Faceiro feito pinto no lixo - UP Tiger
Enviado: 22 Out 2017, 20:32


Após um estágio de 2 anos e meio com HDs realizei o desejo de encontrar uma moto multiuso que dá sorrisão no rosto. Eu tinha muito receio de andar com motos trail pois tive três péssimas experiências com o estilo: Falcon, V-Strom 1000 e Varadero nessa ordem. Em todas elas me arrependi da compra nos primeiros 50 km rodados pois a lombar reclamava veementemente sendo na Strom a pior experiência, literalmente de chorar.
Depois da Varadero eu tinha decidido que não ia mais tentar esse estilo. Eis que no final do ano passado fiz um test ride curto numa GS Premium e opa, "parece que essa moto é uma big trail diferente". Blz, tentei negociar minha HD mas na época a proposta ficou aquém das minhas possibilidades. A intenção inicial era partir para uma BM seguindo o mantra tão repetido pelo Russo mas o salto em termos financeiros não permitia tal movimento.
Nesse meio tempo surgiu a viagem para a Argentina junto com o amigo Roger e resolvi me arriscar, toquei o foda-se e comprei uma Tenere 250 para a empreitada. Mesmo problema das demais trails, lombar gritava. Investi num banco pedrinho rebaixado, botei airhawk, protetor de motor com pedaleira e durante toda a viagem tinha uma mala de garupa para apoio, desta maneira fiz 5.400 km em 12 dias sendo que num deles foram quase 900 direto. OU seja, com algumas adaptações eu consegui me virar com uma trail. Na Falcon eu não havia tentado qualquer alteração, na V-Strom botei almofada de gel e na Varadero um guidão mais baixo, nenhuma delas me deu a posição menos dolorida que encontrei na Tenere e isso me motivou a tentar novamente uma trail "moderna", pois os projetos V-Strom 1000 antiga e Varadero eram antigos e com ergonomia bem diferente da GS, ST e TEX.
A GS e TEX tem uma ergonomia muito próxima da B-King que foi a moto com a qual melhor me acertei quando se fala em conforto ao rodar, foquei nesses dois modelos embora tenha tentado uma negociação sem sucesso numa ST Standard 2016 zero.
Troquei alguns e-mails com o Marcus, pesquisei sobre BMW e tava praticamente decidido por ela mas a venda da HD tava difícil. Eis que a Triumph fez uma proposta legal na XR e com um investimento bem menor que numa GS zero acabei optando pela XR 2017.
Sobre a moto:
Sair de uma Electra de 450 kg e subir numa TEX dispensa comentários, é óbvio que a primeira impressão é ótima e ela se confirmou após 250 km rodados entre ontem e hoje sendo uns 40 de off.
Motor
Tesão, elástico e com uma faixa útil bem ampla. Está sendo difícil respeitar o período de amaciamento e não passar dos 6.000 rpm, meu lado vader renasceu. Acelarador ride by wire que tem um pequeno gap na resposta mas nada que comprometa a experiência, ela demora um peteleco para acelarar com vontade mas quando começa não para mais. Como está amaciando não pude exigir como se deve mas até agora só elogios, nada a reclamar. As poucas ultrapassagens que fiz foram comportadas.
Ergonomia
Quase perfeita, como já dito é similar à B-King e isso pra mim é sinônimo de conforto, corpo levemente inclinado com pernas não tão dobradas permitem a devida distribuição de peso sem onerar nenhuma parte em específico. Único senão fica pro conta do banco com espuma um tanto rígida demais e inclinação duvidosa para frente que fica jogando o corpo nessa direção, nada absurdo mas algo perceptível. Esse problema sem dúvida será resolvido em longas viagens colocando o banco na posição mais baixa e utilizando a airhawk. Embaixo do banco do garupa tem um espaço legal para levar carteira, celular e até um par de luvas.
Proteção aerodinâmica
Muito boa, quando diexo a bolha na posição mais alta é bem satisfatória e com um certo nível de ruído no capacete, se baixar ela o ruído fica muito maior. Como o ajuste é elétrico e rápido optei por andar no nível baixo na cidade e fora de estrada e nível mais alto na estrada. Adotei essa estratégia pois no nível mais alto ela bate devido à uma folga no mecanismo, essa batida ocorre em terrenos ruis como paralelepípedos e estradas de terra com pedra. Procurei pela Air flow mas a Givi ainda não lançou para esse modelo.
Suspensão
Show de bola, WP na frente e atrás mas não tem o TSAS, as regulagens da suspensão dianteiras são muito simples com borboletas e da traseira com uma chave sextavada de 5 mm e uma de fenda. Totalmente reguláveis permitem ajustes finos, deixei bem próximo do mais molenga e ainda assim a moto está muito gostosa para curvar e permite conforto em ruas e estradas ruins bem como no fora de estrada. Se deixar mais rígidas ela vira uma esportiva por completo.
Fora de estrada
Garantia de sorriso no rosto, botei 100 km/h nessa estrada aí da foto. Eu ainda não sabia desligar o CT e tomei alguns sustos pois a moto cortava quando pegava saliências ou buracos. Semana que vem vou desligar o troço e brincar um pouco, deve ficar mais divertido ainda. Claro que não é uma Tenere 250 que o cara mete sem medo em qualquer lugar mas fiz o mesmo trajeto com ambas e tive praticamente o mesmo desempenho, ou seja, se uma tenere me levou por 500 km de rípio na Argentina certamente a TEX também levará.
Resumindo, essa moto faz o cara sorrir dentro do capacete. Reúne desempenho com suspensões muitos boas (inferior à BMW diga-se de passagem).
Problemas/críticas
- Vibração nos espelhos entre 3.000 e 4.000 rpm
- Espuma do banco
- Inclinação do banco
Não lembro de mais nada que desabone.
Luigi, sobre os protetores vou botar Acerbis Dual Road igual ao que eu tinha na B-King. Acho mais bonito que esses troços de big trail.
Minha próxima viagem maior talvez seja no Carnaval e até lá pretendo botar protetor de motor com pedaleira e top case, como só vou viajar sozinho longas distâncias não penso em botar os laterais pois deixam a moto muito larga.
Era isso, se alguém tiver alguma pergunta fique à vontade.
Tô felizão com a moto!