Transamazônica 2013 - Chegadeira

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darko
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Re: Transamazônica 2013 - Subversão a Bordo

Mensagem por darko »

;-) animal!
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Medeiros Neto
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Re: Transamazônica 2013 - Subversão a Bordo

Mensagem por Medeiros Neto »

Luiz Almeida escreveu:Valeu Piccoli!

Um dia o novo livro sai. hehehehehe

Aquele Abraço!


A vontade eu sei que tem, escritor você é de sobra, causos e estórias tem aos montes, o que tá atrapalhando deve ser burocracia com editoras, custo de fazer mais um livro...

Mas na torcida para o próximo livro com certeza.
Abraços Gente Boa !!! :beer:


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Luiz Almeida
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Re: Transamazônica 2013 - Subversão a Bordo

Mensagem por Luiz Almeida »

Por aí, Medeiros. Achei o custo muito alto. Isso porque planejo não colocar fotografia nenhuma no livro. Fotos coloridas dobram o custo.

Mas estou aos poucos juntando e selecionando textos.

Farei uma edição pequena, com cerca de 300 exemplares apenas.
Luiz Almeida
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Augusto Intruder
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Re: Transamazônica 2013 - Subversão a Bordo

Mensagem por Augusto Intruder »

Show...muito bom, realmente merecia um livro somente para a viagem. Luiz porque você não esquece as editoras e faz o livro digital. Assim, você ganha tempo, distribui sozinho pra quem quiser e ainda pode incluir as fotos, tudo com custo zero.

No mais, ontem vi um filme excelente sobre uma viagem de moto, achei sensacional a viagem, no estilo da viagem do Luiz, mas na Índia. Vai a dica para qualquer motociclista que sabe o que é uma viagem de moto, as escolhas que temos que fazer, os medos que temos que enfrentar, o contato com a natureza e o autoconhecimento. O nome é do filme é The Highest Pass, e segue o link
http://www.thehighestpass.com

Abraços, Augusto
MarceloW
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Re: Transamazônica 2013 - Subversão a Bordo

Mensagem por MarceloW »

Luiz Almeida escreveu:Por aí, Medeiros. Achei o custo muito alto. Isso porque planejo não colocar fotografia nenhuma no livro. Fotos coloridas dobram o custo.

Mas estou aos poucos juntando e selecionando textos.

Farei uma edição pequena, com cerca de 300 exemplares apenas.


Conheço nada do assunto, mas, tratando-se dos preços absurdos que se cobra aqui no .br por tudo, não tem algum esquema de mandar os arquivos e fazer a impressão no exterior?
Dando uma olhada rápida no google, já veio isso aqui: http://is.gd/RRierh
Marcelo W- São Paulo - Capital - Morumbi
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Tex0722
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Re: Transamazônica 2013 - Subversão a Bordo

Mensagem por Tex0722 »

Augusto Intruder escreveu:Show...muito bom, realmente merecia um livro somente para a viagem. Luiz porque você não esquece as editoras e faz o livro digital. Assim, você ganha tempo, distribui sozinho pra quem quiser e ainda pode incluir as fotos, tudo com custo zero.

No mais, ontem vi um filme excelente sobre uma viagem de moto, achei sensacional a viagem, no estilo da viagem do Luiz, mas na Índia. Vai a dica para qualquer motociclista que sabe o que é uma viagem de moto, as escolhas que temos que fazer, os medos que temos que enfrentar, o contato com a natureza e o autoconhecimento. O nome é do filme é The Highest Pass, e segue o link
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Abraços, Augusto


Bah.!! Gostei da ideia do Augusto...
Caso contrário, dos 300, hum é meu..

Um abraço, Amigão..
Tex, Rov Pilot.
Luiz Almeida
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Re: Transamazônica 2013 - Subversão a Bordo

Mensagem por Luiz Almeida »

Sou das antigas.... vai ser no papel. hehehehehehe

Boa Noite!!!
Luiz Almeida
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Re: Transamazônica 2013 - Subversão a Bordo

Mensagem por Luiz Almeida »

Belém

A quarta feira foi um dia cheio em Belém. Depois do café no hotel, montamos nas motos e fomos ao Mercado do Ver-o-peso, com suas cores cheiros, tucupis, pimentas e óleo da bôta. Visitamos o Mercado de Carnes, um tanto vazio de gente, mas com bela estrutura antiga totalmente reconstruída. Num calor da peste comemos delicioso Tacacá em carrocinha de rua. Encontramos Alex Reis velho amigo motociclista. Visitamos o Mangal da Garças, onde se cobra por qualquer olhadela, além de estacionamento para moto igual ao de carro, mas com espetacular buffet para o almoço.

