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Sportster 883C - teste-drive de 2.000 km

Enviado: 31 Jan 2009, 16:57
por Russo
Ae Kamerads:

Eu comprei a minha amada, idolatrada, salve, salve sportster 883 Custom em julho passado e somente tive a oportunidade de viajar, em setembro, para Pitanga. foi um passeio curto, só prá acostumar com a motoca.

Neste mês de janeiro, aproveitado que a D. Russa também estava de férias, saímos, sem pressa rumo ao sul de Minas Gerais. Vou dividir esse relato em três partes, a moto, o percurso e as minhas impressões sobre a máquina. Tirei poucas fotos com o celular, pois estava sem uma máquina fotográfica decente.


A moto:
Quando comprei a moto, ela já veio equipada com suspensões traseiras PS, escapes esportivos e Sissy-bar escamoteável. Comprei apenas um par de alforjes novo e uma bolha grande, estilo Chips.

Retirei o encosto do sissy-bar o no seu lugar, coloquei o baúleto com encosto, instalei os alforjes, o banco origina, uma antena corta-pipasl e a bolha grande (no dia a dia uso uma mini-bolha e um banco esportivo). Depois instalei um par de almofadas GelSeat, modelo novo, para que pudesse também testá-los.

A 883 na configuração dia-a-dia:
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A 883 com o banco original mais as almofadas GelSeat novas:
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A 883 vestida para viagem (foto tirada em Cambuquira-MG)
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O percurso:

Como não tinhamos pressa, optamos por sair sempre um pouco mais tarde, entre 8 e 10 h da manhã, o que se revelou uma boa estratégia, pois nesse horário a maioria dos caminhões já ia longe e o tráfego nas rodovias era geralmente bem mais tranquilo.

Partimos de Curitiba na segunda, 12/01/09, às 9 h, tocamos até Registro/SP e um pouco adiante pegamos a Serra de Juquiá. Nesse trecho, tentei acompanhar um casal que estava numa VStrom, mas o cara era mais bração que eu, eheheh... passei-o e fui embora, seguindo para Sorocaba, depois Itú e finalmente, Atibaia, lá pelas 16 h. A minha idéia era tocar direto até Pouso Alegre, mas a D.Russa começou a reclamar do cansaço de modo que arranjamos um hotel, tomamos banho, passeamos um pouco pela cidade, jantamos, fizemos séquiço e fomos dormir, eheheh...

Na terça, reabasteci a moto saímos lá pelas 9 h, pegamos a Fernão Dias e tocamos direto por Pouso Alegre (o Jota tem razão...ô cidadezinha desinteressante, eheheh) e almoçamos e Santa Rita do Sapucai. Depois, tocamos para Pedralva e daí até São Lourenço. Acomodamos nossas coisas no Hotel Termo-não sei-o-que (meia boca, mas barato - R$ 65,00 a diária por casal, com café da manhã), e fomos direto para o Parque das Águas, "lavar a poeira da estrada". Um bom banho de imersão em águas quentes sulforosas, que tirando o cheiro de peido desse tipo de água, nos fez muito bem... só achei caro (R$ 20,00 por pessoa. Nas Termas de SC, Gravaltal e Pirinópolis, um banho desses custa entre R$ 3,00 e R$ 5,00).

No dia seguinte, deixamos o grosso das tralhas no hotel e fomos conhecer Caxambú, onde passamos o dia. Antes de sair a D.Russa reclamou um monte do capacete que estava usando, um M5. Por sorte, havia uma loja de motos quase em frente ao hotel e compramos um capacete novo por lá. O capacete velho foi doado ao primeiro moto boy que cruzou o nosso caminho.

Caxambú é um pouco menor que São Lourenço, e menos "organizada", mas é uma localidade bonita. Deixamos a moto na praça, aos cuidados de um flanelinha, que inclusive tratou com uma senhora de uma das lojinhas para guardar as jaquetas e capacetes, contratamos uma charrete e fomos conhecer a cidade e adjacências.

