BMW GSA 1200 "raiz" - avaliação desapaixonada
Enviado: 04 Jun 2019, 15:42
Então, peçoa´z,
Vendi uma das jacas (a Heritage 2018) e peguei na troca uma GSA 1200 2012/13.

Por que "GSA 1200 'raiz'" ? É das últimas 100% ar-óleo, é das últimas que torciam todas quando acelerava parada... as mais recentes já tem refrigeração líquida e não se torcem todas ao acelerar paradas em neutro.
Primeiro, tenham em mente que eu sou um "jaqueiro" contumaz, gosto de jaca, viajei pro Uruguai de maxi-jaca (Indian)...a última "trail" (nem tanto) que tive foi a Tiger Sport 1050 que vendi pro PriesT no começo do ano (e que, na real, nem rodei muito com a moto). Então vou tentar fazer uma avaliação "desapaixonada" aqui.
Nos últimos dias tô andando só na GSA. A Indian, apesar de mais de um mês de volta de viagem, ainda não concluiu os "reparos pós-viagem" (que estão andando a passo de tartaruga, por conta de terceiros). E como começou a temporada de seca aqui, deixei o carro em casa esses dias e andei só de moto.

Então vamos lá.
Pontos positivos:
1 - A moto é (bem) alta, mas eu consigo plantar os dois pés no chão: A GSA 1200 foi uma moto que sempre me "intimidou", e devo dizer que me surpreendeu POSITIVAMENTE o fato de eu conseguir plantar os dois pés no chão (isto é, não é um no chão e outro "na pontinha", são OS DOIS pés plantados no chão) com a moto parada. Então, manobrar a girafa (principalmente para estacionar) não é algo tão complicado quanto pareceria a princípio.
2 - Esterça muito bem, ou seja, consigo estacionar a girafa na minha vaga de garagem, 90 graus e encostada na parede, sem ter que recorrer a artifícios como carrinhos de manobra e afins (uso praticamente obrigatório nas jacas para estacionar na mesma posição se tiver carro nas duas vagas do lado). O peso baixo (275kg - lembrem que estou acostumado a andar numa moto que pesa 430kg) torna isso uma brincadeira de criança, mesmo com a altura extra.
3 - Torque: O motor 1200 "a ar" da GS é bem torcudo, desde os baixos giros dá pra sentir o motor empurrando bem a moto, mesmo com garupa. Para eu que venho de jaca com motor V2, é algo a considerar.
4 - Autonomia (autonomia, não consumo): Viva o tancão de 34 litros... [emoji38] a moto é capaz de fazer, aqui dentro de Brasília, 450km entre abastecimentos. Isso significa, no uso diário, 2 semanas sem parar para abastecer (não contando passeios de fim de semana). Estou com a moto há aproximadamente 8 dias (220km) e o tanque ainda nem chegou à metade. OK, vão me dizer, "qualquer fazer 250 faz isso", mas eu nunca gostei de "motorzinho", economia de combustível não é prioridade pra mim (consumo médio no computador de bordo tá similar ao da maxi-jaca, em torno de 14-15 dentro da cidade com algumas vias expressas pelo caminho)... de nada adianta ter uma moto econômica e que não me dá gosto em pilotar. Se fosse só pra economizar dinheiro eu andava de busão e metrõ.
5 - ESA: Nada melhor que ajustar a pré-carga da suspensão sem precisar de bombinha, ferramenta, ou qualquer badulaque desses. Tá certo que se essa merda der defeito deve custar os olhos da cara pra arrumar, mas que é prático ajustar isso com um botãozinho no guidão, isso é.
6 - Dissipação térmica do motor: Perfeita para um motor 1200 refrigerado ar-óleo, eu que tou acostumado a andar de jaca V2, parece que estou andando em moto com ar-condicionado... [emoji38]
7 - Construção geral da moto: a moto tem 80.000km e, pra mim, salvo pequenos arranhões, parece nova em folha. Tá certo que o cuidado do ex-dono ajuda nisso, mas a qualidade construtiva da moto conta. Não bate nada.
8 - Embreagem hidráulica: uma manteiga. A leveza me lembra da embreagem (a cabo) da Indian Scout e da própria HD Heritage 2018 (a da Indian Chief/Roadmaster é mais pesada, e as hidráulicas das HD maiores é mais pesada ainda).