Ao final do dia visitamos a Academia de Karatê do Machida, pai de campeão mundial de MMA. Assistimos a uma aula do grande Sensei e, ao final, fomos muito bem recepcionados pelo famoso mestre, um dos grandes do karatê no Brasil.

À noite fomos à Estação das Docas, lugar muito bacana e bem frequentado. E caro também! Só não gostei da cerveja artesanal feita por lá. Na tentativa de inovar e regionalizar a sagrada bebida, estão fazendo cervejas com um forte sabor que mais me lembra casca de árvores. Era um pouco tarde para nós que viajaríamos dia seguinte quando o Lorim, cearense que conhecemos na viagem de navio, chegou com familiares no Portal. Ficamos mais um pouco, assistimos o belo Carimbó da Vitória Régia, tomamos umas saideiras e tivemos que nos despedir dos amigos quando já passava das onze da noite.
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KSA
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Re: Transamazônica 2013 - Belém

Mensagem por KSA »

Lembrei da primeira vez que tomei o refrigerante do Maranhão, o guaraná Jesus.
Pensei, "marrapais! um sabor de castanhola com framboesa... Diabéisso!!!! "
Kkkkkkk

Enviado via pombo correio.

Ex.....: YBR 125 ED (*)2002 - (†)2004
Ex.....: XTZ 125.....(*)2004 - (†)2005
Ex.....: XT 225.......(*)2005 - (†)2006
Ex.....: Fazer 250...(*) 2006 - (†)2015
Ex.....: CB500X ABS..(*) 2015 - (†)2018


PCX 150 (*) 2019
KSA escreveu: Relação Transponder (aquela que é tão barulhenta que avisa a aproximação)
Luiz Almeida
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Re: Transamazônica 2013 - Belém

Mensagem por Luiz Almeida »

No carimbó da Vitória Régia, a flor era uma moça belíssima (ou será que era porque eu estava a tanto tempo fora de casa?), cuja longa saia simbolizava a parte verde da planta e tinha as extremidades sustentadas por outros dançarinos. Ao final da apresentação esta saia desaparecia como por encanto, mostrando as lindas pernas da flor.
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Re: Transamazônica 2013 - Belém

Mensagem por Luiz Almeida »

Esqueci de dizer: o povo de Belém, no geral, me pareceu muito mais simpático do que as pessoas que encontrei em Manaus. E a mistura de índio com europeu resultou numa bela mistura para as mulheres.
Luiz Almeida
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Castelo
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Re: Transamazônica 2013 - Belém

Mensagem por Castelo »

Fotos de belém só dá maquininha, Luiz?
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Re: Transamazônica 2013 - Belém

Mensagem por Luiz Almeida »

Castelo escreveu:Fotos de belém só dá maquininha, Luiz?


Cidade grande... mas vou caçar!

Desde o domingo no barco a Nikon não mais funcionou.
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Re: Transamazônica 2013 - Belém

Mensagem por Castelo »

Pois é, pena q perdemos muito da beleza dessas cabocas....
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Re: Transamazônica 2013 - Belém

Mensagem por Luiz Almeida »

Castelo escreveu:Pois é, pena q perdemos muito da beleza dessas cabocas....


Verdade. A menina da vitória régia era uma morena gostossíssima! Fotografei, mas à noite com a máquina perebinha, não prestou.
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Re: Transamazônica 2013 - Belém

Mensagem por Luiz Almeida »

Mais fotos para ilustrar a navegação:

É água muita prum cearense!
Imagem

A tripulante do dono do navio
Imagem

Imagem

Redódromo
Imagem

Churrasco de peixe
Imagem

Piloto e cozinheiro
Imagem

Cozinha
Imagem

Casa de máquinas
Imagem

Canoa
Imagem

Josivaldo, o limpador dos banheiros
Imagem

Inté
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diegonunes
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Re: Transamazônica 2013 - Belém

Mensagem por diegonunes »

O dono do navio tem bom gosto, rs.

Rapaz o Josivaldo é feim, mas a foto ficou arretada.
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Re: Transamazônica 2013 - Belém

Mensagem por Luiz Almeida »

diegonunes escreveu:O dono do navio tem bom gosto, rs.

Rapaz o Josivaldo é feim, mas a foto ficou arretada.


Hehehehe

Josivaldo é gente boa Ganhou umas roupas minhas. Era a segunda viagem dele e já iam largar o cara em um cais qualquer.
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Re: Transamazônica 2013 - Belém

Mensagem por Luiz Almeida »

Notaram a arma na mão do cabra de vermelho?
Imagem

Não era incomum ver pessoas armadas fora das cidades.

