Transamazônica 2013 - Chegadeira

Grupo de discussão geral sobre motos.
Avatar do usuário
Lordphoenix
Roda Presa
Mensagens: 649
Registrado em: 26 Dez 2007, 19:26
Localização: Baraúna-RN

Re: Transamazônica 2013 - Rodeio e Parapente em Apuí

Mensagem por Lordphoenix »

Amigo Luiz, lhe faço uma pergunta não sei se muito simples mas... Você acha que pra uma aventura desse tipo se faz necessário utilizar uma motocicleta melhor do que uma Tenerezinha dessas ou elas se mostraram suficientes? Sei lá, às vezes me passa pela cabeça um dia fazer Baraúna-Machu Picchu-Ushuaia-Baraúna... Mas eu fico achando que pra uma empreitada dessas o ideal seria uma máquina de 600cc pra cima. O que você acha disso, já que você também tem uma monstra de 1.200cc tida como ícone das aventureiras? De repente com uma Tenerezinha o custo de uma aventura dessas seria bem menor...

E continuo acompanhando sua narrativa como se estivesse na estrada junto com vocês... SENSACIONAL!

Grande abraço.


É isso. ;-)
Prof. Jean Santiago, The Lordphoenix
banda [T+D+N] = TERRA DE NINGUÉM

MC RN-015, Estradeiros de Baraúna - Presidente
Honda NC 750X = Pérola Vitória
Yamaha XTZ 125X = Bianca Fox

Eu viajo não apenas para estar LÁ, faço-o também pelo prazer de IR e VOLTAR.

M@D/ForumNow = desde 04/02/2005
Luiz Almeida
Mito
Mensagens: 11018
Registrado em: 26 Dez 2007, 11:16
Localização: Fortaleza - Ceará

Re: Transamazônica 2013 - Rodeio e Parapente em Apuí

Mensagem por Luiz Almeida »

drsrg escreveu:Luiz, que joelheiras são estas?
(Marca/modelo)



Só poderei responder em casa. Olhando as peças.
Luiz Almeida
Fortaleza-Ce
R 1200 GS
DL 650 XT V-Strom
XTZ 250 Ténéré

http://www.historiasdemotocicleta.com.br

Bons tempos aqueles em que só andava de moto quem realmente gostava de motocicleta.
Luiz Almeida
Mito
Mensagens: 11018
Registrado em: 26 Dez 2007, 11:16
Localização: Fortaleza - Ceará

Re: Transamazônica 2013 - Rodeio e Parapente em Apuí

Mensagem por Luiz Almeida »

Lordphoenix escreveu:Amigo Luiz, lhe faço uma pergunta não sei se muito simples mas... Você acha que pra uma aventura desse tipo se faz necessário utilizar uma motocicleta melhor do que uma Tenerezinha dessas ou elas se mostraram suficientes? Sei lá, às vezes me passa pela cabeça um dia fazer Baraúna-Machu Picchu-Ushuaia-Baraúna... Mas eu fico achando que pra uma empreitada dessas o ideal seria uma máquina de 600cc pra cima. O que você acha disso, já que você também tem uma monstra de 1.200cc tida como ícone das aventureiras? De repente com uma Tenerezinha o custo de uma aventura dessas seria bem menor...

E continuo acompanhando sua narrativa como se estivesse na estrada junto com vocês... SENSACIONAL!

Grande abraço.


É isso. ;-)


Escolhemos a Tenerinha porque pelo menos metade da viagem seria fora do asfalto. Além da boa fama do motor, ainda podíamos contar com uma autonomia suficiente para quase todos os percursos programados.

Muita vezes, durante a viagem, comentei com o Marcelo (que também tem GS 1200): até aqui as GS viriam tranquilamente.

Fácil dizer isso depois de passado o trecho. Não sei se imprimiríamos maior velocidade, se o peso dificultaria alguma manobra, etc. Além do mais 20 litro a 15km/l rende menos que 16 litros a 28km/l. Ah, e a conta seria dolorosa em caso de queda...

Mas tem uma coisa, viajar longos percursos de estrada asfaltada com uma 250cc é um saco, uma monotonia danada e ainda por cima sendo ultrapassado por caminhões.

Bom, se tiver muito asfalto, vá com moto acima de 40hp, pelo menos. SE tiver muito off road, vale a pena sofrer no asfalto e curtir a trilha.

Muitas vezes, no meio da Amazônia, pensei se uma velha XT600 não seria a moto ideal para aquela viagem.

Espero ter ajudado. Ao longo do texto você perceberá o uso das motos.