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Retornamos a São Lourenço no final da darde, mais um banho de imersão, mais um pouco de séquiço, jantamos e fomos dormir. No dia seguinte, saímos um pouco mais cedo e fomos para São Tomé das Letras. Até a chegada na cidade, tudo bem. Mas quando entramos na cidade, começou a bateção. As ruas são calçadas com enormes placas de pedra irregulares, com desníveis de até 10 cm. Resolvi deixar a moto na praça e os equipamentos numa loja e contratar um jipeiro para conhecer as cachoeiras das redondezas. Confesso que quase me arrependi de gastar R$ 70,00 nesse passeio, pois a estrada não era tão ruim assim, apenas um pouco pior que a estradinha da Tapera, e, desculpem-me os mineiros, mas para quem está acostumado com Corupá e Prudentópolis, as Cacheiras de São Tomé não chamam muito a atenção.

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Porém, na volta do passeio, desabou um aguaceiro sem tamanho. Santa Reduzida Batman! adrenalina pura, eheheh... retornamos à praça, emlameados, colocamos as roupas de chuva e tocamos 130 km abaixo de toró até São Lourenço... onde caímos na velha rotina: banho quente de imersão, jantar e séquiço, eheheh...

Aproveitamos a quinta e a sexta-feira para conhecer São Lourenço e redondezas, à bordo de outra possante charrete. Eu ainda queria mais séquiço mas a D.Russa me mandou à merda, eheheh...

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Aliás, digno de nota foi um encontro inesperado com um colega madiano do ES que estava fazengo um "bico de férias" no Estado vizinho:

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No sábado cedinho, lá pelas 10 h, partimos de São Lourenço, com destino a São Bento do Sapucaí, onde almoçamos num restaurante no alto de um morro (caro prá cacete), mas com uma vista esplêndida:

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Depois do almoço, tocamos para Campos do Jordão e esse foi o pedaço mais penoso da viagem, pois além da chuva, pegamos o "caminho mais curto". Uma serrinha prá lá de travada, lisa, úmida, havia até limo na pista em certos trechos, com muita sujeira (barro, folhas, galhos). Levamos quase 1 hora e meia nesse trajeto. Depois, foi a rotina de sempre (banho quente, jantar, passeio e nada de séquço, eheheh).

Na segunda feira, 9 hs, iniciamos o regreço. Tocamos até Taubaté, onde pegamos a Carvalho Pinto, depois já em São Paulo, pegamos a Marginal Tiete, depois a Marginal Pinheiros, daí a Régis Bittencourt e chegamos em casa antes das 19 h.

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O comportamento da motoka:

A 883 me surpreendeu, positivamente, em vários aspectos. Somados aos 265 kg da moto, havia o combustível (17 L), as bagagens (dois alforjes e um baú lotados), o peso do gel seat (us 6 kg), o meu peso, que não conta muito e o da D.Russa, que compensa o meu, eheheh... resultado, tudo devia passar dos 450 kg fácil. E a motoka nem "tchum", respondia ao acelerador como se estivesse vazia.

A velocidade de cruzeiro ficou entre 100 e 120 km/h nas estradas de mão dupla e entre 120 e 140 nas estradas de pista dupla, com direito a picos de quase 160 km/h nos retões (141 reais, pelo GPS). A moto tinha gás para ir além mas o meu CG (coeficiente de cagaço) não permitiu. O detalhe é que com a bolha grande a moto atingia legal os 140, sem balançar ou tremer, comigo sentadão, ereto, eheheh... outra coisa digna de nota é o torque: nada de perder embalo ou ter que reduzir marchas nas subidas.

A suspensão traseira PS mostrou a que veio. Foram raras as vezes que deu "fim-de-curso", no entanto pareceu-me mais dura que a da Savage, com a qual eu tinha feito, no ano passado, uma viagem de 1650 km com a D.Russa.

Quanto à ciclística, a moto é muito estável nas retas, mesmo em piso ruim e eu não senti nenhuma dificuldade nas curvas. Ela é um pouco mais pesada e prá colocá-la nas curvas mais fechadas tinha que usar o contra-esterço, puxar a moto com o joelho e forçar um pouco com o pé a pedaleira oposta. Mas uma vez no traçado da curva beleza, a moto não apresentava nenhuma tendência, permanecendo neutra (a Savage tinha a tendência de abrir a frente nas curvas).

Quanto ao consumo: no passeio à Pitanga, sozinho, a moto tinha feito 26 km/L. Nesse passeio agora, garupada e carregada, a motoka surpreendeu de novo. Foram consumidos exatos 90 litros de gasolina e percorridos exatos 2.053 km, resultando numa média de 22,8 km/L.

