Transamazônica 2013 - Chegadeira
Enviado: 31 Out 2013, 12:31
Olá amigos.
Ainda não acabei de escrevinhar tudo. Porém, acho que já dá para ir postando alguma coisa em capítulos, para não ficar cansativo.
Toda e qualquer crítica, observaçõs ou correções serão muito bem-vindas.
Transamazônica 2013
Começando a viagem
Iniciamos a viagem dia sete de setembro, um sábado, às 07:30h, deixando a namorada e os amigos que vieram se despedir na largada no posto de gasolina da Av. Bezerra de Meneses onde costumamos marcar as saídas quando viajamos partindo de Fortaleza pelo lado oeste.
Eu e Marcelo combinamos uma tocada entre 6 e 7 mil giros em sexta marcha nas Tènèrès 250, o que significava uma velocidade entre 90 e 110 km por hora. O Joarez teria que ter paciência com sua Tènèrè 660, que anda muito mais que nossas pequenas guerreiras.
Para as férias deste ano, minha programação inicial era viajar na confortável e potente BMW 1200 GS com a namorada na garupa rumo a Brasília e demais destinos na Região Sudeste. No entanto, Marcelo Teles me convenceu a mudar radicalmente de ideia com o seguinte e conciso argumento: Quando é que você vai ter companhia, saúde e disposição para fazer uma viagem cheia de percalços como esta num futuro incerto? Marcelão é mesmo um grande vendedor. Mesmo sem dar certeza de que iria, comprei a motocicleta que consideramos adequada e começamos a planejar. Lemos e relemos tudo a respeito do roteiro, dos perigos e das provações que outros motociclistas passaram em viagens semelhantes pela Região.
A preparação das Tenerinhas foi basicamente a colocação de para-lamas alto na dianteira, protetores de mão, protetores laterais tipo slider e plastificação das carenagens do tanque de gasolina. Além de pneus adequados. Mantivemos as medidas originais. Eu preferi os mistos Pirelli MT60 montados em aros de alumínio originais da Honda XR300. Já o Marcelo, seguindo orientação do Lourinho (melhor especialista em pneus e aros que conheço), calçou sua “Terezinha” com os Pirelli Rally, que eram biscoitudos tipo cross e que eu achava seriam rapidamente comidos pelo asfalto e que não chegariam a Marabá. Joarez, cuja moto já possuía boas proteções laterais usou pneus Metzeller Tourance atrás e Michelin Sirac na frente.
Para fotografar levei minha Nikon D5100 com lente 18-300mm e uma pequena e fiel Sony H55. A Nikon ficaria no bauleto protegida dentro de uma sacola própria e em meio as roupas e só seria usada em momentos especiais, principalmente na planejada navegação pelo rio Amazonas. A Sony iria comigo, no bolso da jaqueta, para fotografar tudo que fosse possível no caminho.
Joarez escrevendo:
"Dois meninos pequenos - uma com 3 meses e o outro com 1 ano e dez meses - fizeram com que a decisão sobre a viagem ficasse "sub-judice" da patroa até o último instante. Por isso, a moto foi basicamente do jeito que estava. Fiz uma revisão e comprei alguns itens sobressalentes para uma eventualidade. Se a chuva apertasse durante a viagem, necessariamente teria que trocar os pneus e rever as bagagens para aliviar o peso. Acabei chegando do jeito que sai, mas não sem pagar o preço...rsrs"
Como equipamento pessoal preferi usar calça jeans grossa, botas de cano médio e joelheiras, somados à jaqueta de cordura bem ventilada com boas proteções de ombos, cotovelos e coluna. O capacete foi o velho e bom Nolan com queixeira basculante. Marcelo optou de forma semelhante a mim mas, sabendo que haveria sol de proa, preferiu um capacete Bieffre fechado tipo cross com viseira e pala. Joarez adotou capacete igual ao do Marcelo, calça e botas de trilha e colete de proteção por sobre camiseta de mangas compridas que mandamos fazer especialmente para a viagem.