Pontos "neutros"
1 - No trânsito: Tá certo, a GSA é um puta trambolho, mas lembrem-se que eu tô acostumado a andar de jaca e maxi-jaca, então pra mim ela é uma bicicletinha no trânsito, desde que as malas laterais fiquem em casa. Sem as malas laterais (usando só o bauleto traseiro que é mais que suficiente pro dia-a-dia) ela é ágil e prática (respeitado o seu tamanho); COM as malas laterais, ela é mais difícil de pilotar no trânsito que a Indian em igual configuração. Posso dizer que, pro meu perfil de uso, "empatou" (mesmo com a maior agilidade da BMW nas arrancadas). Se comparar com a HD, muda de figura: a Heritage (pra mim) ainda era mais fácil de tocar na cidade (leia-se corredores) que a girafa. Mas a girafa tem a ENORME vantagem da visibilidade à frente em virtude da posição elevada de pilotagem.
2 - Vibração: Em lenta parece uma HD Dyna... kkkk dá ver a olho nu a vibração da moto cara. Assim como a HD, andando fica liso.
3 - Comandos de punhos: em que pese a Indian usar comandos padrão "internacional" (isto é, comando de seta integralmente no punho esquerdo), o sistema da BMW lembra muito o das HD, então a adaptação foi fácil. Só de vez em quando me atrapalho com a posição estranha da buzina (quando comparada às motos que estou acostumado, HD e Indian, entenda-se - em ambas o botão de buzina é mais "elevado" no punho) e, principalmente, com o "cancelador de seta" (nas HD usa-se o mesmo botão que aciona para desligar a seta). Achei que o cancelamento automático demora demais.
Pontos negativos:
1 - Garupa: Sim, a patroa detestou. Além de achar o banco duro pra caramba, detestou o fato de ter de "escalar" a moto. Não tem jeito, depois que acostumou com jaca touring não tem como voltar atrás.
2 - Posição de pilotagem: Achei o guidão muito afastado, o que me obriga a pilotar meio curvado para a frente o que me gera dores nas costas em pouco menos de 30 minutos. Nada que um jogo de risers não resolva (eu tenho usado nesses dias aquelas camisetas de compressão, que ajudam a corrigir a postura e amenizam bastante o incômodo). Em contrapartida as pedaleiras são um tiquinho menos recuadas que da Tiger Sport, então ela não me dá a dor na região ciática que a Tiger dava. E, por fim, o banco do piloto realmente amassa os bagos. Pra quem está acostumado a pilotar sentado e com as pernas lá pra frente, incomoda. Duvido conseguir fazer nessa moto 1100km como fiz na Indian, sem chegar quebrado. Talvez até faça, mas chegando moído ao destino.
3 - posso dizer que a quase totalidade de minhas raras viagens passa perto de SP. Então, é um alvo de tiro amarrado nas costas, principalmente considerando que eu nunca viajo em grupo, sempre sozinho. Nesse aspecto a Indian é imbatível: ninguém quer roubar aquela porra... [emoji38] (tenho um "causo" de um dono de scout que escapou duas vezes de assalto, mandaram encostar, quando viram o que era mandaram embora).
Outros aspectos que valem mencionar:
1 - No início, achei que a moto era "certinha demais" e totalmente sem graça, sem sal. A moto foi me conquistando aos poucos, com a convivência diária. Acho que o que me faltava era pegar "confiança" em pilotá-la e entender a diferença de comportamento entre o boxer e os v-twin a que estou acostumados;
2 - Ainda não testei em rodovia aberta, por pura falta de chance. Mas peguei alguns trechinhos de via expressa que se assemelham a estrada, apesar de perder no conforto geral para a Indian me passou uma boa sensação de segurança e estabilidade.
3 - tá certo, é uma moto de 6 anos atrás... mas senti falta de um cruise control ("piloto automático"). Se eu resolver usar essa moto em viagem algum dia, vou ter que instalar um, nem que seja aqueles kits mecânicos da touratech.
Não testei ainda:
1 - estrada aberta (só algumas vias expressas que se assemelham a rodovias mas ainda tem algum movimento típico urbano)
2 - modos de pilotagem
3 - desligar o ABS
4 - pilotagem no off-road
Resumo da ópera:
Venderia a maxi-jaca pra ficar com a GSA? Nem a pau. Se eu fosse obrigado a escolher apenas uma das duas, eu ficaria com a maxi-jaca sem pensar duas vezes. A Indian Roadmaster é a "minha moto" por definição.
Ficaria com as duas, deixando a maxi-jaca como "segunda" moto para diversão/viagens/passeios com a patroa e essa como "principal" (por "principal" entenda-se a que uso mais): Por mais exagerada que a proposta pareça, sim, talvez. De fato, tô considerando isso.