A vibração do V2 não chegou a incomodar. É uma vibração com menor frequência e maior amplitude que a vibração das Big Single, como a Savage e a XT 600. Só achei a embreagem muito dura, principalmente nas serrinhas, pois fora disso é colocar quinta marcha e esquecer da vida.

A posição das pedaleiras, que na 883C é mais avançada que nas outras 883 é bem cômoda, tanto para o piloto quanto para a garupa.

Em relação aos novos modelos de almofada GelSeat, eles foram aprovados. A grande vantagem que eu percebi não foi durante o tempo que estive sobre a moto, pois não tem jeito, chega uma hora que a bunda não aguenta, não há posição que resolva. O efeito da almofada de gel era nitidamente percebido nos momentos em que eu descia da moto. Em poucos segundos a dor e o desconforto passavam, não ficava aquela sensação de formigamento.

Uma única coisa que eu estranhei na motoka: não vazou nem uma gota de óleo nem baixou um mililitro sequer o nível do óleo. Também não perdi (que tenha visto) nenhum parafuso pelo caminho.
Será que a motoka está com algum defeito? eheheheh...

Soçarba!

Re: Sportster 883C - teste-drive de 2.000 km

Enviado: 31 Jan 2009, 17:37
por Toecutter
Caraca, eu não sabia da presença de tão capacitado repórter aventurístico nas dependências deste fórum !!!!

Parabéns ao nobre colega pelo relato tão bem escrito e ilustrado !! Quando comprar uma Hd mando o vendedor rachar a comissão com sua senhoria !!!

Re: Sportster 883C - teste-drive de 2.000 km

Enviado: 31 Jan 2009, 17:48
por Fender
Russo, parabéns pela viagem e pelo relato.
Putz, achei a sua HD muito econômica! Se colocar esse peso na Fazer e viajar nessa velocidade, com certeza vai gastar mais que sua HD.
Bonitas fotos!

Re: Sportster 883C - teste-drive de 2.000 km

Enviado: 31 Jan 2009, 17:59
por Ander
parabens pela trip, bom relato
agora sua proxima aquisiçao vai ser uma camera , pq essas fotos tao sofriveis :rof:

Re: Sportster 883C - teste-drive de 2.000 km

Enviado: 31 Jan 2009, 18:06
por Jonyherrera
Muito bacana o relato hein. Achei bom o consumo pro porte dela, 22,8 km por litro... pensava que gastava mais, minha ex twister de miseros 250cc fazia 26-27...

Re: Sportster 883C - teste-drive de 2.000 km

Enviado: 31 Jan 2009, 18:08
por Labar
Russo escreveu:...tomamos banho, passeamos um pouco pela cidade, jantamos, fizemos séquiço e fomos dormir, eheheh...
É isso aí, relato detalhado é o que há! :lol:

Parabéns pela viagem! ;-)

Re: Sportster 883C - teste-drive de 2.000 km

Enviado: 31 Jan 2009, 18:37
por Yell
Puta passeio, meu....

Legal o encontro com o representante do M@D-ES...

Re: Sportster 883C - teste-drive de 2.000 km

Enviado: 31 Jan 2009, 18:54
por Biagioni
legal cara..muito legal msm...só é feio mentir muito.e exagerar na mentira kkkkkkkkkkkkk
abraço

Re: Sportster 883C - teste-drive de 2.000 km

Enviado: 31 Jan 2009, 19:02
por GFLL
Parabéns pelo passeio!


Labar escreveu:
Russo escreveu:...tomamos banho, passeamos um pouco pela cidade, jantamos, fizemos séquiço e fomos dormir, eheheh...
É isso aí, relato detalhado é o que há! :lol:

Parabéns pela viagem! ;-)
Chorei de rir dessa parte.

Re: Sportster 883C - teste-drive de 2.000 km

Enviado: 31 Jan 2009, 19:24
por Márcio
Muito bom Russo!

Parabens!

Re: Sportster 883C - teste-drive de 2.000 km

Enviado: 31 Jan 2009, 19:29
por Gustavo Erivan
parabéns pela viagem, tio.