Abração

P.S. A propósito, se fosse fazer viagem a Macchu Picchu iria tranquilamente na Kombi, sem dúvida.
Editado pela última vez por Luiz Almeida em 20 Nov 2013, 08:57, em um total de 1 vez.
Luiz Almeida
Fortaleza-Ce
R 1200 GS
DL 650 XT V-Strom
XTZ 250 Ténéré

http://www.historiasdemotocicleta.com.br

Bons tempos aqueles em que só andava de moto quem realmente gostava de motocicleta.
jsamuel
Dinossauro
Mensagens: 6497
Registrado em: 07 Out 2008, 18:23
Localização: Iguatu - Ceará

Re: Transamazônica 2013 - Rodeio e Parapente em Apuí

Mensagem por jsamuel »

Realmente uma 250 pra asfalto deve ser foda.. se numa moto maior a galera não respeita e só falta passar por cima de você, imagine numa menor.
R 1200 GS Adventure Rallye :-?
No Limit Brasil MG (SS Iguatu - Ceará)
Avatar do usuário
KSA
Motociclista
Mensagens: 1139
Registrado em: 08 Jan 2008, 13:08

Re: Transamazônica 2013 - Rodeio e Parapente em Apuí

Mensagem por KSA »

Luiz Almeida,

Uma vstrume ou uma versys encarariam esse percurso que foj feito pelas tenezinhas?

Enviado via pombo correio.

Ex.....: YBR 125 ED (*)2002 - (†)2004
Ex.....: XTZ 125.....(*)2004 - (†)2005
Ex.....: XT 225.......(*)2005 - (†)2006
Ex.....: Fazer 250...(*) 2006 - (†)2015
Ex.....: CB500X ABS..(*) 2015 - (†)2018


PCX 150 (*) 2019
KSA escreveu: Relação Transponder (aquela que é tão barulhenta que avisa a aproximação)
Luiz Almeida
Mito
Mensagens: 11018
Registrado em: 26 Dez 2007, 11:16
Localização: Fortaleza - Ceará

Re: Transamazônica 2013 - Rodeio e Parapente em Apuí

Mensagem por Luiz Almeida »

KSA escreveu:Luiz Almeida,

Uma vstrume ou uma versys encarariam esse percurso que foj feito pelas tenezinhas?

Enviado via pombo correio.


Uma DL 650 rodaria com muita dificuldade, principalmente na BR 319. Numa Versys seria loucura.

Nenhuma das duas seram boas para encarar valas, pedriscos e pontes precárias, piso escorregadio e tudo mais.

Como falei, outra moto que eu me imaginava era uma XT600.

A tranzamazônica é uma super trilha com todos os tipos de obstáculos. Além do mais, é extremamente mutante, um dia pode ser poeira de cegar no outro lamaçal sem fim.
Luiz Almeida
Fortaleza-Ce
R 1200 GS
DL 650 XT V-Strom
XTZ 250 Ténéré

http://www.historiasdemotocicleta.com.br

Bons tempos aqueles em que só andava de moto quem realmente gostava de motocicleta.
Avatar do usuário
Lordphoenix
Roda Presa
Mensagens: 649
Registrado em: 26 Dez 2007, 19:26
Localização: Baraúna-RN

Re: Transamazônica 2013 - Rodeio e Parapente em Apuí

Mensagem por Lordphoenix »

Luiz Almeida escreveu:
Lordphoenix escreveu:Amigo Luiz, lhe faço uma pergunta não sei se muito simples mas... Você acha que pra uma aventura desse tipo se faz necessário utilizar uma motocicleta melhor do que uma Tenerezinha dessas ou elas se mostraram suficientes? Sei lá, às vezes me passa pela cabeça um dia fazer Baraúna-Machu Picchu-Ushuaia-Baraúna... Mas eu fico achando que pra uma empreitada dessas o ideal seria uma máquina de 600cc pra cima. O que você acha disso, já que você também tem uma monstra de 1.200cc tida como ícone das aventureiras? De repente com uma Tenerezinha o custo de uma aventura dessas seria bem menor...

E continuo acompanhando sua narrativa como se estivesse na estrada junto com vocês... SENSACIONAL!

Grande abraço.


É isso. ;-)


Escolhemos a Tenerinha porque pelo menos metade da viagem seria fora do asfalto. Além da boa fama do motor, ainda podíamos contar com uma autonomia suficiente para quase todos os percursos programados.

Muita vezes, durante a viagem, comentei com o Marcelo (que também tem GS 1200): até aqui as GS viriam tranquilamente.

Fácil dizer isso depois de passado o trecho. Não sei se imprimiríamos maior velocidade, se o peso dificultaria alguma manobra, etc. Além do mais 20 litro a 15km/l rende menos que 16 litros a 28km/l. Ah, e a conta seria dolorosa em caso de queda...

Mas tem uma coisa, viajar longos percursos de estrada asfaltada com uma 250cc é um saco, uma monotonia danada e ainda por cima sendo ultrapassado por caminhões.

