Transamazônica 2013 - Chegadeira

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Luiz Almeida
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Transamazônica 2013 - Chegadeira

Mensagem por Luiz Almeida »

Olá amigos.

Ainda não acabei de escrevinhar tudo. Porém, acho que já dá para ir postando alguma coisa em capítulos, para não ficar cansativo.

Toda e qualquer crítica, observaçõs ou correções serão muito bem-vindas.

Transamazônica 2013

Começando a viagem

Iniciamos a viagem dia sete de setembro, um sábado, às 07:30h, deixando a namorada e os amigos que vieram se despedir na largada no posto de gasolina da Av. Bezerra de Meneses onde costumamos marcar as saídas quando viajamos partindo de Fortaleza pelo lado oeste.

Eu e Marcelo combinamos uma tocada entre 6 e 7 mil giros em sexta marcha nas Tènèrès 250, o que significava uma velocidade entre 90 e 110 km por hora. O Joarez teria que ter paciência com sua Tènèrè 660, que anda muito mais que nossas pequenas guerreiras.

Para as férias deste ano, minha programação inicial era viajar na confortável e potente BMW 1200 GS com a namorada na garupa rumo a Brasília e demais destinos na Região Sudeste. No entanto, Marcelo Teles me convenceu a mudar radicalmente de ideia com o seguinte e conciso argumento: Quando é que você vai ter companhia, saúde e disposição para fazer uma viagem cheia de percalços como esta num futuro incerto? Marcelão é mesmo um grande vendedor. Mesmo sem dar certeza de que iria, comprei a motocicleta que consideramos adequada e começamos a planejar. Lemos e relemos tudo a respeito do roteiro, dos perigos e das provações que outros motociclistas passaram em viagens semelhantes pela Região.

A preparação das Tenerinhas foi basicamente a colocação de para-lamas alto na dianteira, protetores de mão, protetores laterais tipo slider e plastificação das carenagens do tanque de gasolina. Além de pneus adequados. Mantivemos as medidas originais. Eu preferi os mistos Pirelli MT60 montados em aros de alumínio originais da Honda XR300. Já o Marcelo, seguindo orientação do Lourinho (melhor especialista em pneus e aros que conheço), calçou sua “Terezinha” com os Pirelli Rally, que eram biscoitudos tipo cross e que eu achava seriam rapidamente comidos pelo asfalto e que não chegariam a Marabá. Joarez, cuja moto já possuía boas proteções laterais usou pneus Metzeller Tourance atrás e Michelin Sirac na frente.

Para fotografar levei minha Nikon D5100 com lente 18-300mm e uma pequena e fiel Sony H55. A Nikon ficaria no bauleto protegida dentro de uma sacola própria e em meio as roupas e só seria usada em momentos especiais, principalmente na planejada navegação pelo rio Amazonas. A Sony iria comigo, no bolso da jaqueta, para fotografar tudo que fosse possível no caminho.

Joarez escrevendo:

"Dois meninos pequenos - uma com 3 meses e o outro com 1 ano e dez meses - fizeram com que a decisão sobre a viagem ficasse "sub-judice" da patroa até o último instante. Por isso, a moto foi basicamente do jeito que estava. Fiz uma revisão e comprei alguns itens sobressalentes para uma eventualidade. Se a chuva apertasse durante a viagem, necessariamente teria que trocar os pneus e rever as bagagens para aliviar o peso. Acabei chegando do jeito que sai, mas não sem pagar o preço...rsrs"

Como equipamento pessoal preferi usar calça jeans grossa, botas de cano médio e joelheiras, somados à jaqueta de cordura bem ventilada com boas proteções de ombos, cotovelos e coluna. O capacete foi o velho e bom Nolan com queixeira basculante. Marcelo optou de forma semelhante a mim mas, sabendo que haveria sol de proa, preferiu um capacete Bieffre fechado tipo cross com viseira e pala. Joarez adotou capacete igual ao do Marcelo, calça e botas de trilha e colete de proteção por sobre camiseta de mangas compridas que mandamos fazer especialmente para a viagem.



