Previsões do Tio Russo para 2008... texto nada agradável...
Enviado: 02 Jan 2008, 21:34
Ae Kamerads:
Andei pesquisando sobre acidentes envolvendo motociclstas e encontrei diversos estudos realizados, em sua maioria, em Universidades. Em especial, me chamara atenção as pesquisas feitas pela equipe da Epidemiologia da UnB, encabeçadas por Luciano Farage, as pesquisas desenvovidas por Maria Sumie Koizumi, da Escola de Enfermagem da USP e a pesquisa de Eurico Roberto Willemann, da UFSC.
Vou tentar condensar e resumir aqui o que lí nesses trabalhos.
Segundo dados do DENATRAN, ABRACICO e FENABRAVE, no final de 2007 a frota brasileira de motocicletas ultrapassou a casa de 11 milhões de unidades.
Os registros oficiais de acidentes de trânsito mostram que, desde o ano de 2000 cerca de 9% das motos em circulação envolvem-se anualmente em algum tipo de acidente e que cerca de 2% das motos em circulação envolvem-se em acidentes com vítimas (entende-se, aqui, por vítimas, aqueles casos fatais ou os que requerem internação em estabelecimento hospitalar por no mínimo, 24 horas, tanto do piloto quanto de garupa ou de terceiros).
Os registros mostram também que, anualmente, ocorre um caso de morte por acidente motociclístico para cada 600 motos em circulação.
Fazendo umas contas rápidas, chego à conclusão que, no ano de 2008 teremos nada mais, nada menos do que cerca de 1 milhão de acidentes de trânsito envolvendo motocicletas no Brasil, os quais causarão cerca de 214.000 internações e cerca de 18.000 óbitos.
Com base nos pesquisadores citados, o perfil históricos desses acidentados é o seguinte:
- 87% deles são do sexo masculino;
- 86% deles estão situados abaixo dos 40 anos de idade, sendo que 63% deles tem entre 18 e 24 anos e 4% estáo abaixo dos 18 anos.
- 16% deles serão garupas
Quanto às motos envolvidas nos acidentes:
- 85% delas são de até 125 cc
- 11% delas são de 125 a 200 cc
- 04% delas são acima de 200 cc
- 53% delas tem até 3 anos de uso
- 47% delas tem acima de 3 anos de uso
Ainda com base nos dados apresentados, as circustâncias dos acidentes serão as seguintes:
- 24% dos acidentados estarão alcoolizados;
- 77% dos acidentes ocorrerá durante o dia, sem chuva;
- 28% dos acidentados não estará usando capacete (21% no Sul/Sudeste e 36% no Norte/Nordeste/Centro-Oeste);
Como já foi dito, esses acidentes provocarão mais de 214 mil internações e mais de 18 mil óbitos, sendo que umas 8 mil dessas mortes serão instantâneas, outras 7 mil ocorrerão dentro das 24 horas seguintes ao acidente e o restante, em até 72 horas após o acidente. A maioria dessas mortes, cerca de 95%, terá como causa o trauma encéfalo-craneano (TEC*).
* Andreoli et al (1990, p. 693) relata que: As forças de aceleração-desacelerção recebidas no momento do impacto causam a maior parte das lesões cerebrais produzidas no traumatismo crânio-encefálico fechado. Quando, por exemplo, devido à aceleração anterógrada, a cabeça se choca no painel imóvel do carro em alta velocidade, a inércia leva o cérebro gelatinoso para frente, lesando as estruturas tanto sobre o ponto da lesão quanto do pólo oposto, a 180 graus de distância (contra-golpe). Nestas circunstâncias, a presença ou ausência de uma fratura é relativamente irrelevante; o que conta contra o paciente é o grau com as forças implosivas-explosivas produziram a lesão capilar e neuronal no cérebro (lesão de pequenos vasos e nervos), resultante dos intensos movimentos rotacionais no momento do traumatismo, e quanto da substância branca sofreu cisalhamento.