Bom, se tiver muito asfalto, vá com moto acima de 40hp, pelo menos. SE tiver muito off road, vale a pena sofrer no asfalto e curtir a trilha.

Muitas vezes, no meio da Amazônia, pensei se uma velha XT600 não seria a moto ideal para aquela viagem.

Espero ter ajudado. Ao longo do texto você perceberá o uso das motos.

Abração

P.S. A propósito, se fosse fazer viagem a Macchu Picchu iria tranquilamente na Kombi, sem dúvida.



Ou seja, Seu Luiz, apesar de todo o conjunto dessa pequena valente, tem horas que se faz necessário ter mais Motor! Sendo assim, é capaz de a moto ideal para esse tipo viagem ficar entre a XT 660 (ou Ténéré 660) e a BMW F 800 GS. Quer dizer, motos potentes, não excedentemente pesadas e com grande vocação pra off-road.

Na verdade, era isso que eu já pensava e sua experiência me reforçou essa ideia.

Valeu, amigo! No aguardo de mais um capítulo!



É isso. ;-)
Prof. Jean Santiago, The Lordphoenix
banda [T+D+N] = TERRA DE NINGUÉM

MC RN-015, Estradeiros de Baraúna - Presidente
Honda NC 750X = Pérola Vitória
Yamaha XTZ 125X = Bianca Fox

Eu viajo não apenas para estar LÁ, faço-o também pelo prazer de IR e VOLTAR.

M@D/ForumNow = desde 04/02/2005
Luiz Almeida
Mito
Mensagens: 11018
Registrado em: 26 Dez 2007, 11:16
Localização: Fortaleza - Ceará

Re: Transamazônica 2013 - Rodeio e Parapente em Apuí

Mensagem por Luiz Almeida »

Luiz Almeida escreveu:
drsrg escreveu:Luiz, que joelheiras são estas?
(Marca/modelo)



Só poderei responder em casa. Olhando as peças.


A marca é Polisport. Não há referência de modelo. Custou R$60,00.

Inté
Editado pela última vez por Luiz Almeida em 21 Nov 2013, 08:27, em um total de 2 vezes.
Luiz Almeida
Fortaleza-Ce
R 1200 GS
DL 650 XT V-Strom
XTZ 250 Ténéré

http://www.historiasdemotocicleta.com.br

Bons tempos aqueles em que só andava de moto quem realmente gostava de motocicleta.
Luiz Almeida
Mito
Mensagens: 11018
Registrado em: 26 Dez 2007, 11:16
Localização: Fortaleza - Ceará

Re: Transamazônica 2013 - Rodeio e Parapente em Apuí

Mensagem por Luiz Almeida »

Lordphoenix escreveu:
Luiz Almeida escreveu:
Lordphoenix escreveu:Amigo Luiz, lhe faço uma pergunta não sei se muito simples mas... Você acha que pra uma aventura desse tipo se faz necessário utilizar uma motocicleta melhor do que uma Tenerezinha dessas ou elas se mostraram suficientes? Sei lá, às vezes me passa pela cabeça um dia fazer Baraúna-Machu Picchu-Ushuaia-Baraúna... Mas eu fico achando que pra uma empreitada dessas o ideal seria uma máquina de 600cc pra cima. O que você acha disso, já que você também tem uma monstra de 1.200cc tida como ícone das aventureiras? De repente com uma Tenerezinha o custo de uma aventura dessas seria bem menor...

E continuo acompanhando sua narrativa como se estivesse na estrada junto com vocês... SENSACIONAL!

Grande abraço.


É isso. ;-)


Escolhemos a Tenerinha porque pelo menos metade da viagem seria fora do asfalto. Além da boa fama do motor, ainda podíamos contar com uma autonomia suficiente para quase todos os percursos programados.

Muita vezes, durante a viagem, comentei com o Marcelo (que também tem GS 1200): até aqui as GS viriam tranquilamente.

Fácil dizer isso depois de passado o trecho. Não sei se imprimiríamos maior velocidade, se o peso dificultaria alguma manobra, etc. Além do mais 20 litro a 15km/l rende menos que 16 litros a 28km/l. Ah, e a conta seria dolorosa em caso de queda...

Mas tem uma coisa, viajar longos percursos de estrada asfaltada com uma 250cc é um saco, uma monotonia danada e ainda por cima sendo ultrapassado por caminhões.

Bom, se tiver muito asfalto, vá com moto acima de 40hp, pelo menos. SE tiver muito off road, vale a pena sofrer no asfalto e curtir a trilha.

Muitas vezes, no meio da Amazônia, pensei se uma velha XT600 não seria a moto ideal para aquela viagem.

Espero ter ajudado. Ao longo do texto você perceberá o uso das motos.