Joarez escrevendo:

"Onde o calor castigou para valer foi de Oeiras até Carolina. Daquele de Urubu voar só com uma asa para poder se abanar... Na região amazônica também estava muito quente, mas de vez em quando aparecia uma nuvem amiga ou árvores para aliviar. Tive pena do calorão que o Marcelo e Luiz passaram com aquelas jaquetas de cordura. Eu sofri no início porque estava sem protetor solar e o pescoço virou brasa com o Sol. Fui salvo pois, gentilmente, o Marcelão me arrumou um hidratante com fps 30. Pense numa alma caridosa...rsrsrs"

Entramos na BR 020, asfalto bom e velocidade monótona. O céu pincelado por nuvens em furta-cor de plúmbeo com branco, como a dizer ao ressecado sertão em ano de seca que tinham água, mas que por misteriosos desígnios não a soltaria ali.

Passamos por Canindé e seus mendigos de mão estendida na beira de estrada, rodamos um pouco mais e com 196,7 km no odômetro parcial paramos para abastecer em Madalena. O tanque da minha moto coube 7,89 litros de gasolina, perfazendo um consumo de 24,9 km/litro. A bota do Joarez começou a demostrar fadiga... E o capacete dele problema na viseira.

Assistindo um espécie de filme em velocidade alterada fomos cruzando a paisagem árida composta por pedras e arbustos com galhos secos e retorcidos, esqueletos de animais no acostamento, pontes sem rios, casebres sem reboco e pequenos açudes completamente secos. Com correr da manhã, o sol nordestino já mostrava a presença com um forte calor. Não sei como tanta gente teima em viver num lugar desses.

Marcelo sugeriu paradas a cada 300km. Sugeri a cada 2 horas aproximadamente e concordamos. Em Tauá, terra do bode, paramos mais uma vez para abastecimento das motos (25,3km/l), pipi, água e café.

Ao cruzarmos a divisa e entrarmos no Piauí, reparei substancial melhoria no aspecto das casas às margens da estrada. Logo senti o cheiro de caju no ar e percebi que a região era de fazendas de cajucultura. Bem ou mal, era o latifúndio melhorando a vida das pessoas.

Joarez perdeu a paciência com nosso ritmo, seguiu na frente depois de marcamos reencontro em Picos, 191,3km à frente, onde abastecemos as motos (23,2km/l) e descansamos um pouco nos refrescando com picolés e água. Eita calorzão brabo!

Joarez escrevendo:

"Não tive a paciência do Luiz para fazer a média de consumo da 660, mas sempre abasteci entre 1,5 a 2 litros a mais que as Tenerezinhas, com média superior a 20 Km/l. Com esse consumo a autonomia da moto bate pertinho de 500 Km - uma tranquilidade. Rodava a 4000 giros no ritmo dos companheiros... um tédio tremendo! Vez por outra precisava esticar as canelas da moto pra ela não se acostumar...rsrs. Foi assim praticamente até Humaitá - graças ao clima favorável. Em compensação na Estrada Fantasma levei o troco das pequenas ferozes....rsrsrs"

Por volta das quatro horas da tarde, 72km depois de Picos, chegamos a Oeiras, onde o grande motociclista Verô nos aguardava. Verô, que dentre inúmeras viagens de moto mundo afora, havia chegado de viagem semelhante a que começávamos cerca de 45 dias antes, e nos recebeu na casa dele, onde nos hospedou confortavelmente. Fomos levados pelo anfitrião a um city tour pela primeira capital do Piauí e ao anoitecer, sob a direção do irmão do Verô, já que ele mesmo não é de beber, fomos a um boteco nos reidratar com cervejas e repor os níveis proteicos com deliciosas codornas fritas, tudo isso acompanhado de ótima conversa sobre os mais diversos assuntos, inclusive viagens de motocicleta.

Depois de um bom café da manhã, nos despedimos do Verô com um forte abraço e, agora pela BR 230, seguimos viagem rumo a Carolina, no Maranhão.