As internações terão como causas as seguintes lesões, decorrentes dos acidentes motociclísticos;
- Membros inferiores e pelve: 30,00%
- Cabeça: 21,50%
- Membros superioes: 12,00%
- Face: 10,70%
- Abdômen: 4,50%
- Tórax: 2,00%
- coluna e pescoço: 1,50%
- Outras lesões: 17,80%
No entanto, cerca de 40% das vítimas desses acidentes motociclísticos apresentarão um quadro de múltiplas lesões (cabeça, membros, coluna, etc). E o interessante é que cerca de 46% das pessoas que tiveram lesões na cabeça "estariam usando capacetes".
Um pouco mais acima, relato que cerca de 28% das vítimas de acidentes com moto não estará usando capacete, aproximadamente umas 60.000 pessoas. Logo, teremos umas 160.000 pessoas acidentadas usando capacete. Ao analisarem as estatísticas de motociclistas mortos por TEC com e sem capacete, os pesquisadores notaram um dado interessante: as diferenças entre o número de mortos é inferior a 1%, o que me leva a concluir que:
1. dependendo do impacto, da violência do choque, o uso ou não do capacete não faz diferença;
2. em 2008 irão morrer vitimadas por TEC, instantâneamente ou nas 72 horas que se seguirem ao acidente, cerca de 8.400 motociclistas sem capacete e 8.000 motociclistas com capacete.
3. considerando que o número de pessoas que se envolve em acidentes estando de capacete é muito superior ao dos que não o usavam, concluo que usar o capacete é quase 300% mais seguro que não o usar.
Outro fato interessante é que nas pesquisas que estudei, ficou comprovado que a ocorrência de trauma facial, principalmente fraturas nas mandíbulas, destruição de tecidos moles e perda de dentes) é cerca de 10 vezes maior quando se sofre um acidente motociclístico sem capacete ou usando-o inadequadamente.
Outro detalhe igualmente curioso é que, entre os moto-boys, a ocorrência de trauma facial em acidentes é de cerca de 50%, o que denota o não uso ou o uso inadequando do capacete.
Voltando cinco parágrafos, até o ítem 1, logo acima, ironicamente concluo que, se falecer em um acidente de moto por consequência de TEC, usando capacete pelo menos o meu rosto estará preservado para fazer "boa figura no caixão.
Mas, chega de falar de mortes e de mortos Kamerads. Vou falar agora dos sobreviventes:
Depois de um período de internação que poderá variar, segundo as estatísticas, de 6 a 118 dias, o sobrevivente de um acidente motociclístico terá pela frente um período de recuperação, que irá variar de um a seis meses, podendo, no entanto, chegar a ultrapassar os 18 meses nos casos mais graves.
Em muitos casos, no entanto, a recuperação não é total: em 16% dos casos as vítimas de acidentes de moto guardam sequelas que as tornas inválidas temporariamente, sendo afastadas da vida laborial por um período que em média dura 6 meses e 5% dessas vítimas tornam-se inválidas permanentes.
Sendo assim, além dos 18 mil mortos em acidentes motociclísticos que teremos em 2008, teremos ainda cerca de 36 mil pessoas que se verão incapacitadas de trabalhar por um bom período e outras 11 mil que nunca mais poderão andar. Se considerarmos que, conforme consta no início deste texto, 67% dos envolvidos em acidentes de moto ainda não atingiram os 24 anos de idade, no ano de 2008 veremos, com muita tristeza, cerca de 7.000 jovens condenados a passar os próximos 10, 20, 40 anos presos a uma cama ou a uma cadeira de rodas.
Caríssimos Kamerads:
Perdoem-me por, nesse início de ano, expô-los à crueza das estatísticas.
Mas assim o fiz porque os estimo muito!