Abração

P.S. A propósito, se fosse fazer viagem a Macchu Picchu iria tranquilamente na Kombi, sem dúvida.



Ou seja, Seu Luiz, apesar de todo o conjunto dessa pequena valente, tem horas que se faz necessário ter mais Motor! Sendo assim, é capaz de a moto ideal para esse tipo viagem ficar entre a XT 660 (ou Ténéré 660) e a BMW F 800 GS. Quer dizer, motos potentes, não excedentemente pesadas e com grande vocação pra off-road.

Na verdade, era isso que eu já pensava e sua experiência me reforçou essa ideia.

Valeu, amigo! No aguardo de mais um capítulo!



É isso. ;-)


Se eu tivesse que escolher moto maior, iria de Téneré 660, com pneus Karoo da Metzeller.

Abraço!
Luiz Almeida
Fortaleza-Ce
R 1200 GS
DL 650 XT V-Strom
XTZ 250 Ténéré

http://www.historiasdemotocicleta.com.br

Bons tempos aqueles em que só andava de moto quem realmente gostava de motocicleta.
Avatar do usuário
Lordphoenix
Roda Presa
Mensagens: 649
Registrado em: 26 Dez 2007, 19:26
Localização: Baraúna-RN

Re: Transamazônica 2013 - Rodeio e Parapente em Apuí

Mensagem por Lordphoenix »

Luiz Almeida escreveu:
Lordphoenix escreveu:
Luiz Almeida escreveu:
Lordphoenix escreveu:Amigo Luiz, lhe faço uma pergunta não sei se muito simples mas... Você acha que pra uma aventura desse tipo se faz necessário utilizar uma motocicleta melhor do que uma Tenerezinha dessas ou elas se mostraram suficientes? Sei lá, às vezes me passa pela cabeça um dia fazer Baraúna-Machu Picchu-Ushuaia-Baraúna... Mas eu fico achando que pra uma empreitada dessas o ideal seria uma máquina de 600cc pra cima. O que você acha disso, já que você também tem uma monstra de 1.200cc tida como ícone das aventureiras? De repente com uma Tenerezinha o custo de uma aventura dessas seria bem menor...

E continuo acompanhando sua narrativa como se estivesse na estrada junto com vocês... SENSACIONAL!

Grande abraço.


É isso. ;-)


Escolhemos a Tenerinha porque pelo menos metade da viagem seria fora do asfalto. Além da boa fama do motor, ainda podíamos contar com uma autonomia suficiente para quase todos os percursos programados.

Muita vezes, durante a viagem, comentei com o Marcelo (que também tem GS 1200): até aqui as GS viriam tranquilamente.

Fácil dizer isso depois de passado o trecho. Não sei se imprimiríamos maior velocidade, se o peso dificultaria alguma manobra, etc. Além do mais 20 litro a 15km/l rende menos que 16 litros a 28km/l. Ah, e a conta seria dolorosa em caso de queda...

Mas tem uma coisa, viajar longos percursos de estrada asfaltada com uma 250cc é um saco, uma monotonia danada e ainda por cima sendo ultrapassado por caminhões.

Bom, se tiver muito asfalto, vá com moto acima de 40hp, pelo menos. SE tiver muito off road, vale a pena sofrer no asfalto e curtir a trilha.

Muitas vezes, no meio da Amazônia, pensei se uma velha XT600 não seria a moto ideal para aquela viagem.

Espero ter ajudado. Ao longo do texto você perceberá o uso das motos.

Abração

P.S. A propósito, se fosse fazer viagem a Macchu Picchu iria tranquilamente na Kombi, sem dúvida.



Ou seja, Seu Luiz, apesar de todo o conjunto dessa pequena valente, tem horas que se faz necessário ter mais Motor! Sendo assim, é capaz de a moto ideal para esse tipo viagem ficar entre a XT 660 (ou Ténéré 660) e a BMW F 800 GS. Quer dizer, motos potentes, não excedentemente pesadas e com grande vocação pra off-road.

Na verdade, era isso que eu já pensava e sua experiência me reforçou essa ideia.

Valeu, amigo! No aguardo de mais um capítulo!



É isso. ;-)


Se eu tivesse que escolher moto maior, iria de Téneré 660, com pneus Karoo da Metzeller.

Abraço!



Creio que sua escolha seria perfeita!

Sempre declaro que meu sonho Top de consumo é a BMW F 800 GS (não vejo nenhuma necessidade de algo mais do que essa moto pode oferecer). Mas seu custo de aquisição e principalmente de manutenção.

Em um degrau abaixo (e custando R$ 10.000,00 a menos), vejo a Ténéré 66 como uma excelente opção.