Joarez escrevendo:
"Onde o calor castigou para valer foi de Oeiras até Carolina. Daquele de Urubu voar só com uma asa para poder se abanar... Na região amazônica também estava muito quente, mas de vez em quando aparecia uma nuvem amiga ou árvores para aliviar. Tive pena do calorão que o Marcelo e Luiz passaram com aquelas jaquetas de cordura. Eu sofri no início porque estava sem protetor solar e o pescoço virou brasa com o Sol. Fui salvo pois, gentilmente, o Marcelão me arrumou um hidratante com fps 30. Pense numa alma caridosa...rsrsrs"
Entramos na BR 020, asfalto bom e velocidade monótona. O céu pincelado por nuvens em furta-cor de plúmbeo com branco, como a dizer ao ressecado sertão em ano de seca que tinham água, mas que por misteriosos desígnios não a soltaria ali.
Passamos por Canindé e seus mendigos de mão estendida na beira de estrada, rodamos um pouco mais e com 196,7 km no odômetro parcial paramos para abastecer em Madalena. O tanque da minha moto coube 7,89 litros de gasolina, perfazendo um consumo de 24,9 km/litro. A bota do Joarez começou a demostrar fadiga... E o capacete dele problema na viseira.
Assistindo um espécie de filme em velocidade alterada fomos cruzando a paisagem árida composta por pedras e arbustos com galhos secos e retorcidos, esqueletos de animais no acostamento, pontes sem rios, casebres sem reboco e pequenos açudes completamente secos. Com correr da manhã, o sol nordestino já mostrava a presença com um forte calor. Não sei como tanta gente teima em viver num lugar desses.
Marcelo sugeriu paradas a cada 300km. Sugeri a cada 2 horas aproximadamente e concordamos. Em Tauá, terra do bode, paramos mais uma vez para abastecimento das motos (25,3km/l), pipi, água e café.
Ao cruzarmos a divisa e entrarmos no Piauí, reparei substancial melhoria no aspecto das casas às margens da estrada. Logo senti o cheiro de caju no ar e percebi que a região era de fazendas de cajucultura. Bem ou mal, era o latifúndio melhorando a vida das pessoas.
Joarez perdeu a paciência com nosso ritmo, seguiu na frente depois de marcamos reencontro em Picos, 191,3km à frente, onde abastecemos as motos (23,2km/l) e descansamos um pouco nos refrescando com picolés e água. Eita calorzão brabo!
Joarez escrevendo:
"Não tive a paciência do Luiz para fazer a média de consumo da 660, mas sempre abasteci entre 1,5 a 2 litros a mais que as Tenerezinhas, com média superior a 20 Km/l. Com esse consumo a autonomia da moto bate pertinho de 500 Km - uma tranquilidade. Rodava a 4000 giros no ritmo dos companheiros... um tédio tremendo! Vez por outra precisava esticar as canelas da moto pra ela não se acostumar...rsrs. Foi assim praticamente até Humaitá - graças ao clima favorável. Em compensação na Estrada Fantasma levei o troco das pequenas ferozes....rsrsrs"
Por volta das quatro horas da tarde, 72km depois de Picos, chegamos a Oeiras, onde o grande motociclista Verô nos aguardava. Verô, que dentre inúmeras viagens de moto mundo afora, havia chegado de viagem semelhante a que começávamos cerca de 45 dias antes, e nos recebeu na casa dele, onde nos hospedou confortavelmente. Fomos levados pelo anfitrião a um city tour pela primeira capital do Piauí e ao anoitecer, sob a direção do irmão do Verô, já que ele mesmo não é de beber, fomos a um boteco nos reidratar com cervejas e repor os níveis proteicos com deliciosas codornas fritas, tudo isso acompanhado de ótima conversa sobre os mais diversos assuntos, inclusive viagens de motocicleta.
Depois de um bom café da manhã, nos despedimos do Verô com um forte abraço e, agora pela BR 230, seguimos viagem rumo a Carolina, no Maranhão.
