito, mas é o uso né? Não vou usar no dia a dia, não vou viajar, é só pra passear por aqui.

Aliás, não sei nada dessa moto. Conheço um cado de cbx750, e sabia resolver quase todos os problemas do dodge: cada sintoma eu sabia dizer o que era e arrumava. Espero conseguir o mesmo com a 450. Veremos. Ou não kkkkk

Rauber, uma hora o cara cria coragem. Já me emputeci, ficou 2 anos largado, já chorei de amores, já prometi ser fiel, e o treco me gastava uma grana federal. Foi-se.
100 - 250 - 750 - 400 - 500 - 250 - 400 - 250 - 600 - 660 - 250 - 110 - 450 - 150 - 500 - 250 - 500 - 160 - 650 - 160 - 250
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Lelo
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Re: 1800 dividido por 4 dá 450!

Mensagem por Lelo »

Relato top!

Muitos kms com a motoca, tomara que não seja nada mais grave.
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Kuati
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Re: 1800 dividido por 4 dá 450!

Mensagem por Kuati »

Parabéns!!
Se sacava tudo de ouvido de 7Gala a CB450 vai ser fichinha de fácil.

[ ]'s
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wcarlete
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Re: 1800 dividido por 4 dá 450!

Mensagem por wcarlete »

A tempos não lia um relato tão bom assim, ia imaginando a cena acontecendo.

Boa sorte com a CB
Saudades: Biz 100 - CG 125 - CG150 Sport - Twister - ER-6 10/10 :(

Hoje: YBR 06/06
Joel
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Re: 1800 dividido por 4 dá 450!

Mensagem por Joel »

Allende, legal cara, tirando o lado do apego por conta do teu avô, com certeza vais usar melhor a Cb que o Dodge.
Cuida bem dela que teras só alegria.
Agora ta bem, de Ronda ;-)
Tudo que me desejares, que recebas em dobro...
O homem só envelhece quando os lamentos substituem seus sonhos. Provérbio chinês
http://eDeMoto.blogspot.com
Ulisses Barros
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Re: 1800 dividido por 4 dá 450!

Mensagem por Ulisses Barros »

Parabens pela moto e pelo relato, boa sorte com a CB.
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JPaulo
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Re: 1800 dividido por 4 dá 450!

Mensagem por JPaulo »

Aê, parabéns!!!!

A CBzona já entrou na tua vida com história pra contar, aproveite bem ;-)

Abs,
RD350R - Nunca serão!!!
Helder.soares
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Re: 1800 dividido por 4 dá 450!

Mensagem por Helder.soares »

Cara.. Se falasse que queria uma moto, te ofereceria a fazerzinha que tenho.. Muito mais moto que a cb e vc poderia andar sem preocupações com quebra...
Sabe que sou sincero.. Tu fez merda nesse negocio...
Mas ta feito, ne?? Bola pra frente e bora consertar a cebosa
"É fazendo merdas que adubamos a história de nossa existência"
já fui jaspion, já fui kamikaze...hoje me considero um sobrevivente!
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