2014 será o ano de meu sonhado e verdadeiro UP. E as candidatas (em ordem de preferência atual) são: XJ6F, Ténére 660 e, correndo por fora, uma possível (ou improvável...) crossover NC 750X... (Salve Bagé! :rof: )



Hey, Luiz, já é hora de novo capítulo! :wsh:



É isso. ;-)
Prof. Jean Santiago, The Lordphoenix
banda [T+D+N] = TERRA DE NINGUÉM

MC RN-015, Estradeiros de Baraúna - Presidente
Honda NC 750X = Pérola Vitória
Yamaha XTZ 125X = Bianca Fox

Eu viajo não apenas para estar LÁ, faço-o também pelo prazer de IR e VOLTAR.

M@D/ForumNow = desde 04/02/2005
Luiz Almeida
Mito
Mensagens: 11018
Registrado em: 26 Dez 2007, 11:16
Localização: Fortaleza - Ceará

Re: Transamazônica 2013 - Rodeio e Parapente em Apuí

Mensagem por Luiz Almeida »

Enfrentando a Estrada Fantasma - Parte I

Acordamos todos bem cedo que a jornada era incerta. Terminamos nossa trecho de BR 230 – Transamazônica e iniciávamos o trecho de BR 319, a Estrada Fantasma.

Enquanto arrumava minhas coisas, Joarez deu notícia de que o pneu traseiro da minha moto estava vazio. Putz, quase não acreditei no que vi, pneu arriadão. Usei um reparador instantâneo de pneus, deixei o café da manhã para lá, e fui em busca de borracheiro. Os dois que encontrei ainda estavam fechados. No Amazonas há fuso horário de 1 hora a menos. Para mim era seis horas e pouco, mas era cinco horas por lá. Voltei ao hotel para arrumar a bagagem e não atrasar a partida. O pneu mantinha-se cheio, o reparador estava funcionando.

Depois de quase derrubar uma caneca de café que o Joarez deixou sobre o banco da minha moto – ô cabra desorganizado! - fomos para um posto na saída da cidade onde havia borracheiro e onde encontramos o Rogério a nossa espera para despedida. O borracheiro local, com fama de bom profissional, examinou o pneu, testou pito e bordas com sabão e não encontrou sinal de furo. Há mais de hora a pressão se mantinha em 27 libras. Meu dilema: verificamos a câmara desembeiçando o pneu ou me meto numa estrada deserta com o pneu inflado com reparador instantâneo? Aconselhado pelo borracheiro, pedi para colocar 20 libras e fiquei com a segunda opção.

Completamos os tanques das motos (27,85km/l) e enchemos os recipientes de reserva. Levei duas garrafas pet com dois litros de gasolina cada. Também amarrei uma garrafa de 2 litros de água sobre as de gasolina, em cima da sacola que ia no lugar da garupa. No dia em que precisávamos sair bem cedo, começamos a viagem as nove e meia... (oito e meia no horário local)

Um pensamento ficou dentro do capacete; será que durante a noite alguém teria esvaziado o pneu da minha moto?

Depois de 20km nos despedindo da BR 230, que vai até Lábrea, com o Joarez sumido atrás, chegamos ao entroncamento com a famigerada BR 319, a estrada Manaus - Porto Velho, que terminou conhecida como Estrada Fantasma. Fotografamos a placa, em péssimo estado de conservação, que informa Manaus a 640km, adentramos a 319 e nada do Joarez aparecer. Preocupados, seguimos adiante. Depois de um pequeno trecho com obras tocadas pelo exército, o asfalto sumiu e o Joarez apareceu.

Aquela tal lendária parada de velhos motociclistas ao encontrar outro em sentido contrário na estrada ainda existe. Aconteceu conosco nos dias de hoje. Três motociclistas vinham em sentido contrário pilotando Bros 150 com bagagem e recipientes para gasolina. Trocamos sinais de luz com o primeiro e paramos para falar com o segundo da fila. No fim, todos se reuniram para uma troca de ideias sobre a estrada, o “de onde vens para onde vais” e desejos de boa viagem.

A 100km depois de Humaitá paramos para completar o tanque na localidade de Realidade. Coube apenas 3,4 litros (29,5km/l), mas era o último posto nos próximos 450km e gasolina e água eram os dois líquidos fundamentais naquele dia.

Uma estreita faixa de asfalto cheio de rachaduras testemunhava que um dia existiu uma estrada em direção a Manaus. A pujança selva ao lado mostrava que em breve a mata cobriria aquela fenda que a cortava. As sobras de asfalto não passavam de poucas centenas de metros. Entre elas havia terreno acidentado, barro endurecido moldado pelas marcas de pneus de caminhões esculpidos na lama seca e muitos pedaços de paus usados para desatolar quem por ali passou na época das chuvas mais fortes. Entre o terreno seco e os pedaços de asfalto, havia os bolsões de lama a lembrar como a estrada fica debaixo de chuva.