Inté
Editado pela última vez por Luiz Almeida em 06 Dez 2013, 17:32, em um total de 18 vezes.
Luiz Almeida
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petrorroupe
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem I

Mensagem por petrorroupe »

"Eu e Marcelo combinamos uma tocada entre 6 e 7 mil giros em sexta marcha nas Tènèrès 250"...
sexta marcha nas Tènèrès 250??? :yeahrite:
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Medeiros Neto
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem I

Mensagem por Medeiros Neto »

petrorroupe escreveu:"Eu e Marcelo combinamos uma tocada entre 6 e 7 mil giros em sexta marcha nas Tènèrès 250"...
sexta marcha nas Tènèrès 250??? :yeahrite:


A minha veio com defeito então, só tem 5 marchas e rodando a 78 km/h o conta-giros marca 5 mil rpm. :lol: :lol: :lol:

Luiz, muito boa a leitura, na espera dos próximos capítulos.
Abraços Gente Boa !!! :beer:


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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem I

Mensagem por jciuliano »

Acompanhando...

;-)
Luiz Almeida
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem I

Mensagem por Luiz Almeida »

petrorroupe escreveu:"Eu e Marcelo combinamos uma tocada entre 6 e 7 mil giros em sexta marcha nas Tènèrès 250"...
sexta marcha nas Tènèrès 250??? :yeahrite:


Eita!

Obrigado pela colaboração. Já estou indo corrigir no texto.

Agora o texto ficou assim:

Eu e Marcelo combinamos uma tocada entre 6 e 7 mil giros em quinta marcha nas Tènèrès 250, o que significava uma velocidade entre 90 e 110 km por hora, aproximadamente. O Joarez teria que ter paciência com sua Tènèrè 660, que anda muito mais que nossas pequenas guerreiras.

Valeu!
Editado pela última vez por Luiz Almeida em 01 Nov 2013, 08:20, em um total de 1 vez.
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem I

Mensagem por mamm777 »

Mais por favor!
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ImagemImagem -> seis cilindros boxer gerando 350hp, tracionando cinco rodas e bebendo pra caramba.
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem I

Mensagem por rods »

Me delicio com seus textos, Luiz! Ainda tenho na estante aquele "Histórias de Motocicleta" autografado! Estou no aguardo dos próximos capítulos, mas já vou dizendo que só essa viagem já daria um livro bem legal de se ler!
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem I

Mensagem por Luiz Almeida »

rods escreveu:Me delicio com seus textos, Luiz! Ainda tenho na estante aquele "Histórias de Motocicleta" autografado! Estou no aguardo dos próximos capítulos, mas já vou dizendo que só essa viagem já daria um livro bem legal de se ler!


;-)

Valeu Rods! São palavras assim que me incentivam a postar os textos aqui.

Hehehehe. O próximo livro está engordando...

Aquele Abraço!
Luiz Almeida
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem I

Mensagem por diegonunes »

Muito bom.

Mas Ténéré não se escreve com acentos agudos?
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem I

Mensagem por Luiz Almeida »

diegonunes escreveu:Muito bom.

Mas Ténéré não se escreve com acentos agudos?


;-)

Trata-se de um deserto na Argélia. O nome vem do tempo da dominação francesa. Como está escrito na motocicleta?

A propósito, a pronúncia correta na origem é Tenerrê.

Valeu!
Editado pela última vez por Luiz Almeida em 01 Nov 2013, 09:54, em um total de 1 vez.
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem I

Mensagem por Albert »

Show! No aguardo dos próximos textos!
A culpa é minha e eu coloco ela em quem eu quiser!

DT200 *09/2002 - †12/2004
GS500 *12/2004 - †08/2005
CBX200 *08/2005 - †04/2010
YS250 *05/2009 - †07/2012
GS500 *07/2012 ...

Link para o pombo gigante
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem I

Mensagem por diegonunes »

Luiz, até onde eu sei é que o nome Ténéré é o nome de uma localidade no deserto de Níger, país africano com fronteira francesa.

