Re: Modernidades
Enviado: 02 Ago 2012, 15:25
QUER MOTOS MAIS SIMPLES?
Acompanhando a tendência do mercado mundial de grandes motos de uso misto, percebe-se que as motos de aventura estão acabando. As motos têm rodas cada vez menores, pneus cada vez mais lisos, suspensões cada vez mais curtas, motores cada vez mais fortes, e cada vez mais, novas tecnologias embarcadas.
As fábricas não impõem modelos de motos. Elas dão o que o mercado pede.
E o mercado são os motociclistas, que se expressam através de pesquisas de mercado ou fazendo de um determinado modelo um sucesso de vendas.
O mercado de motos está passando pelo mesmo fenômeno que o dos carros. Nos carros, também houve primeiro um aumento no mercado de jipes e picapes, mercado este que depois migrou para os utilitários esportivos.
Mas existe uma explicação histórica para o crescente interesse por veículos utilitários, que se iniciou nos anos 70s: o CAFE (sigla em inglês para Consumo de Combustível Médio Corporativo), um programa criado pelos Estados Unidos para controlar o consumo de combustível dos veículos, devido à primeira crise do petróleo. Por este programa, os carros tinham limites de consumo de combustível bastante baixos, enquanto os jipes e picapes tinham limites menos severos.
Como os americanos odiaram os motores pequenos e econômicos dos carros, muitos migraram para os jipes e picapes como veículos para o uso cotidiano. Com o tempo, perceberam que esses veículos eram pouco confortáveis e seguros e então esses veículos foram virando automóveis novamente, chegando aos utilitários esportivos.
Aqui no Brasil, praticamente se pulou a fase dos jipes urbanos. Passou-se dos jipes Willys e Toyota direto para os utilitários esportivos; a grande maioria sequer com tração integral.
Mas e as motos? As grandes motos de uso misto estão diretamente ligadas ao rally Dakar, corrida que é uma das últimas grandes aventuras da humanidade.
Do Dakar nasceram a BMW GS, a Honda Africa Twin, a Cagiva Elefant, a Yamaha Super Ténéré, as KTM LC4 e LC8, todas várias vezes vencedoras do rally. O Dakar cortou o sul da Europa e o norte da África, entre os anos de 1979 e 2007.
Por motivo de segurança, não foi disputado em 2008 e, desde 2009, é corrido na América do Sul. Esta mudança claramente tirou a visibilidade da prova na Europa, que ainda é o centro do mercado motociclístico mundial. Mesmo na América do Sul, a prova não tem mais a mesma atração. Antigamente, todos os 15 dias de prova ganhavam uma página inteira dos cadernos de esportes dos principais jornais do Brasil.
Hoje em dia, há apenas notas de rodapé, que apresentam os vencedores da etapa. Matéria de meia página, com foto, só se morrer alguém. Sem sua principal propaganda, o rally, as motos dele derivadas vieram perdendo força.
Se poucos motociclistas, de fato, usavam as capacidades fora de estrada de suas motos, então por que andar com motos dessas? E assim as motos de uso misto se tornaram, à semelhança dos jipes, utilitários esportivos. Têm um desenho que lembra as motos de rally, mas têm pneus lisos, suspensão de pequeno curso, rodas de liga-leve, motores multicilindros, freios antibloqueio, controle de tração, suspensão eletrônica, seleção de modo de desempenho, câmbio automático.
É óbvio que, se o mercado pede estas motos, elas têm mais é que ser vendidas. A tendência é que concentrem a produção em grande escala destas motos e parem de fazer as motos mais simples.
E, na maioria das vezes, os grandes prazeres estão nas coisas mais simples.
Rodrigo Moraes
Campinas – SP
Acompanhando a tendência do mercado mundial de grandes motos de uso misto, percebe-se que as motos de aventura estão acabando. As motos têm rodas cada vez menores, pneus cada vez mais lisos, suspensões cada vez mais curtas, motores cada vez mais fortes, e cada vez mais, novas tecnologias embarcadas.
As fábricas não impõem modelos de motos. Elas dão o que o mercado pede.
E o mercado são os motociclistas, que se expressam através de pesquisas de mercado ou fazendo de um determinado modelo um sucesso de vendas.
O mercado de motos está passando pelo mesmo fenômeno que o dos carros. Nos carros, também houve primeiro um aumento no mercado de jipes e picapes, mercado este que depois migrou para os utilitários esportivos.
Mas existe uma explicação histórica para o crescente interesse por veículos utilitários, que se iniciou nos anos 70s: o CAFE (sigla em inglês para Consumo de Combustível Médio Corporativo), um programa criado pelos Estados Unidos para controlar o consumo de combustível dos veículos, devido à primeira crise do petróleo. Por este programa, os carros tinham limites de consumo de combustível bastante baixos, enquanto os jipes e picapes tinham limites menos severos.
Como os americanos odiaram os motores pequenos e econômicos dos carros, muitos migraram para os jipes e picapes como veículos para o uso cotidiano. Com o tempo, perceberam que esses veículos eram pouco confortáveis e seguros e então esses veículos foram virando automóveis novamente, chegando aos utilitários esportivos.
Aqui no Brasil, praticamente se pulou a fase dos jipes urbanos. Passou-se dos jipes Willys e Toyota direto para os utilitários esportivos; a grande maioria sequer com tração integral.
Mas e as motos? As grandes motos de uso misto estão diretamente ligadas ao rally Dakar, corrida que é uma das últimas grandes aventuras da humanidade.
Do Dakar nasceram a BMW GS, a Honda Africa Twin, a Cagiva Elefant, a Yamaha Super Ténéré, as KTM LC4 e LC8, todas várias vezes vencedoras do rally. O Dakar cortou o sul da Europa e o norte da África, entre os anos de 1979 e 2007.
Por motivo de segurança, não foi disputado em 2008 e, desde 2009, é corrido na América do Sul. Esta mudança claramente tirou a visibilidade da prova na Europa, que ainda é o centro do mercado motociclístico mundial. Mesmo na América do Sul, a prova não tem mais a mesma atração. Antigamente, todos os 15 dias de prova ganhavam uma página inteira dos cadernos de esportes dos principais jornais do Brasil.
Hoje em dia, há apenas notas de rodapé, que apresentam os vencedores da etapa. Matéria de meia página, com foto, só se morrer alguém. Sem sua principal propaganda, o rally, as motos dele derivadas vieram perdendo força.
Se poucos motociclistas, de fato, usavam as capacidades fora de estrada de suas motos, então por que andar com motos dessas? E assim as motos de uso misto se tornaram, à semelhança dos jipes, utilitários esportivos. Têm um desenho que lembra as motos de rally, mas têm pneus lisos, suspensão de pequeno curso, rodas de liga-leve, motores multicilindros, freios antibloqueio, controle de tração, suspensão eletrônica, seleção de modo de desempenho, câmbio automático.
É óbvio que, se o mercado pede estas motos, elas têm mais é que ser vendidas. A tendência é que concentrem a produção em grande escala destas motos e parem de fazer as motos mais simples.
E, na maioria das vezes, os grandes prazeres estão nas coisas mais simples.
Rodrigo Moraes
Campinas – SP