O mundo realmente ideal pra mim: Trocar a girafa numa girafinha de 650/800cc de menor valor (até 30k).
Vendi uma das jacas (a Heritage 2018) e peguei na troca uma GSA 1200 2012/13.

Por que "GSA 1200 'raiz'" ? É das últimas 100% ar-óleo, é das últimas que torciam todas quando acelerava parada... as mais recentes já tem refrigeração líquida e não se torcem todas ao acelerar paradas em neutro.
Primeiro, tenham em mente que eu sou um "jaqueiro" contumaz, gosto de jaca, viajei pro Uruguai de maxi-jaca (Indian)...a última "trail" (nem tanto) que tive foi a Tiger Sport 1050 que vendi pro PriesT no começo do ano (e que, na real, nem rodei muito com a moto). Então vou tentar fazer uma avaliação "desapaixonada" aqui.
Nos últimos dias tô andando só na GSA. A Indian, apesar de mais de um mês de volta de viagem, ainda não concluiu os "reparos pós-viagem" (que estão andando a passo de tartaruga, por conta de terceiros). E como começou a temporada de seca aqui, deixei o carro em casa esses dias e andei só de moto.

Então vamos lá.
Pontos positivos:
1 - A moto é (bem) alta, mas eu consigo plantar os dois pés no chão: A GSA 1200 foi uma moto que sempre me "intimidou", e devo dizer que me surpreendeu POSITIVAMENTE o fato de eu conseguir plantar os dois pés no chão (isto é, não é um no chão e outro "na pontinha", são OS DOIS pés plantados no chão) com a moto parada. Então, manobrar a girafa (principalmente para estacionar) não é algo tão complicado quanto pareceria a princípio.
2 - Esterça muito bem, ou seja, consigo estacionar a girafa na minha vaga de garagem, 90 graus e encostada na parede, sem ter que recorrer a artifícios como carrinhos de manobra e afins (uso praticamente obrigatório nas jacas para estacionar na mesma posição se tiver carro nas duas vagas do lado). O peso baixo (275kg - lembrem que estou acostumado a andar numa moto que pesa 430kg) torna isso uma brincadeira de criança, mesmo com a altura extra.
3 - Torque: O motor 1200 "a ar" da GS é bem torcudo, desde os baixos giros dá pra sentir o motor empurrando bem a moto, mesmo com garupa. Para eu que venho de jaca com motor V2, é algo a considerar.
4 - Autonomia (autonomia, não consumo): Viva o tancão de 34 litros... [emoji38] a moto é capaz de fazer, aqui dentro de Brasília, 450km entre abastecimentos. Isso significa, no uso diário, 2 semanas sem parar para abastecer (não contando passeios de fim de semana). Estou com a moto há aproximadamente 8 dias (220km) e o tanque ainda nem chegou à metade. OK, vão me dizer, "qualquer fazer 250 faz isso", mas eu nunca gostei de "motorzinho", economia de combustível não é prioridade pra mim (consumo médio no computador de bordo tá similar ao da maxi-jaca, em torno de 14-15 dentro da cidade com algumas vias expressas pelo caminho)... de nada adianta ter uma moto econômica e que não me dá gosto em pilotar. Se fosse só pra economizar dinheiro eu andava de busão e metrõ.
5 - ESA: Nada melhor que ajustar a pré-carga da suspensão sem precisar de bombinha, ferramenta, ou qualquer badulaque desses. Tá certo que se essa merda der defeito deve custar os olhos da cara pra arrumar, mas que é prático ajustar isso com um botãozinho no guidão, isso é.
6 - Dissipação térmica do motor: Perfeita para um motor 1200 refrigerado ar-óleo, eu que tou acostumado a andar de jaca V2, parece que estou andando em moto com ar-condicionado... [emoji38]
7 - Construção geral da moto: a moto tem 80.000km e, pra mim, salvo pequenos arranhões, parece nova em folha. Tá certo que o cuidado do ex-dono ajuda nisso, mas a qualidade construtiva da moto conta. Não bate nada.
8 - Embreagem hidráulica: uma manteiga. A leveza me lembra da embreagem (a cabo) da Indian Scout e da própria HD Heritage 2018 (a da Indian Chief/Roadmaster é mais pesada, e as hidráulicas das HD maiores é mais pesada ainda).