Por cerca de meia hora andei forte junto com o Marcelo, divertindo-se como se tivesse numa trilha de final de semana. Vez por outra procurava saber se as garrafas de água e gasolina, que chacoalhavam muito, ainda se mantinham firme nas amarrações. Deixamos, porém, o Joarez muito para trás e, lembrando-me do estado do pneu traseiro da minha moto e não querendo arriscar uma queda, voltei a calçar as sandalhinhas da humildade e da cautela reduzindo a tocada.

As pontes da 319 são um perigo a parte. Todas elas estavam em péssimo estado de conservação e possuíam uma rampa de meio metro nas cabeceiras. Quando se escolhia uma linha de tábuas não se via como seria a saída. Na maioria das vezes havia buracos ou pedras na entrada e saída das pontes, sem esquecer as tábuas partidas, fora do lugar ou mesmo inexistentes. Em nenhuma delas havia qualquer proteção nas laterais, olhar para os lados tentando ver um igarapé era sério risco de queda desastrada. Tenso!

Nos lamaçais, entre as poças barrentas formadas pela passagem de caminhões e a lama do centro ou laterais, o melhor é mergulhar na água, na trilha dos pneus, onde não há lama lisa e grudenta, portanto, com menor risco da moto sair debaixo. Quem esquece desse detalhe termina por comprar terreninho na selva.

Passava de meio dia, o calor era sufocante e o bafo que vinha na mata dava-me a impressão de estar entre dois caminhões. Só quem mantinha a água gelada na bagagem era o Marcelo. Numa parada para matar a sede ganhei um amassado sanduíche de queijo que o Marcelão, lembrando que eu ficara sem café da manhã, guardou para mim. Grande parceiro!

O calor da Amazônia é um tema a parte. A umidade é tanta que tenho a impressão de que a pressão atmosférica é maior. Todo movimento torna-se mais cansativo. Nunca bebi tanta água!

As torres de transmissão da Embratel, que existem a cada 40km na BR 319, são pontos onde se pode escapar de passar a noite no meio da selva. Paramos em uma delas onde havia diversas pessoas trabalhando na capinagem do terreno. Obtive algumas informações e seguimos adiante. 40Km depois, na torre seguinte, Marcelo e Joarez pararam para colocar gasolina reserva no tanque. Ainda não havia necessidade, mas Joarez, com dois galões nas laterais da moto, temia que sua Tènèrè virasse carro bomba iraquiano em caso de queda eventual. Avisei que seguiria em frente devagar, esperando por eles. E lembrei aos amigos que rodassem com cuidado para não caírem, afinal eu não queria ter que retornar...

Em caso de pane numa daquelas torres, grande parte do serviço de telefonia e internet na região deixa de funcionar.

Pilotei sozinho por cerca de meia hora e nada de avistar os faróis das motos dos amigos no retrovisor. O céu nublado e escuro anunciava chuva. Parei sobre uma réstia de asfalto para esperar e as nuvens escuras derramaram um pouco de água sobre a estrada. O vapor que subiu do asfalto deixou a estrada ainda mais fantasmagórica. Estava com sede e a água que eu tinha estava morna. Avistei um cajueiro na beira da mata com frutas maduras ao alcance da mão. Matei a sede e a fome. Cadê os caras que não aparecem?, me perguntava já beirando a angústia. A solidão na selva é opressora. Não tenho ideia de quanto tempo fiquei parado ali, a sensação é de que foi por muito tempo. Uma onça poderia estar se esgueirando naquela mata fechada, me observando sem que eu a visse... de que adiantaria a faca na cintura? Calçava as luvas me preparando para retornar quando vi, duplamente aliviado, as luzes das motos brilhando ao longe.

O que aconteceu? Não precisei da resposta para concluir que é muito fácil comprar terreno naquela BR.

Joarez, por conta do peso da 660 e de sua teimosia em manter os pneus acima de 25 libras, não demonstrou muita intimidade com aquele chão. Cansou precocemente e fez com que diminuíssemos o ritmo. Andei um bom tempo atrás dele, dando dicas e o incentivando a acelerar. Quase me intoxiquei com os gases da peidorrenta Ténéré.

Com a chuva, todo aquele chão ficou liso como sabão. Minha moto deu umas pequenas derrapadas mas manteve-se embaixo de mim. Em um momento dei uma parada e esperei o Joarez chegar. Meti o dedo nos pitos dos pneus da moto dele e baixei a pressão de ar mesmo com ele reclamando que estava saindo ar demais ao que respondi: - Isso é vento, Joarez, não é pó de ouro não pooorrraa! Depois disso a tocada do Juju melhorou substancialmente.

