A Caçadora de Mitos (Meu encontro com uma RD350)
Enviado: 29 Nov 2008, 18:08
Primeiro que nada, me desculpe se o meu portugues nao e o mesmo de um escritor. Espero que isso nao seja um impedimento para que voces possam gostar de ler esta historia.
Agora sim, aqui esta a historia do meu encontro hoje com "O mito", a RD350LC:
Sinto na minha boca o amargo gosto que voce sente na manha seguinte depois de ter enchido a cara na noite anterior. Tambem sinto o meu estomago todo estragado, e uma leve dor de cabeca. Ah sim, tipicas secuelas de quem bebeu demais. Me levanto da cama, abro as cortinas e olho pela janela. Voces sabem, daquelas tipicas manhas de sabado aonde voce pode apreciar o Sol na sua maior plenitude, aquelas manhas que de verdade da vontade de pegar a jaqueta, capacete e luvas para pular encima da moto e so voltar para a casa bem de tarde?
Bom, esta nao era uma dessas manhas. Pelo contrario, o ambiente era totalmente cinzento, o ceu carregado de nuvems, nem dava para apreciar bem o Sol. O dia tinha amanhecido entre as trevas. Mesmo assim, eu notei que nao tinha chuvido ainda, e o solo estava seco. "Suficiente" disse eu, e comecei a me vestir e fazer algum cafe da manha improvisado.
Entao chega o momento da decisao: Qual das duas eu pego? A japonesinha ou a ragazza? Nao pensei muito, e como pensava dar uma volta sem ir muito longe da cidade, peguei a japonesinha.
Passo a chave no contato, puxo so um pouquinho do afogador, coloco o neutro e aperto o botao de arranque. Um forte ronco do motor NC23 interrumpe a calma e silencio que impeirava na cinza manha, cuando este e acordado. As RPM se estabilizan en 1500, enquanto esquenta termino de colocar a jaqueta, o capacete e as luvas. Tudo pronto, puxo o pezinho para acima e com un movimento descendente do pe engato 1ra marcha. Vamos la.
Nada como para comecar um dia do que ouvir um 4 cilindros cantando (e acordando) enquanto voce ve as agulhas do velocimetro e tacometro fazendo sua danca sincronizada. O NC23 e o tipico 4 cilindros: baixa fraca, para depois passar de certo ponto, neste caso entre 6 e 7 mil RPM, para disparar e poder notar como as agulhas mergulhan rapidamente para direita do painel.
Eu estava rodando por ai, sem destino fixo, entao chego num sinal vermelho. Ai parado, cuando olho nos retrovisores, o que ja e rutina para qualquer motociclista que more numa cidade grande, eu reparo um par de farois redondos vindo atras de mim.
"CBR250? 400? FZR Genesis?" Eu pensei.
Ela vem rodando e fica parada do meu lado. Ai foi cuando eu finalmente pude reparar bem nela. Os caracteristicos escapamentos das 2T, a carenagem e design avant-garde (Bom, nos 80's era isso
) e na carenagem, as duas letras e 3 numeros que muito pessoal sempre baixa a cabeca cuando menciona.
RD350
Eu estava lado a lado com "O MITO", como muitos brasileiros chaman ela. E nao so isso, estavamos lado a lado num sinal vermelho, com uma pista livre de 4 canais e uma longa reta que depois levava para um bom conjunto de curvas, e nem um carro na frente. Parecia algo irreal. Tudo era muito perfeito para ser verdade.
O piloto da RD nota que es estou olhando para sua moto, e responde com uma leve acelerada. Eu faco o mesmo, junto com um movimento de aprovacao com o capacete, o qual e retribuido da mesma forma pelo piloto da RD. Ja estava tudo decidido, as palavras sobravam. Os dois sabiamos que cuando o sinal mudar para verde, um duelo ia acontecer. Nem fama, nem dinheiro. So por honra. So por diversao. So pela emocao de derrotar o adversario. So por se medir contra outro e querer ser melhor.
A RD levanta as RPM, e eu tambem faco o mesmo. Mantenho elas fixas pela faixa das 4500-5000 RPM, para ter uma boa saida. O sinal muda para amarelo. O coracao batendo forte. Eu me inclino para a frente e minha mao esquerda comeca a soltar um pouquinho o clutch, o suficiente para que a moto ja queira sair disparada, mais que eu possa manter ela domada so com minhas pernas.
Verde. E hora.
"PORRA!!!!!!!!!!"