Re: Sportster 883C - teste-drive de 2.000 km

Enviado: 31 Jan 2009, 19:30
por Russo
Fender escreveu:Russo, parabéns pela viagem e pelo relato.
Putz, achei a sua HD muito econômica! Se colocar esse peso na Fazer e viajar nessa velocidade, com certeza vai gastar mais que sua HD.
Bonitas fotos!
Jonyherrera escreveu:Muito bacana o relato hein. Achei bom o consumo pro porte dela, 22,8 km por litro... pensava que gastava mais, minha ex twister de miseros 250cc fazia 26-27...
Ae Kamerads... esse consumo é na estrada, pois na cidade, andando na boa, não chega a rodar 14 km/L. E, quando levado pela empolgação do ronco dos escapes esportivos, já cheguei a fazer menos de 11 km/L na cidade.

Re: Sportster 883C - teste-drive de 2.000 km

Enviado: 31 Jan 2009, 19:51
por Filipe
Muito legal o relato ;-) , mais troca essa HD que com certeza tá com problema! HD sem pingar óleo e nao cair parafuso não é HD :rof:

Re: Sportster 883C - teste-drive de 2.000 km

Enviado: 31 Jan 2009, 19:57
por Ferrugem
Ri um bocado lendo o seu relato, que por sinal está ótimo. Parabéns.

Econômica a 883, heim?

Re: Sportster 883C - teste-drive de 2.000 km

Enviado: 31 Jan 2009, 20:33
por kalixto
Legal o relato e realmente a jaka HD no mesmo ritmo, viemos juntos de Pitanga a Curitiba eu colocava mais gasosa na Falcon no mesmo trecho.

Re: Sportster 883C - teste-drive de 2.000 km

Enviado: 31 Jan 2009, 20:56
por Robson
Russo escreveu:
Ae Kamerads... esse consumo é na estrada, pois na cidade, andando na boa, não chega a rodar 14 km/L. E, quando levado pela empolgação do ronco dos escapes esportivos, já cheguei a fazer menos de 11 km/L na cidade.
Porra, eu já estava praguejando contra o consumo da Intruder 800 que não passa de 22 km/l na estrada, a 80 km/h....

mas na cidade ela faz 19.... :-D

uma coisa compensa a outra....rsrs

Belo passeio Russo, pena que no dia que vc estava em Campos não consegui dar uma esticada até lá pra ver vc´s.

Abraços

Re: Sportster 883C - teste-drive de 2.000 km

Enviado: 31 Jan 2009, 21:13
por OMEGAred
boa ;-) Falta só um UP na máquina digital :-D

HD amarelinha original?

Re: Sportster 883C - teste-drive de 2.000 km

Enviado: 31 Jan 2009, 21:21
por InSaNiDaDe
Legal o relato do passeio... E como alguns já estava quase chicoteando minha twister... mas depois foi esclarecido... heheh

Re: Sportster 883C - teste-drive de 2.000 km

Enviado: 31 Jan 2009, 21:46
por Russo
Robson escreveu:
Russo escreveu:
Ae Kamerads... esse consumo é na estrada, pois na cidade, andando na boa, não chega a rodar 14 km/L. E, quando levado pela empolgação do ronco dos escapes esportivos, já cheguei a fazer menos de 11 km/L na cidade.
Porra, eu já estava praguejando contra o consumo da Intruder 800 que não passa de 22 km/l na estrada, a 80 km/h....

mas na cidade ela faz 19.... :-D

uma coisa compensa a outra....rsrs

Belo passeio Russo, pena que no dia que vc estava em Campos não consegui dar uma esticada até lá pra ver vc´s.

Abraços
Ae Kamerad Roson:

Esse consumo da tua Intruder 800 é praticamente igual ao consumo da minha CB400CR. Ela faz entre 17 e 19 km/L na cidade e entre 20 e 22 km/L na estrada.

Já a 883 não tem jeito. É moto prá rodar em estrada. Na cidade, prá mim, é mais barato rodar com o Uno Mille do que com a HD, eheheheh...

Uma coisa que eu percebi, tanto na viagem à Pitanga quanto nesse passeio pelo sul de Minas é que a moto responde bem melhor com o motor bem aquecido. Eu diria que até uns 30 ou 40 kms rodados a moto é uma e, depois disso, vira outra.

A mesma coisa ocorre com os pneus Metzeler que eu uso nela e na CB400CR e que usava também na Savage. Eles precisam de uns 15 a 20 kms de estrada para atingirem a temperatural ideal. Antes disso, são meio "lisos", mas depois passam a agarrar melhor no asfalto.