Escurecia quando chegamos a mais uma torre da Embratel. Marcelo e Joarez se encaminharam para o portão e eu, sem alternativa, os segui. Travamos o seguinte diálogo:

- Marcelão, por mim seguimos em frente. Há uma pousada a 30km daqui.
- Joarez tá cansado, Luizão. Olha os beiços do cabra, brancos que nem defunto.
- A gente espera ele descansar...
- E passar essas pontes sinistras à noite?
- Os faróis das motos são bons... a gente vai mais devagar.
- E se alguém cair, furar pneu ou uma moto quebrar alguma coisa?
- Ok, você venceu. Falou a voz do bom senso, passamos a noite aqui.

Realmente, seria uma situação muito ruim, para não dizer temerosa, passar a noite desprotegidos no meio escuridão daquela estrada deserta, sujeitos a insetos, cobras, onças e tudo mais que mais se imaginar. Levaríamos entre uma hora e meia a duas horas para vencer os 30km até a pousada da “muié-da saia-comprida”.

O modelo de construção desta torre não permitia que se armasse redes entre paredes. Havia uma calçada elevada, dois prédios separados e atrás, a torre propriamente dita. Estiquei as sacolas de lona grossa que levei para acondicionar as garrafas com gasolina e fiz minha cama sobre a calçada. Dobrei minha jaqueta e fiz meu travesseiro. Marcelo com muita engenhosidade, depois de umas duas horas conseguiu armar a rede dele usando uma árvore pequena e alguma outra coisa na parede. Joarez dedicou-se a acender uma fogueira tendo para isso lenha molhada e parte da gasolina de reserva.

Imagem

Imagem

Imagem

Imagem

Inté
Editado pela última vez por Luiz Almeida em 21 Nov 2013, 12:12, em um total de 3 vezes.
Luiz Almeida
Fortaleza-Ce
R 1200 GS
DL 650 XT V-Strom
XTZ 250 Ténéré

http://www.historiasdemotocicleta.com.br

Bons tempos aqueles em que só andava de moto quem realmente gostava de motocicleta.
Avatar do usuário
Biagioni
Motoqueiro
Mensagens: 2153
Registrado em: 03 Jan 2008, 09:05
Localização: Porangaba - SP

Re: Transamazônica 2013 - Enfrentando a Estrada Fantasma I

Mensagem por Biagioni »

Legal, imagino o quão tenso foi essa parte do role!!!

senti falta das fotos pra ilustrar essa parte!!!


abraço
Desde 23/06/2006
Intruder 125
Luiz Almeida
Mito
Mensagens: 11018
Registrado em: 26 Dez 2007, 11:16
Localização: Fortaleza - Ceará

Re: Transamazônica 2013 - Enfrentando a Estrada Fantasma I

Mensagem por Luiz Almeida »

Biagioni escreveu:Legal, imagino o quão tenso foi essa parte do role!!!

senti falta das fotos pra ilustrar essa parte!!!


abraço


Ops, esqueci as fotos!

Foi tenso, sim. Porém mais fácil do que esperávamos.
Luiz Almeida
Fortaleza-Ce
R 1200 GS
DL 650 XT V-Strom
XTZ 250 Ténéré

http://www.historiasdemotocicleta.com.br

Bons tempos aqueles em que só andava de moto quem realmente gostava de motocicleta.
Luiz Almeida
Mito
Mensagens: 11018
Registrado em: 26 Dez 2007, 11:16
Localização: Fortaleza - Ceará

Re: Transamazônica 2013 - Enfrentando a Estrada Fantasma I

Mensagem por Luiz Almeida »

No afã de não passar a noite na 319, procuramos não parar muito, portanto, não fiz uma foto sequer das tais sinistras pontes e muita coisa mais que gostaria de ter registrado.

Posto, abaixo, algumas fotos feitas na viagem, 45 dias antes da nossa, do Augusto Roca e amigos. Eles passaram duas noites na estrada fantasma.

Imagem

Imagem

Imagem

Imagem
Luiz Almeida
Fortaleza-Ce
R 1200 GS
DL 650 XT V-Strom
XTZ 250 Ténéré

http://www.historiasdemotocicleta.com.br

Bons tempos aqueles em que só andava de moto quem realmente gostava de motocicleta.
jsamuel
Dinossauro
Mensagens: 6497
Registrado em: 07 Out 2008, 18:23
Localização: Iguatu - Ceará

Re: Transamazônica 2013 - Enfrentando a Estrada Fantasma I

Mensagem por jsamuel »

Só passava num treco desses aí com uma .40 na cintura. rs...
R 1200 GS Adventure Rallye :-?
No Limit Brasil MG (SS Iguatu - Ceará)
Avatar do usuário
mamm777
Dinossauro
Mensagens: 6403
Registrado em: 10 Jun 2009, 10:23
Localização: floripa

Re: Transamazônica 2013 - Rodeio e Parapente em Apuí

Mensagem por mamm777 »

Luiz Almeida escreveu:Imagem

Show de bola esta foto aí. O cara pensa "barrinho simples, nada demais", mas quando lembra que não tem p... nenhuma - além de outros "barrinhos" destes - nos próximos 400Km, daí sim cai a ficha do tamanho da proeza realizada.