Um abraço a todos e lembrem-se: basta a menor distração, o menor discuido, para nos tornarmos parte dessas trágicas estatísticas.
Andei pesquisando sobre acidentes envolvendo motociclstas e encontrei diversos estudos realizados, em sua maioria, em Universidades. Em especial, me chamara atenção as pesquisas feitas pela equipe da Epidemiologia da UnB, encabeçadas por Luciano Farage, as pesquisas desenvovidas por Maria Sumie Koizumi, da Escola de Enfermagem da USP e a pesquisa de Eurico Roberto Willemann, da UFSC.
Vou tentar condensar e resumir aqui o que lí nesses trabalhos.
Segundo dados do DENATRAN, ABRACICO e FENABRAVE, no final de 2007 a frota brasileira de motocicletas ultrapassou a casa de 11 milhões de unidades.
Os registros oficiais de acidentes de trânsito mostram que, desde o ano de 2000 cerca de 9% das motos em circulação envolvem-se anualmente em algum tipo de acidente e que cerca de 2% das motos em circulação envolvem-se em acidentes com vítimas (entende-se, aqui, por vítimas, aqueles casos fatais ou os que requerem internação em estabelecimento hospitalar por no mínimo, 24 horas, tanto do piloto quanto de garupa ou de terceiros).
Os registros mostram também que, anualmente, ocorre um caso de morte por acidente motociclístico para cada 600 motos em circulação.
Fazendo umas contas rápidas, chego à conclusão que, no ano de 2008 teremos nada mais, nada menos do que cerca de 1 milhão de acidentes de trânsito envolvendo motocicletas no Brasil, os quais causarão cerca de 214.000 internações e cerca de 18.000 óbitos.
Com base nos pesquisadores citados, o perfil históricos desses acidentados é o seguinte:
- 87% deles são do sexo masculino;
- 86% deles estão situados abaixo dos 40 anos de idade, sendo que 63% deles tem entre 18 e 24 anos e 4% estáo abaixo dos 18 anos.
- 16% deles serão garupas
Quanto às motos envolvidas nos acidentes:
- 85% delas são de até 125 cc
- 11% delas são de 125 a 200 cc
- 04% delas são acima de 200 cc
- 53% delas tem até 3 anos de uso
- 47% delas tem acima de 3 anos de uso
Ainda com base nos dados apresentados, as circustâncias dos acidentes serão as seguintes:
- 24% dos acidentados estarão alcoolizados;
- 77% dos acidentes ocorrerá durante o dia, sem chuva;
- 28% dos acidentados não estará usando capacete (21% no Sul/Sudeste e 36% no Norte/Nordeste/Centro-Oeste);
Como já foi dito, esses acidentes provocarão mais de 214 mil internações e mais de 18 mil óbitos, sendo que umas 8 mil dessas mortes serão instantâneas, outras 7 mil ocorrerão dentro das 24 horas seguintes ao acidente e o restante, em até 72 horas após o acidente. A maioria dessas mortes, cerca de 95%, terá como causa o trauma encéfalo-craneano (TEC*).
* Andreoli et al (1990, p. 693) relata que: As forças de aceleração-desacelerção recebidas no momento do impacto causam a maior parte das lesões cerebrais produzidas no traumatismo crânio-encefálico fechado. Quando, por exemplo, devido à aceleração anterógrada, a cabeça se choca no painel imóvel do carro em alta velocidade, a inércia leva o cérebro gelatinoso para frente, lesando as estruturas tanto sobre o ponto da lesão quanto do pólo oposto, a 180 graus de distância (contra-golpe). Nestas circunstâncias, a presença ou ausência de uma fratura é relativamente irrelevante; o que conta contra o paciente é o grau com as forças implosivas-explosivas produziram a lesão capilar e neuronal no cérebro (lesão de pequenos vasos e nervos), resultante dos intensos movimentos rotacionais no momento do traumatismo, e quanto da substância branca sofreu cisalhamento.