Inclusive, pelo que a história narra, a Yamaha desenvolveu a ST 750cc pra correr numa prova de rally nesse deserto, que só depois foi batizada de Dakar.

O nome Teneré vem da linguagem tuaregue, significando "deserto" e, tal como o Sahara, a palavra árabe para "deserto", a palavra é usada para se referir à região.


Nas motos é com acento agudo:

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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem I

Mensagem por Lady J »

rods escreveu:Me delicio com seus textos, Luiz! Ainda tenho na estante aquele "Histórias de Motocicleta" autografado! Estou no aguardo dos próximos capítulos, mas já vou dizendo que só essa viagem já daria um livro bem legal de se ler!


...x1000...verdade :wink: ....Obrigada Luiz :wsh: ...
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem I

Mensagem por Luiz Almeida »

diegonunes escreveu:Luiz, até onde eu sei é que o nome Ténéré é o nome de uma localidade no deserto de Níger, país africano com fronteira francesa.

Inclusive, pelo que a história narra, a Yamaha desenvolveu a ST 750cc pra correr numa prova de rally nesse deserto, que só depois foi batizada de Dakar.

O nome Teneré vem da linguagem tuaregue, significando "deserto" e, tal como o Sahara, a palavra árabe para "deserto", a palavra é usada para se referir à região.


Nas motos é com acento agudo:

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Tens total e completa razão! Substitui todas as grafias erradas no texto.

Obrigadão!!!

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Valeu Aline!
Luiz Almeida
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem Parte II

Mensagem por Luiz Almeida »

Sul do Piauí e Maranhão

O cenário entre Oeiras e Floriano era como se um grande incêndio tivesse calcinado toda a mata nas laterais da estrada. Porém, como não havia cinzas, concluí que aquela devastação era causada pela seca que assola o Nordeste neste ano. Também notei, na beira da estrada, quase no acostamento, inúmeros pequenos cemitérios, a maioria sem cerca ou qualquer proteção.

Passamos por Floriano e adentramos o Maranhão. Mantenho o costume de buzinar e tocar as botas no asfalto antes e depois do marco divisório, como a se despedir de um Estado e cumprimentar o próximo. 231km depois Oeiras, paramos em São João dos Patos para descanso e abastecimento das motos (27,5km/l) e demais necessidades dos pilotos.

A partir de Pastos Bons (pertinho de Nova Iorque!) o cenário muda radicalmente. Estamos na região do Cerrado Maranhense. Rodamos por horas e horas vendo fazendas e mais fazendas praticando agricultura de ponta, com grande maquinário, silos imensos e plantações, principalmente de soja a se perder de vista. A sensação é de estarmos no Paraná ou outra região produtora de grãos no Sul/Sudeste. Pena que quando passamos na região a colheita já havia terminado e a paisagem era de extensos campos sem o verde das plantas.

Em Balsas, capital do cerrado maranhense, cuja economia gira, principalmente, em torno da produção agrícola de grãos, ladeia a estrada muitas grandes lojas voltadas para o maquinário agrícola. São tratores de todos tipos e tamanhos, colheitadeiras enormes e mais uma grande variedade de implementos, além de veículos de carga. Uma placa que me chamou atenção na entrada da cidade foi a de um motel; a acanhada plaquinha possuía o desenho de uma moto e os dizeres: Motel Duas Rodas – Só Nós Dois. Abastecemos com o odômetro parcial marcando 317,4km. O consumo da minha moto foi de 27,67km/l. A tenerinha do Marcelo sempre bebia um pouco mais que a minha. Nada muito significativo, mas ele pagava quase sempre 1 ou 2 reais a mais que eu. Vela de iridium na minha moto ou diferença de pneus? Talvez apenas diferença no punho direito.

Nos testes pré-viagem que fiz, reparei que o painel da Ténéné 250 mostrava reserva pouco depois do odômetro marcar 250km, e quando completava só cabiam cerca de dez litros de gasolina. Ou seja, ao anunciar reserva mostrando um terceiro odômetro parcial que parte do zero, a Tenerinha ainda tem aproximadamente seis litros de combustível no tanque. Dá para rodar mais 100km com folga!