Luiz, vocês paravam em todas as pontes para averiguação prévia do melhor caminho, etc? Eu acho que não teria coragem de entrar embalado numa ponte sem antes saber como é a (ou se é que tem!) saída do outro lado... eheh
Enjoy yourself, it's later than you think.

ImagemImagem -> seis cilindros boxer gerando 350hp, tracionando cinco rodas e bebendo pra caramba.
Luiz Almeida
Mito
Mensagens: 11018
Registrado em: 26 Dez 2007, 11:16
Localização: Fortaleza - Ceará

Re: Transamazônica 2013 - Rodeio e Parapente em Apuí

Mensagem por Luiz Almeida »

mamm777 escreveu:Luiz, vocês paravam em todas as pontes para averiguação prévia do melhor caminho, etc? Eu acho que não teria coragem de entrar embalado numa ponte sem antes saber como é a (ou se é que tem!) saída do outro lado... eheh


Não, Mamm, não dava para parar não. A gente escolhia a tábua e subia na ponte, de pé sobre as pedaleiras, geralmente sem saber como seria a saída dela. Nos demos melhor que os amigos que pegaram o chão mais enlameado antes. Um deles, o Sáris, levou um tobo numa ponte e por pouco não se deu muito mal.

Abraço!
Luiz Almeida
Fortaleza-Ce
R 1200 GS
DL 650 XT V-Strom
XTZ 250 Ténéré

http://www.historiasdemotocicleta.com.br

Bons tempos aqueles em que só andava de moto quem realmente gostava de motocicleta.
Luiz Almeida
Mito
Mensagens: 11018
Registrado em: 26 Dez 2007, 11:16
Localização: Fortaleza - Ceará

Re: Transamazônica 2013 - Enfrentando a Estrada Fantasma I

Mensagem por Luiz Almeida »

O Marcelo levou duas quedas. O cabra abusou porque estava com pneus Pirelli Rally Cross.

O Joarez levou três quedas com a Ténéré 660 e seus pneus cheios. Na primeira queda soltou a mola do descanso e eu não estava lá para ajudar a levantar a moto. Com três levantando a 66 já era difícil, a moto escorregava na lama. Não fora isso teríamos chegado em Igapó-Açu para passa a noite.

Eu escapei de virar latifundiário no Amazonas... Mas cair ali não é demérito nenhum. Tive sorte.

Valeu!
Luiz Almeida
Fortaleza-Ce
R 1200 GS
DL 650 XT V-Strom
XTZ 250 Ténéré

http://www.historiasdemotocicleta.com.br

Bons tempos aqueles em que só andava de moto quem realmente gostava de motocicleta.
Lady J
Motoqueiro
Mensagens: 3101
Registrado em: 30 Out 2009, 12:05

Re: Transamazônica 2013 - Enfrentando a Estrada Fantasma I

Mensagem por Lady J »

Luiz Almeida escreveu:No afã de não passar a noite na 319, procuramos não parar muito, portanto, não fiz uma foto sequer das tais sinistras pontes e muita coisa mais que gostaria de ter registrado.

Posto, abaixo, algumas fotos feitas na viagem, 45 dias antes da nossa, do Augusto Roca e amigos. Eles passaram duas noites na estrada fantasma.

Imagem

Imagem

Imagem

Imagem




Adorei o relato , como sempre, espetacular Luiz :wsh: :wsh: ....agora esta estrada é difícil hein :o :o ....
Avatar do usuário
Medeiros Neto
Dinossauro
Mensagens: 6084
Registrado em: 24 Dez 2007, 08:48
Localização: Natal - RN

Re: Transamazônica 2013 - Enfrentando a Estrada Fantasma I

Mensagem por Medeiros Neto »

Não tenho experiência com terrenos tão extremos, lama, areia, poeira. Uma aventura dessas me deixaria super tenso durante todo o trajeto. Dá certo pra mim não, prefiro o asfalto e a boa velocidade de cruzeiro de 130 km/h que viajo, me sinto bem assim.

Para os que enfrentaram e gostam disso, meus parabéns.

O Luiz então nem vou comentar, já vi fotos dele andando na lama usando uma boa e velha Honda 250, esse é motociclista dos bons.
Abraços Gente Boa !!! :beer:


XTZ 150 Crosser ED 2017
Responder