Eu tinha estragado a partida, soltei o clutch muito rapido, o que fez que as RPM caissem justo na parte da banda de potencia que o NC23 e mais fraquinho. Vejo na frente o que a RD saiu bem, deixando sua caracteristica trilha de fumaca preta.
O cabo totalmente enrolado, chego a 7 mil RPM en 1ra. La vamos nos!
Acelerando forte, o ronco dos 4 cilindros berrando forte a traves do escape DIC, vendo a agulha passar do territorio das 13 mil RPM. Soltar o acelerador, chute pra cima, 2da e novamente levar a agulha de passeio ate a casa das 13 mil RPM.
Ja posso ver que estou recuperando distancia com a RD. Meto 3ra e ja estou como a duas motos de distancia dela, e recuperando forte. Ja no final da 3ra estou lado a lado com ela.
Seguimos acelerando e vejo que a CB comeca a tirar vantagem da RD a medida que iamos mais rapido. 3ra, 4ta e 5ta velocidade passam e a CB segue na frente.
Mais adiante, vem um trecho com umas curvas legais. Reduzindo rapidamente ate 2da, me preparo para tomar elas. Reviso rapidamente o retrovisor e a RD voltou a colar atras.
Faco a curva usando a transferencia de peso, nao pendulo completamente mais sim uso o posicionamento do meu corpo para me ajudar a curvar. Nisso eu aprecio pelo retrovisor o estilo do piloto da RD, totalmente rigido, parecia uma prancha na moto. Ja pela 4ta curva tinha perdido ele de vista...ai eu ja decido que nao vale a pena seguir acelerando, e baixo o ritmo para esperar a RD...
O cara passa pelo lado, eu dou minha sinal de aprovacao com o pulgar pra cima, ele asente com a cabeca e uma buzinada. Um verdadeiro cavaleiro que aceita sua derrota. Eu realmente esperava um tipico "fly-by do perdedor", aquela tipica de cuando voce ja solta o acelerador e o perdedor passa a toda velocidade pelo teu lado, achando que vou ele o ganhador.
Voltando para a casa, com um grande sorriso escondido dentro do meu capacete, eu pensei num novo sobrenome para a CBzinha:
"A Caçadora de Mitos"
FIN.
Espero que tenham gostado do relato, pena nao ter videos ou fotos, mais pelo menos assim e mais interesante.
Ah, nao e pescaria nao. Somente queria compartilhar essa historia de uma disputa divertida, ja que e muito estranho eu conseguir uma boa racha aqui en Caracas.
Agora sim, aqui esta a historia do meu encontro hoje com "O mito", a RD350LC:
Sinto na minha boca o amargo gosto que voce sente na manha seguinte depois de ter enchido a cara na noite anterior. Tambem sinto o meu estomago todo estragado, e uma leve dor de cabeca. Ah sim, tipicas secuelas de quem bebeu demais. Me levanto da cama, abro as cortinas e olho pela janela. Voces sabem, daquelas tipicas manhas de sabado aonde voce pode apreciar o Sol na sua maior plenitude, aquelas manhas que de verdade da vontade de pegar a jaqueta, capacete e luvas para pular encima da moto e so voltar para a casa bem de tarde?
Bom, esta nao era uma dessas manhas. Pelo contrario, o ambiente era totalmente cinzento, o ceu carregado de nuvems, nem dava para apreciar bem o Sol. O dia tinha amanhecido entre as trevas. Mesmo assim, eu notei que nao tinha chuvido ainda, e o solo estava seco. "Suficiente" disse eu, e comecei a me vestir e fazer algum cafe da manha improvisado.
Entao chega o momento da decisao: Qual das duas eu pego? A japonesinha ou a ragazza? Nao pensei muito, e como pensava dar uma volta sem ir muito longe da cidade, peguei a japonesinha.
Passo a chave no contato, puxo so um pouquinho do afogador, coloco o neutro e aperto o botao de arranque. Um forte ronco do motor NC23 interrumpe a calma e silencio que impeirava na cinza manha, cuando este e acordado. As RPM se estabilizan en 1500, enquanto esquenta termino de colocar a jaqueta, o capacete e as luvas. Tudo pronto, puxo o pezinho para acima e com un movimento descendente do pe engato 1ra marcha. Vamos la.
Nada como para comecar um dia do que ouvir um 4 cilindros cantando (e acordando) enquanto voce ve as agulhas do velocimetro e tacometro fazendo sua danca sincronizada. O NC23 e o tipico 4 cilindros: baixa fraca, para depois passar de certo ponto, neste caso entre 6 e 7 mil RPM, para disparar e poder notar como as agulhas mergulhan rapidamente para direita do painel.
