CBR600F - impressões
Enviado: 15 Abr 2012, 12:11

Desenho não é fotogênico e o fotógrafo é péssimo
-Desempenho na estrada
Antes de mais nada, quero dizer que gosto mesmo é de mamute, gosto de moto torcuda. Não é uma moto automática como a CB1300, que vc engata a última marcha e esquece... tem que cambiar, mas ela vai embora. A velocidade que consigo manter numa boa com ela é por volta de 160 km/h, a partir disto as coisas já começam a ficar mais radicais. Nos passeios com o pessoal, fica oscilando de 160 a 230. Máxima atingida foi de 245 km/h no painel, em declive. Se um sujeito de CBR600RR estiver com preguiça de cambiar, dá pra acompanhar de perto com a CBRF, mas caso o piloto da RR se animar, a F come poeira... com relação às 1000 cc, a CBRF passa vergonha.
Proteção aerodinâmica não é das melhores, ambas a 160, na Ninjinha ficava melhor protegido do vento do que na CBRF.
Mas no geral, não sei se é por me recordar da Blackbird e seu motor sem fim, ou mesmo da CB1300 e seu torque estúpido, sempre achei a Hornet manca. Foi um dos motivos de preferir a CBRF ao invés de Yamaha XJ6, Ninja 650 (ER6F) ou GSXF650 (esta tem o problema do peso mais elevado), pois se eu já achava a Hornet manca, com estas outras ficaria ainda pior.
-Retrovisores
Achei muito bons para uma carenada, consigo enxergar melhor que na Blackbird ou Ninjinha, talvez sejam melhores até que da CB1300 que eram muito próximos um do outro e do piloto. O defeito deles é serem feios que dói!

Retrovisores, feios mas eficientes
-Painel
Possui marcador de combustível, relógio, temperatura do motor, hodômetro total, hodômetro parcial A, hodômetro parcial B, consumo instantâneo em km/l, litros consumidos no hodômetro parcial A, consumo médio em km/l no hodômetro parcial A (dizem funcionar com ótima precisão).... mas não tem indicador de marchas e é todo digital, o que acho muito ruim.
Para enxergar o RPM é um lixo se comparado por exemplo à Ninjinha. Também falta um shift-light.

Painel, RPM de péssima visualização
-Faróis/Iluminação
Farol de médios a fraco, precisa de uma lâmpada mais potente, fica no mesmo patamar da Ninjinha, não é muito seguro viajar a noite. Péssima característica para uma “touring’.
Gosto do farol não ser "caolho" como muitas outras esportivas, ou seja, em luz baixa não fica um lado aceso e outro apagado, dando a impressão de lâmpada queimada.
Vem com pisca-alerta, acho que deveria ser item obrigatório em todas as motos. Mais segurança ao ficar na beira da pista esperando o pessoal, parar na sombra de pedágio...
Interessante a luz de freio ser independente da lanterna, ao frear acende-se na parte inferior da lente. Porém, a lanterna traseira acho pequena, chama pouco a atenção, é bom andar com uma jaqueta que tenha a costa bem visível para evitar abarroamento traseiro.
O farol se acende assim que a moto fica pronta para dar o start, o que acho ruim, a bateria dura menos e se esquecer a chave no contato thau carga da bateria.

Farol que carece de mais potência

Acionamento do pisca alerta
-Conforto/Ergonomia
O banco da Hornet 2012 está mais macio, além disso as suspensões da minha estão reguladas para maior maciez, gostei muito. Os semi-guidons mais baixos, que pode ser um transtorno para alguns, fazem muito bem para minha lombar. Apesar de sempre dizer que guidão baixo é muito melhor, terei de dar o braço a torcer e concordar com o mestre no assunto, Sr. Eclinck. A altura de guidão ideal acho mesmo que é a encontrada na GSXF 750 modelo Mônica, que é bem parecida com a da Ninjinha. Digamos que as manoplas da CBRF poderiam ficar uns 2 cm mais altas.
Apesar da bolha baixa, a moto é sim confortável, dá para andar a 140 km/h numa boa, e as pedaleiras não são tão recuadas, ou seja, os joelhos não ficam tão dobrados.
Como típica 4 canecos Honda, pouquíssima vibração no conjunto.
A carenagem desvia bem o ar quente das pernas na cidade, esquenta, mas não chega a assar a perna como em outras motos.
-Suspensões
Mexi quase nada nas suspensões, endureci um pouco e depois amoleci. Não sei como está regulada a Hornet 2010 do meu irmão, mas a Hornet modelo anterior parece ser muito mais dura, colabora para isto o banco mais duro da Hornet 2010. A CBRF não é um sofá sobre rodas como uma CB1300, mas filtra bem as imperfeições do asfalto.
As outras três CBRF que vão no grupo participaram de um curso no autódromo de Londrina, estavam com as susp. praticamente na posição mais dura possível, para andar em rodovia o pessoal reclamou e voltou para original.
-Garupa
A mulher gostou, o banco não é duro e as pedaleiras são bem baixas, além do assento não ser muito inclinado. Mas acho que falta espuma para uma viagem mais longa, uma almofada de gel ou Airhawk devem resolver, transformando-a numa garupa de primeira.
Para uma mulher mais bunduda, talvez a área da garupa seja pequena.