Este, na 319, andava com mais dois cachorros. Caça, não, onça!
Imagem

Também vi gente de moto com espingarda na bandoleira.
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Re: Transamazônica 2013 - Belém

Mensagem por Luiz Almeida »

Acho que terminamos a parte mais, digamos, pitoresca da viagem. No entanto, como a gente voltou para casa rodando. Masmo em estradas comuns, sempre se tem algo para contar.


De Volta ao Nordeste

Saímos cedo de Belém, por volta das 07:30. Mesmo assim encontramos um trânsito travado em muitos quilômetros da BR316. Abastecemos as motos na saída da cidade (24,66km/l). Acho que somente depois de uns 20km podemos voltar a sentir o gostinho de estrada, pista dupla até Castanhal, que estava em falta a seis dias, desde a chegada em Manaus.

Estrada boa, movimento mediano. As Tenerinhas com seus 95/110km/h tornavam a estrada monótona. Procurei fugir da sonolência cantarolando as poucas músicas que lembro as letras – rolou muito Os Seus Botões, do Roberto Carlos. Vai que era saudade da namorada!

Após 160km rodando, paramos em Capanema, para água, café e gasolina. Minha tenerinha fez 25,31km/l. Uma coisa que rompia brutalmente a monotonia da estrada era ser ultrapassado por treminhões: você esgoelando a motinha lá pelos 120km por hora e aquela massa de ferro de passando!

Mais uma ruma de quilômetros, mais uma ruma de lombadas a cada aglomerado de casas, e entramos no Maranhão ao atravessar a ponte sobre o Rio Gurupi. Fizemos nova parada para espichar o esqueleto, água, pipi, café, cigarro, bate-papo e gasolina em Maracaçumé. 24,96km/l.

"Chovia lá fora e a capa pendurada, assistia tudo, não dizia nada. E aquela blusa que você usava, num canto qualquer, tranquila esperava..." Com o arremedo de Roberto Carlos troando dentro do capacete fomos bebendo quilômetros de estrada mal sinalizada, poucas curvas e muitos campos de pasto nas laterais. Rodamos sem parar por mais de duas horas até que, após 220km de chão chegamos em Santa Inês. Em um posto BR com ótimo atendimento abastecemos as motos e combatemos o calor e a fome com picolé, coca-cola e pastel. O consumo da Tenerinha na tocada na faixa dos 7 mil giros mantinha-se estável em 25,04km/l.

Chegamos a Bacabal, onde prevíamos passar a noite, por volta das quatro horas da tarde. Cedo para parar. Enchendo a carcaça de água, procuramos nos informar sobre hospedagem não muito à frente e as informações não foram consistentes. A não ser para Caxias, 300km adiante, um pouco longe para o horário.
- Certamente rodaremos à noite, topa? Perguntei ao Marcelo. Ele topou.

Começou o lusco-fusco, entrou a noite e nós na estrada. A guerrilha dos faróis fez com que a monotonia do dia ficasse para trás. O problema era que a moto do Marcelão estava com o farol desregulado, com o facho da luz baixa voltado para o alto, ou seja, ofuscava em qualquer posição. Se ele ficava na minha frente, os que vinham em sentido contrário nos metralhavam com dezenas de ofuscantes luzes. Se ficava atrás queimava meus olhos pelos retrovisores. Fizemos uma pausa para café e tentamos ajustar o farol da tenerinha vesga. Marcelo, como sempre, tinha a ferramenta ao alcance da mão. O problema era que o comprimento da chave philips, ou estrela, não permitia o ajuste. Vamos embora assim mesmo!

Era perto de oito da noite quando chegamos no hotel que nos indicaram em Caxias, o hotel Padre Cícero, na beira da estrada, bacana, bem arrumado e com garagem fechada. Rodamos quase 300km desde Bacabal e totalizamos a pernada do dia em 840km. Uma jornada e tanto com moto de 250cc.

Marcelo, o negociador oficial foi falar com o recepcionista do hotel e conseguiu um bom desconto. Dessa vez, além da lábia, Josué, o recepcionista, que é guitarrista em banda de rock, notou imediatamente o “Iron Maiden” inscrito na fita de pendurar a chave da moto que o Marcelo levava no pescoço. Fizemos boa refeição no restaurante ao lado do hotel e fomos descansar. Teresina estava logo ali, a 75km. Estávamos com gás para ir, mas entrar em cidade grande no meio da noite é estressante demais.

Café da manhã tomado, motos carregadas, fomos abastecer. Minha moto fez 26,30km/l no trecho Santa Inês/Caxias. Acabou o óleo para as correntes. Comprei 1 litro de óleo SAE 120, fiz um pequeno furo no lacre da embalagem e melecamos as correntes antes de entrarmos na estrada.