As internações terão como causas as seguintes lesões, decorrentes dos acidentes motociclísticos;
- Membros inferiores e pelve: 30,00%
- Cabeça: 21,50%
- Membros superioes: 12,00%
- Face: 10,70%
- Abdômen: 4,50%
- Tórax: 2,00%
- coluna e pescoço: 1,50%
- Outras lesões: 17,80%
No entanto, cerca de 40% das vítimas desses acidentes motociclísticos apresentarão um quadro de múltiplas lesões (cabeça, membros, coluna, etc). E o interessante é que cerca de 46% das pessoas que tiveram lesões na cabeça "estariam usando capacetes".
Um pouco mais acima, relato que cerca de 28% das vítimas de acidentes com moto não estará usando capacete, aproximadamente umas 60.000 pessoas. Logo, teremos umas 160.000 pessoas acidentadas usando capacete. Ao analisarem as estatísticas de motociclistas mortos por TEC com e sem capacete, os pesquisadores notaram um dado interessante: as diferenças entre o número de mortos é inferior a 1%, o que me leva a concluir que:
1. dependendo do impacto, da violência do choque, o uso ou não do capacete não faz diferença;
2. em 2008 irão morrer vitimadas por TEC, instantâneamente ou nas 72 horas que se seguirem ao acidente, cerca de 8.400 motociclistas sem capacete e 8.000 motociclistas com capacete.
3. considerando que o número de pessoas que se envolve em acidentes estando de capacete é muito superior ao dos que não o usavam, concluo que usar o capacete é quase 300% mais seguro que não o usar.
Outro fato interessante é que nas pesquisas que estudei, ficou comprovado que a ocorrência de trauma facial, principalmente fraturas nas mandíbulas, destruição de tecidos moles e perda de dentes) é cerca de 10 vezes maior quando se sofre um acidente motociclístico sem capacete ou usando-o inadequadamente.
Outro detalhe igualmente curioso é que, entre os moto-boys, a ocorrência de trauma facial em acidentes é de cerca de 50%, o que denota o não uso ou o uso inadequando do capacete.
Voltando cinco parágrafos, até o ítem 1, logo acima, ironicamente concluo que, se falecer em um acidente de moto por consequência de TEC, usando capacete pelo menos o meu rosto estará preservado para fazer "boa figura no caixão.
Mas, chega de falar de mortes e de mortos Kamerads. Vou falar agora dos sobreviventes:
Depois de um período de internação que poderá variar, segundo as estatísticas, de 6 a 118 dias, o sobrevivente de um acidente motociclístico terá pela frente um período de recuperação, que irá variar de um a seis meses, podendo, no entanto, chegar a ultrapassar os 18 meses nos casos mais graves.
Em muitos casos, no entanto, a recuperação não é total: em 16% dos casos as vítimas de acidentes de moto guardam sequelas que as tornas inválidas temporariamente, sendo afastadas da vida laborial por um período que em média dura 6 meses e 5% dessas vítimas tornam-se inválidas permanentes.
Sendo assim, além dos 18 mil mortos em acidentes motociclísticos que teremos em 2008, teremos ainda cerca de 36 mil pessoas que se verão incapacitadas de trabalhar por um bom período e outras 11 mil que nunca mais poderão andar. Se considerarmos que, conforme consta no início deste texto, 67% dos envolvidos em acidentes de moto ainda não atingiram os 24 anos de idade, no ano de 2008 veremos, com muita tristeza, cerca de 7.000 jovens condenados a passar os próximos 10, 20, 40 anos presos a uma cama ou a uma cadeira de rodas.
Caríssimos Kamerads:
Perdoem-me por, nesse início de ano, expô-los à crueza das estatísticas.
Mas assim o fiz porque os estimo muito!
Um abraço a todos e lembrem-se: basta a menor distração, o menor discuido, para nos tornarmos parte dessas trágicas estatísticas.