Inté
Ainda não acabei de escrevinhar tudo. Porém, acho que já dá para ir postando alguma coisa em capítulos, para não ficar cansativo.
Toda e qualquer crítica, observaçõs ou correções serão muito bem-vindas.
Transamazônica 2013
Começando a viagem
Iniciamos a viagem dia sete de setembro, um sábado, às 07:30h, deixando a namorada e os amigos que vieram se despedir na largada no posto de gasolina da Av. Bezerra de Meneses onde costumamos marcar as saídas quando viajamos partindo de Fortaleza pelo lado oeste.
Eu e Marcelo combinamos uma tocada entre 6 e 7 mil giros em sexta marcha nas Tènèrès 250, o que significava uma velocidade entre 90 e 110 km por hora. O Joarez teria que ter paciência com sua Tènèrè 660, que anda muito mais que nossas pequenas guerreiras.
Para as férias deste ano, minha programação inicial era viajar na confortável e potente BMW 1200 GS com a namorada na garupa rumo a Brasília e demais destinos na Região Sudeste. No entanto, Marcelo Teles me convenceu a mudar radicalmente de ideia com o seguinte e conciso argumento: Quando é que você vai ter companhia, saúde e disposição para fazer uma viagem cheia de percalços como esta num futuro incerto? Marcelão é mesmo um grande vendedor. Mesmo sem dar certeza de que iria, comprei a motocicleta que consideramos adequada e começamos a planejar. Lemos e relemos tudo a respeito do roteiro, dos perigos e das provações que outros motociclistas passaram em viagens semelhantes pela Região.
A preparação das Tenerinhas foi basicamente a colocação de para-lamas alto na dianteira, protetores de mão, protetores laterais tipo slider e plastificação das carenagens do tanque de gasolina. Além de pneus adequados. Mantivemos as medidas originais. Eu preferi os mistos Pirelli MT60 montados em aros de alumínio originais da Honda XR300. Já o Marcelo, seguindo orientação do Lourinho (melhor especialista em pneus e aros que conheço), calçou sua “Terezinha” com os Pirelli Rally, que eram biscoitudos tipo cross e que eu achava seriam rapidamente comidos pelo asfalto e que não chegariam a Marabá. Joarez, cuja moto já possuía boas proteções laterais usou pneus Metzeller Tourance atrás e Michelin Sirac na frente.
Para fotografar levei minha Nikon D5100 com lente 18-300mm e uma pequena e fiel Sony H55. A Nikon ficaria no bauleto protegida dentro de uma sacola própria e em meio as roupas e só seria usada em momentos especiais, principalmente na planejada navegação pelo rio Amazonas. A Sony iria comigo, no bolso da jaqueta, para fotografar tudo que fosse possível no caminho.
Joarez escrevendo:
"Dois meninos pequenos - uma com 3 meses e o outro com 1 ano e dez meses - fizeram com que a decisão sobre a viagem ficasse "sub-judice" da patroa até o último instante. Por isso, a moto foi basicamente do jeito que estava. Fiz uma revisão e comprei alguns itens sobressalentes para uma eventualidade. Se a chuva apertasse durante a viagem, necessariamente teria que trocar os pneus e rever as bagagens para aliviar o peso. Acabei chegando do jeito que sai, mas não sem pagar o preço...rsrs"
Como equipamento pessoal preferi usar calça jeans grossa, botas de cano médio e joelheiras, somados à jaqueta de cordura bem ventilada com boas proteções de ombos, cotovelos e coluna. O capacete foi o velho e bom Nolan com queixeira basculante. Marcelo optou de forma semelhante a mim mas, sabendo que haveria sol de proa, preferiu um capacete Bieffre fechado tipo cross com viseira e pala. Joarez adotou capacete igual ao do Marcelo, calça e botas de trilha e colete de proteção por sobre camiseta de mangas compridas que mandamos fazer especialmente para a viagem.