Eu estava rodando por ai, sem destino fixo, entao chego num sinal vermelho. Ai parado, cuando olho nos retrovisores, o que ja e rutina para qualquer motociclista que more numa cidade grande, eu reparo um par de farois redondos vindo atras de mim.
"CBR250? 400? FZR Genesis?" Eu pensei.
Ela vem rodando e fica parada do meu lado. Ai foi cuando eu finalmente pude reparar bem nela. Os caracteristicos escapamentos das 2T, a carenagem e design avant-garde (Bom, nos 80's era isso
RD350
Eu estava lado a lado com "O MITO", como muitos brasileiros chaman ela. E nao so isso, estavamos lado a lado num sinal vermelho, com uma pista livre de 4 canais e uma longa reta que depois levava para um bom conjunto de curvas, e nem um carro na frente. Parecia algo irreal. Tudo era muito perfeito para ser verdade.
O piloto da RD nota que es estou olhando para sua moto, e responde com uma leve acelerada. Eu faco o mesmo, junto com um movimento de aprovacao com o capacete, o qual e retribuido da mesma forma pelo piloto da RD. Ja estava tudo decidido, as palavras sobravam. Os dois sabiamos que cuando o sinal mudar para verde, um duelo ia acontecer. Nem fama, nem dinheiro. So por honra. So por diversao. So pela emocao de derrotar o adversario. So por se medir contra outro e querer ser melhor.
A RD levanta as RPM, e eu tambem faco o mesmo. Mantenho elas fixas pela faixa das 4500-5000 RPM, para ter uma boa saida. O sinal muda para amarelo. O coracao batendo forte. Eu me inclino para a frente e minha mao esquerda comeca a soltar um pouquinho o clutch, o suficiente para que a moto ja queira sair disparada, mais que eu possa manter ela domada so com minhas pernas.
Verde. E hora.
"PORRA!!!!!!!!!!"
Eu tinha estragado a partida, soltei o clutch muito rapido, o que fez que as RPM caissem justo na parte da banda de potencia que o NC23 e mais fraquinho. Vejo na frente o que a RD saiu bem, deixando sua caracteristica trilha de fumaca preta.
O cabo totalmente enrolado, chego a 7 mil RPM en 1ra. La vamos nos!
Acelerando forte, o ronco dos 4 cilindros berrando forte a traves do escape DIC, vendo a agulha passar do territorio das 13 mil RPM. Soltar o acelerador, chute pra cima, 2da e novamente levar a agulha de passeio ate a casa das 13 mil RPM.
Ja posso ver que estou recuperando distancia com a RD. Meto 3ra e ja estou como a duas motos de distancia dela, e recuperando forte. Ja no final da 3ra estou lado a lado com ela.
Seguimos acelerando e vejo que a CB comeca a tirar vantagem da RD a medida que iamos mais rapido. 3ra, 4ta e 5ta velocidade passam e a CB segue na frente.
Mais adiante, vem um trecho com umas curvas legais. Reduzindo rapidamente ate 2da, me preparo para tomar elas. Reviso rapidamente o retrovisor e a RD voltou a colar atras.
Faco a curva usando a transferencia de peso, nao pendulo completamente mais sim uso o posicionamento do meu corpo para me ajudar a curvar. Nisso eu aprecio pelo retrovisor o estilo do piloto da RD, totalmente rigido, parecia uma prancha na moto. Ja pela 4ta curva tinha perdido ele de vista...ai eu ja decido que nao vale a pena seguir acelerando, e baixo o ritmo para esperar a RD...
O cara passa pelo lado, eu dou minha sinal de aprovacao com o pulgar pra cima, ele asente com a cabeca e uma buzinada. Um verdadeiro cavaleiro que aceita sua derrota. Eu realmente esperava um tipico "fly-by do perdedor", aquela tipica de cuando voce ja solta o acelerador e o perdedor passa a toda velocidade pelo teu lado, achando que vou ele o ganhador.
Voltando para a casa, com um grande sorriso escondido dentro do meu capacete, eu pensei num novo sobrenome para a CBzinha:
"A Caçadora de Mitos"
FIN.
Espero que tenham gostado do relato, pena nao ter videos ou fotos, mais pelo menos assim e mais interesante.
Ah, nao e pescaria nao. Somente queria compartilhar essa historia de uma disputa divertida, ja que e muito estranho eu conseguir uma boa racha aqui en Caracas.