Começamos a jornada enfrentando um movimento nervoso na rodovia. Um velho conduzindo imprudentemente uma camionete, alguns carros e pequenos caminhões apressados e um imbecil em sentido contrário que, numa lombada quis ultrapassar me tirando da estrada. Sinalizei com o farol, gesticulei e nada. Afastei a moto para o canto, claro, mas sem deixar de tentar quebrar o retrovisor do carro do corno com um “morote-zuki”, murro de cima para baixo, que lamentavelmente terminou por pegar na porta do carro. Marcelo também partiu para a briga naquela manhã, com um ciclísta. Porém, como somos da paz, não matamos ninguém.

Atravessamos um trecho feio, barulhento, confuso e sujo de Timon e, cruzando a ponte sobre o Rio Parnaíba, entramos no Piauí, em sua capítal Teresina. Contornamos Teresina através de um bem sinalizado anel viário que passa por uma região de chácaras e fazendolas. Todo aquele movimento deve ter tirado o sossego de quem tem sítios para finais de semana na região.

Havia semáforos e muito movimento nas ruas das cidades em volta de Teresina. Ao cruzar um desses aglomerados perdi de vista o Marcelão, que ia apressado na frente. Rodei uns 80km sem vê-lo. Passei por Campo Maior vendo aquela suculentas mantas de cabrito expostas à venda sem caber na minha bagagem e nada do parceiro. A vontade de fazer um xixi aumentou e resolvi parar assim mesmo. Só vim reencontrar o cabra uns 50km adiante, em Capitão de Campos, onde abastecemos (25,77km/l). A proximidade e o cheiro de casa faz com que o peso da mão direita aumente.

O calor piauiense é forte. Diferente do calor amazônico, pesadão e úmido, mas é calor do mesmo jeito e dentro das nossas jaquetas funcionava uma sauna.

28km após Capitão de Campos, pertinho de Piripiri, saímos da BR 343 e entrando à direita numa estrada estadual e 48km depois chegamos em Pedro II, cidade piauiense de clima ameno, temperatura entre 16 e 30°, localizada na Serra dos Matões, com altitude de 603m e população em torno de 40 mil habitantes. A extração e lapidação da opala com a respectiva fabricação de joias é a principal atividade econômica da cidade. Tem um povo muito simpático e muitas belezas naturais. Marcelo sugeriu uma pousada com piscina.

Paramos para perguntar e uma moça bonita, com uma cicatriz no belo rosto, indicou a Pousada Rústica. Como a moça estava estava sobre uma motocicleta, perguntei se a indiscreta cicatriz teria sido causada por acidente de moto, e se faltou capacete para proteger. Foi acidente com moto, ela confirmou, e que estava sem o capacete, sim, porém ela estava a pé quando foi atropelada por uma motocicleta...

Na Pousada Rústica fomos recebidos pelo Áureo, dono do lugar com a esposa Marilene. Ficamos cada um em seu apartamento, rústicos, porém confortáveis, limpos e acolhedores. Diária de R$30,00 por pessoa! Antes mesmo de desarrumar toda a bagagem, e como passava um pouco das 11 horas, vesti uma sunga e fui para a piscina reidratar a carcaça com cervas geladíssimas. Engraçado, Marcelo queria uma pousada com piscina, mas não me lembro dele dentro d’água...

Descansados, saímos para almoçar e conhecer o mercado de joias de opala, para presentearmos nossas mulheres. Marcelo inventou de cortar o cabelo num salão que não aceitava marmanjos, só mulheres. O cabra insistiu mas mandaram ele ir aparar a pelagem num tal de Xuxa. Só o que faltava, cortar cabelo com baitola, pensei. Num é que o tal Xuxa não tinha nada de viado? Era bicho bruto mesmo. Aproveitei e mandei passar a máquina nos cabelos que teimam em brotar em torno das minhas orelhas.


Fomos às compras. De loja em loja de artesão em artesão pesquisamos produtos e preços. As joias com opalas eram mais caras do que imaginavamos. Mesmo assim fizemos boas compras e creio que agradamos as destinatárias.

Jantamos pizza nas proximidades e, depois de uma ótima noite de descanso, tomamos café da manhã com os proprietários – éramos os únicos hóspedes – e cuidamos das motos e das bagagens para o último dia de viagem. Prometendo retornar um dia, nos despedimos do casal e fomos para a estrada. Resolvemos fazer um caminho alternativo onde se entra no Ceará pelo município de Poranga.

Inté
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