Pontos "neutros"
1 - No trânsito: Tá certo, a GSA é um puta trambolho, mas lembrem-se que eu tô acostumado a andar de jaca e maxi-jaca, então pra mim ela é uma bicicletinha no trânsito, desde que as malas laterais fiquem em casa. Sem as malas laterais (usando só o bauleto traseiro que é mais que suficiente pro dia-a-dia) ela é ágil e prática (respeitado o seu tamanho); COM as malas laterais, ela é mais difícil de pilotar no trânsito que a Indian em igual configuração. Posso dizer que, pro meu perfil de uso, "empatou" (mesmo com a maior agilidade da BMW nas arrancadas). Se comparar com a HD, muda de figura: a Heritage (pra mim) ainda era mais fácil de tocar na cidade (leia-se corredores) que a girafa. Mas a girafa tem a ENORME vantagem da visibilidade à frente em virtude da posição elevada de pilotagem.
2 - Vibração: Em lenta parece uma HD Dyna... kkkk dá ver a olho nu a vibração da moto cara. Assim como a HD, andando fica liso.
3 - Comandos de punhos: em que pese a Indian usar comandos padrão "internacional" (isto é, comando de seta integralmente no punho esquerdo), o sistema da BMW lembra muito o das HD, então a adaptação foi fácil. Só de vez em quando me atrapalho com a posição estranha da buzina (quando comparada às motos que estou acostumado, HD e Indian, entenda-se - em ambas o botão de buzina é mais "elevado" no punho) e, principalmente, com o "cancelador de seta" (nas HD usa-se o mesmo botão que aciona para desligar a seta). Achei que o cancelamento automático demora demais.
Pontos negativos:
1 - Garupa: Sim, a patroa detestou. Além de achar o banco duro pra caramba, detestou o fato de ter de "escalar" a moto. Não tem jeito, depois que acostumou com jaca touring não tem como voltar atrás.
2 - Posição de pilotagem: Achei o guidão muito afastado, o que me obriga a pilotar meio curvado para a frente o que me gera dores nas costas em pouco menos de 30 minutos. Nada que um jogo de risers não resolva (eu tenho usado nesses dias aquelas camisetas de compressão, que ajudam a corrigir a postura e amenizam bastante o incômodo). Em contrapartida as pedaleiras são um tiquinho menos recuadas que da Tiger Sport, então ela não me dá a dor na região ciática que a Tiger dava. E, por fim, o banco do piloto realmente amassa os bagos. Pra quem está acostumado a pilotar sentado e com as pernas lá pra frente, incomoda. Duvido conseguir fazer nessa moto 1100km como fiz na Indian, sem chegar quebrado. Talvez até faça, mas chegando moído ao destino.
3 - posso dizer que a quase totalidade de minhas raras viagens passa perto de SP. Então, é um alvo de tiro amarrado nas costas, principalmente considerando que eu nunca viajo em grupo, sempre sozinho. Nesse aspecto a Indian é imbatível: ninguém quer roubar aquela porra... [emoji38] (tenho um "causo" de um dono de scout que escapou duas vezes de assalto, mandaram encostar, quando viram o que era mandaram embora).
Outros aspectos que valem mencionar:
1 - No início, achei que a moto era "certinha demais" e totalmente sem graça, sem sal. A moto foi me conquistando aos poucos, com a convivência diária. Acho que o que me faltava era pegar "confiança" em pilotá-la e entender a diferença de comportamento entre o boxer e os v-twin a que estou acostumados;
2 - Ainda não testei em rodovia aberta, por pura falta de chance. Mas peguei alguns trechinhos de via expressa que se assemelham a estrada, apesar de perder no conforto geral para a Indian me passou uma boa sensação de segurança e estabilidade.
3 - tá certo, é uma moto de 6 anos atrás... mas senti falta de um cruise control ("piloto automático"). Se eu resolver usar essa moto em viagem algum dia, vou ter que instalar um, nem que seja aqueles kits mecânicos da touratech.
Não testei ainda:
1 - estrada aberta (só algumas vias expressas que se assemelham a rodovias mas ainda tem algum movimento típico urbano)
2 - modos de pilotagem
3 - desligar o ABS
4 - pilotagem no off-road
Resumo da ópera:
Venderia a maxi-jaca pra ficar com a GSA? Nem a pau. Se eu fosse obrigado a escolher apenas uma das duas, eu ficaria com a maxi-jaca sem pensar duas vezes. A Indian Roadmaster é a "minha moto" por definição.
Ficaria com as duas, deixando a maxi-jaca como "segunda" moto para diversão/viagens/passeios com a patroa e essa como "principal" (por "principal" entenda-se a que uso mais): Por mais exagerada que a proposta pareça, sim, talvez. De fato, tô considerando isso.
O mundo realmente ideal pra mim: Trocar a girafa numa girafinha de 650/800cc de menor valor (até 30k).


