Sonrisal (Causo )
Enviado: 19 Ago 2011, 14:39
Sonrisal
Era uma noite fria de inverno. O vento cortante que vinha do mar não afastava a neblina que se formou na orla da praia. Sem nada para fazer, eu e o irmão de farda, Osório, fomos passear de moto pela Av. Presidente Kennedy, beira mar de Praia Grande, Baixada Santista, SP.
Não diria exatamente que fomos passear, fomos mesmo à caça, como lobos famintos, em busca de carne fresca e calor...
A neblina deixava tudo surreal e o vazio na cidade era grande. Havia apenas uns poucos bares abertos.
Saímos do Canto do Forte e fomos pela orla até a Cidade Ocean. Ele na RD 350 (que seria minha) e eu na Harley Motovi (que seria trocada pela a RD), devagar, curtindo a noite e sem muitas esperanças de encontrar companhia feminina.
Pois não é que da neblina surgem duas mulheres? O Osório, sem perda de tempo, as aborda encostando a moto. Convido-as pára tomarem uma bebida qualquer em meu apartamento e logo as duas cutrovias estão nas garupas das motos. Nosso controle de qualidade estava no mais baixo nível naquela fria noite.
Minha garupa era tão peituda que eu senti dor nas costas por causa daqueles volumes a empurrar minha coluna. Detalhe; naquela época, no final do anos 70, nem se falava em silicone nos peitos...
Sem muitas delongas, ao chegar no apartamento, fomos logo para os finalmente. E, quem é homem sabe, depois da coisa, quando é com uma mulher que não nos interessa, o que a gente mais quer é vê-la longe.
Eu insistia em levá-las embora. Elas queriam ficar. Ameaçaram-nos até de preparar o café quando amanhecesse...
O pior: entrei no banheiro para um banho e não achei sabonete ou sabão.
Eu ainda era um solteiro muito desorganizado. Sem problema, limpei o brinquedo com o detergente que encontrei num canto, a bem da verdade, uma lata de creolina. Nada seria pior do que ficar impregnado daquelas malucas que nós, mais malucos ainda, levamos para a cama.
Elas continuavam insistindo em dormir conosco. Que coisa! Será que não entendem português? Eu estava a ponto de me aborrecer.
Voltei para o banheiro e encontrei um comprimido de sonrisal. Bochechei a boca com água e botei um comprimido na língua e deixei espumar. Maravilha!
Saí do banheiro nu, peladão, como se tivesse tendo um ataque epilético, me tremendo todo, balbuciando palavras sem nexo, revirando os olhos e com espuma escorrendo da boca. A cena era patética, mas funcionou.
Foi a conta certa. Nem precisamos voltar para o frio da noite para deixá-las onde as encontramos. Elas desabaram, correndo apartamento afora, assustadíssimas com a dantesca cena. Que alívio!
Luiz Almeida
Tenham um ótimo final de semana!
Era uma noite fria de inverno. O vento cortante que vinha do mar não afastava a neblina que se formou na orla da praia. Sem nada para fazer, eu e o irmão de farda, Osório, fomos passear de moto pela Av. Presidente Kennedy, beira mar de Praia Grande, Baixada Santista, SP.
Não diria exatamente que fomos passear, fomos mesmo à caça, como lobos famintos, em busca de carne fresca e calor...
A neblina deixava tudo surreal e o vazio na cidade era grande. Havia apenas uns poucos bares abertos.
Saímos do Canto do Forte e fomos pela orla até a Cidade Ocean. Ele na RD 350 (que seria minha) e eu na Harley Motovi (que seria trocada pela a RD), devagar, curtindo a noite e sem muitas esperanças de encontrar companhia feminina.
Pois não é que da neblina surgem duas mulheres? O Osório, sem perda de tempo, as aborda encostando a moto. Convido-as pára tomarem uma bebida qualquer em meu apartamento e logo as duas cutrovias estão nas garupas das motos. Nosso controle de qualidade estava no mais baixo nível naquela fria noite.
Minha garupa era tão peituda que eu senti dor nas costas por causa daqueles volumes a empurrar minha coluna. Detalhe; naquela época, no final do anos 70, nem se falava em silicone nos peitos...
Sem muitas delongas, ao chegar no apartamento, fomos logo para os finalmente. E, quem é homem sabe, depois da coisa, quando é com uma mulher que não nos interessa, o que a gente mais quer é vê-la longe.
Eu insistia em levá-las embora. Elas queriam ficar. Ameaçaram-nos até de preparar o café quando amanhecesse...
O pior: entrei no banheiro para um banho e não achei sabonete ou sabão.
Eu ainda era um solteiro muito desorganizado. Sem problema, limpei o brinquedo com o detergente que encontrei num canto, a bem da verdade, uma lata de creolina. Nada seria pior do que ficar impregnado daquelas malucas que nós, mais malucos ainda, levamos para a cama.
Elas continuavam insistindo em dormir conosco. Que coisa! Será que não entendem português? Eu estava a ponto de me aborrecer.
Voltei para o banheiro e encontrei um comprimido de sonrisal. Bochechei a boca com água e botei um comprimido na língua e deixei espumar. Maravilha!
Saí do banheiro nu, peladão, como se tivesse tendo um ataque epilético, me tremendo todo, balbuciando palavras sem nexo, revirando os olhos e com espuma escorrendo da boca. A cena era patética, mas funcionou.
Foi a conta certa. Nem precisamos voltar para o frio da noite para deixá-las onde as encontramos. Elas desabaram, correndo apartamento afora, assustadíssimas com a dantesca cena. Que alívio!
Luiz Almeida
Tenham um ótimo final de semana!