Garupa, área pequena
-Curvas
Quem já andou de Hornet sabe, é fácil dominar a moto, é fácil curvar com ela, curva com o pensamento. Com a posição do corpo mais a frente, acho mais fácil “mergulhar” nas entradas de curva que a Hornet. É fácil, não tem muita graça de domar como uma moto maior, mais pesada, mais torcuda. O banco com tecido deslizante permite fazer pêndulos com facilidade, já o tanque com pouca área não é o ideal para apoiar o anti-braço.
Vem calçada com pneus Bridgestone 120 na dianteira e 180 na traseira. Provavelmente a durabilidade é curta, mas gostei do grip.
-Freios
Creio que só vi funcionar o ABS pressionando o pedal uma vez, senti uma vibração. Talvez estivesse mal acostumado com a Ninjinha, mas padrão Honda de freios tem um pouco de borrachudo. Para mim não eram borrachudos até eu ter a Ninjinha.
A potência dos freios é muito boa, ainda mais considerando o peso mais leve da moto.
O gostoso é estar rápido, sair de uma curva e ver um caminhão que vc pensa que está a 80 mas está a 40, poder alicatar sem medo de dar merdz.

Disco dianteiro

Disco traseiro
-Ronco
Com ponteira original ela ronca alto, mais alto que a CB13 por exemplo. O ronco é padrão. Me sinto inseguro andando com uma moto preta sem ponteira esportiva, penso em instalar uma mais por segurança (ser notado no trânsito).
-Manobrabilidade / estacionar a moto
Leve. Com 1,68, me disseram para rebaixar a moto (dizem que dá pra abaixar cerca de 2 cm), mas não vou mexer nisto, apóio as panturrilhas nas pedaleiras e dou ré na moto numa boa. Metade das plantas dos pés ficam no chão. A moto esterça bastante para uma carenada, inclusive isso hoje quase fez a moto tombar, com o guidão muito esterçado ao chegar na padoca, dei uma cutucada no dianteiro e moto começou a tombar, bota mais baixa que o tênis que estou acostumado... sei lá como segurei a moto, se fosse uns 10 kg mais pesada tinha ido pro chão.
Quanto costurar no trânsito, andar em corredor, não sou parâmetro, pois moro no sítio (75 mil habitantes) e aqui não há trânsito pesado.
-Peso da embreagem/câmbio
A embreagem é por cabo, leve, não tanto como na Ninjinha, mas de acionamento leve. Diria que está no mesmo patamar da CB1300 (hidráulica) e muito mais leve que a da Blackbird 98 ou Fireblade 2007 (hidráulicas e pesadíssimas). Ter uma embreagem de acionamento leve é importante numa moto que pede mais trocas de marchas.
Deve ser o óleo, mas as mudanças no pedal não são tão macias. Sair da imobilidade em segunda marcha como fazia com a CB13 não é algo natural na CBRF.
-Consumo
Cavalo anda, cavalo bebe. Não sou parâmetro pra medir consumo pois costumo andar rápido, e também não ligo muito para isto, na minha mão está marcando 13,8 no computador de bordo, quase totalmente em rodovia. Não é tão ruim, no mesmo grupo há uma Gixxer 750 que faz 10.
Dizem que a CBRF faz 19 com mão leve.
-Efeito celebridade
A moto chama pouco a atenção nas ruas, provavelmente por ser preta e não ter ponteira esportiva. A tendência é diminuir ainda mais a atenção, já que está ficando muito comum, está vendendo muito por aqui. Não me importo que não chame atenção, uma vez que não sou mais caçador de muié (estado civil pior que casado).
O veículo pode ser discreto, mas não gosto que seja comum, neste ponto a CBRF perde ponto.
-Conclusão
Acho que a melhor definição para esta moto é gostosa. Apesar de alguns contras, a moto casou bem com minha estatura, e principalmente por isto, aliado à um bom desempenho, é a moto mais gostosa de andar que já tive.
Pretendo ficar um bom tempo com ela, por volta de 3 ou 4 anos.
Tem boa liquidez aqui na região, em contrapartida é visada, sair aqui do sítio e ir para centros maiores dá um pouco de receio, uma vez que não tenho seguro.
Apesar de não ter amortecedor de direção, a moto é firme, não chegou a mencionar shimmy uma única vez, provavelmente pela posição de pilotagem com mais peso a frente, mas um amortecedor de direção seria bem vindo, segurança nunca é demais e nosso asfalto é lixo.
O design até hoje não me ganhou, a acho bonitinha mas não linda. Entre as japas carenadas, acho mais bonita que as concorrentes, que a CBR Chinchila e que a atual R1.
Para quem pensa em uma moto com bom desempenho, mais confortável, para andar com garupa, leve, para viajar acima dos 130 km/h, é uma excelente escolha, recomendo a compra.
Ou pode ser também para aquele que quer brincar de jaspion, não quer gastar tanto e prefere uma moto 0 km a uma CBR600RR aí com 7 ou 8 anos de uso.

Suporte do retrovisor esquerdo ainda ali, lembrando que é uma naked travestida

Dos melhores ângulos da moto

Esta sim é a verdadeira CBR600F, há 10 anos... em compensação, seria 10 mil mais cara que a atual
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