Joarez escrevendo:
"Onde o calor castigou para valer foi de Oeiras até Carolina. Daquele de Urubu voar só com uma asa para poder se abanar... Na região amazônica também estava muito quente, mas de vez em quando aparecia uma nuvem amiga ou árvores para aliviar. Tive pena do calorão que o Marcelo e Luiz passaram com aquelas jaquetas de cordura. Eu sofri no início porque estava sem protetor solar e o pescoço virou brasa com o Sol. Fui salvo pois, gentilmente, o Marcelão me arrumou um hidratante com fps 30. Pense numa alma caridosa...rsrsrs"
Entramos na BR 020, asfalto bom e velocidade monótona. O céu pincelado por nuvens em furta-cor de plúmbeo com branco, como a dizer ao ressecado sertão em ano de seca que tinham água, mas que por misteriosos desígnios não a soltaria ali.
Passamos por Canindé e seus mendigos de mão estendida na beira de estrada, rodamos um pouco mais e com 196,7 km no odômetro parcial paramos para abastecer em Madalena. O tanque da minha moto coube 7,89 litros de gasolina, perfazendo um consumo de 24,9 km/litro. A bota do Joarez começou a demostrar fadiga... E o capacete dele problema na viseira.
Assistindo um espécie de filme em velocidade alterada fomos cruzando a paisagem árida composta por pedras e arbustos com galhos secos e retorcidos, esqueletos de animais no acostamento, pontes sem rios, casebres sem reboco e pequenos açudes completamente secos. Com correr da manhã, o sol nordestino já mostrava a presença com um forte calor. Não sei como tanta gente teima em viver num lugar desses.
Marcelo sugeriu paradas a cada 300km. Sugeri a cada 2 horas aproximadamente e concordamos. Em Tauá, terra do bode, paramos mais uma vez para abastecimento das motos (25,3km/l), pipi, água e café.
Ao cruzarmos a divisa e entrarmos no Piauí, reparei substancial melhoria no aspecto das casas às margens da estrada. Logo senti o cheiro de caju no ar e percebi que a região era de fazendas de cajucultura. Bem ou mal, era o latifúndio melhorando a vida das pessoas.
Joarez perdeu a paciência com nosso ritmo, seguiu na frente depois de marcamos reencontro em Picos, 191,3km à frente, onde abastecemos as motos (23,2km/l) e descansamos um pouco nos refrescando com picolés e água. Eita calorzão brabo!
Joarez escrevendo:
"Não tive a paciência do Luiz para fazer a média de consumo da 660, mas sempre abasteci entre 1,5 a 2 litros a mais que as Tenerezinhas, com média superior a 20 Km/l. Com esse consumo a autonomia da moto bate pertinho de 500 Km - uma tranquilidade. Rodava a 4000 giros no ritmo dos companheiros... um tédio tremendo! Vez por outra precisava esticar as canelas da moto pra ela não se acostumar...rsrs. Foi assim praticamente até Humaitá - graças ao clima favorável. Em compensação na Estrada Fantasma levei o troco das pequenas ferozes....rsrsrs"
Por volta das quatro horas da tarde, 72km depois de Picos, chegamos a Oeiras, onde o grande motociclista Verô nos aguardava. Verô, que dentre inúmeras viagens de moto mundo afora, havia chegado de viagem semelhante a que começávamos cerca de 45 dias antes, e nos recebeu na casa dele, onde nos hospedou confortavelmente. Fomos levados pelo anfitrião a um city tour pela primeira capital do Piauí e ao anoitecer, sob a direção do irmão do Verô, já que ele mesmo não é de beber, fomos a um boteco nos reidratar com cervejas e repor os níveis proteicos com deliciosas codornas fritas, tudo isso acompanhado de ótima conversa sobre os mais diversos assuntos, inclusive viagens de motocicleta.
Depois de um bom café da manhã, nos despedimos do Verô com um forte abraço e, agora pela BR 230, seguimos viagem rumo a Carolina, no Maranhão.
Inté



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