De Balsas fomos para Carolina, 170km a frente, ladeando o Parque Nacional da Chapada das Mesas, com belas formações geológicas despontando no horizonte.. Chegamos por volta das quatro horas da tarde e paramos numa pousada antes de entrar na cidade. Como era domingo, grupos de excursão deixavam a pousada. Aguardamos a liberação de um bom chalé para três a preço promocional negociado pelo Marcelo tomando cerveja ao lado da piscina.


Depois de alojados, fomos nos refrescar na piscina com cascata - balde cheio de gelo e cervas na borda e petiscos para matar a fome, pois não parávamos para almoçar durante a viagem, só fazíamos pequenos lanches nas paradas de abastecimento. À noite tentamos comer algo mais substancioso em restaurante do outro lado da estrada e o encontramos fechado. Como não estávamos dispostos a subir nas motos, o jeito foi fazer um exagerado pedido de pizzas por telefone, já que a pousada não servia jantar.

Lavamos algumas roupas e as estendemos num varal montado entre as motocicletas diante da porta de nosso apartamento. Joarez, o último a recolher as roupas, guardou a corda do varal que levei e ela nunca mais apareceu. Ah, em Carolina o Joarez também guardou o hidratante com protetor solar que o Marcelo levou e ele nunca mais foi visto! Hehehehehe

Joarez escrevendo:

"Mistério sem solução esse sumiço! As cordas de varal do Luiz acho que caíram pelo caminho. Tenho uma vaga lembrança de colocá-las presas com ligas sobre o bauleto da moto. Já o hidratante do Marcelo...o que é certo é que eu não bebi!!"

Pela manhã, na checagem da moto, reparei, preocupado que o pneu traseiro da minha Tenerinha parecia estar quase na “meia vida”. O jogo de pneus foi comprado para a viagem e rodou previamente menos de 1500km.


Logo depois do café da manhã colocamos as motocicletas para rodar. Antes da entrada de Carolina viramos à direita e seguimos pela BR 010, já que nesse ponto a BR 230 foge do mapa. Depois de ver tamanduás mortos na estrada, foi tocante a cena do jumentinho morto atropelado na estrada com a mãe ao lado, como a esperar que o filhote voltasse à vida. Fizemos uma parada no Parque da Pedra Caída, um belíssimo lugar com muitas trilhas para caminhada e gigantescas altíssimas tirolesas. Como era segunda feira, dava para ver o estrago do farofal domingueiro. Recomendo visitar o lugar fora de final de semana ou feriadões.

Joarez e Marcelo já conheciam o parque. Não seria justo eu tomar tempo da viagem fazendo uma caminhada. Além do mais, o traje de viajante sobre duas rodas era totalmente inadequado para tal. Ficou para outra vez.

Abastecemos em Estreito (24,9km/l) e daí saímos da BR 010, cruzamos o rio Tocantins entrando no Estado de mesmo nome. Rodamos por algumas estradas sem nenhuma sinalização nos deixando meio confusos, mas logo o Marcelo se localizou e depois de uns 100km, logo após São Bento do Tocantins, retornamos à BR 230 cruzando o belo rio Araguaia sobre uma extensa ponte.

Como batismo de fogo, digo, batismo de lama na viagem, rodamos 30km de estrada sem pavimento com trechos de lama antes de chegarmos a Marabá.

Inté
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem parte II

Mensagem por minholi »

Muito bom Luiz Almeida! Seu texto é muito bom de ler! ;-)
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem parte II

Mensagem por diegonunes »

Quem sabe, sabe!
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem parte II

Mensagem por Luiz Almeida »

Valeu Diego e Minholi!

Uma perguntinha técnica:

A umidade do ar influi na pressão atmosférica?
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem parte II

Mensagem por Webasto »

obviamente...

legal o relato, parabéns!
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem parte II

Mensagem por diegonunes »

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