Smoker escreveu:Por que não, simplesmente, deixar as coisas acontecerem naturalmente???
Por que devemos ter um "Movimento Cultural dos Motoqueiros"???
Por que não entender como tal movimento o simples prazer de andar de moto, de fazer amigos na internet (como o caso do Mad), e torna-los reais???
Por que a necessidade de se rotular tudo???
Por que devemos ligar moto a música, ou seja, motoqueirociclista tem que ouvir música x??? Da mesma forma com vestimentas, gírias, jeito de ser???
Se o cara for em um encontro de moto de carro (opção, ordem da mulher, etc...) ele será menos motociclista, ou gostará menos de moto que o cara que foi de moto???
Para que complicar???
fumaça, permita-me mais uma sessão do que o padre chamou de 'masturbação intelectual'.
muito do que a gente acha que acontece naturalmente não tem absolutamente nada de natural. agimos muito mais inconsciente e subconsciente do que conscientemente. resumindo a ópera, há, sim, pessoas que estão no grupo pelo prazer de estar ali e com aquelas pessoas. mas... há aqueles - por motivos mil que nem vou tentar começar a elencar aqui - que estão pela necessidade de se identificar com um grupo e com um determinado tipo de pessoas.
toda sala de aula tem um joãozinho, certo? tem o cdf, tem a galera do fundão, tem a turma que só passa colando.
pois é. todo grupo social tem os que são influentes - por que os outros assim aceitaram e permitiram -, tem os que são observadores, tem os que agem, põem a mão na massa, tem os que se posicionam, tem os que evitam se expor em questões polêmicas e tem ainda os que simplesmente não têm opinião alguma e precisam desesperadamente de alguém a quem possam seguir, atrás de quem possam se esconder. tem os incapazes de ter voz ativa sozinhos: só repetem, como eco, as idéias, os trejeitos, os costumes, a fala, os gostos, de outro.
quando se falou em cultura muito provavelmente se quis dizer numa cultura livre dessas imitações baratas. o motoqueiro que curte forró não assume isso em público, no meio de um motocapital. tou mentindo? pq não assume? pq é feio, no meio de motos, assumir que gosta de forró. aliás, sejamos bem honestos, no brasil inteiro é feio admitir até que é nordestino. e o forró é típico do nordeste. associaremos o forró ao nordeste, à pobreza, a uma sub-cultura. ninguém quer parecer sub-culto aos olhos de um grupo ao qual se está fazendo força pra pertencer. percebe? e percebe como é sutil?
se um ou outro assumem, são esses os pontos fora da curva, pois a sociedade é feita eminentemente de massas manobráveis de pastel.
meu contra-argumento é que essa cultura absolutamente própria, que é também a que vc reivindicou no seu post, não acontecerá, pois na gênese do motociclismo brasileiro está a cópia ao norte-americano. já não nos livraremos mais de franjas, bandanas no joelho, motos feitas para um asfalto que não é o nosso, música feita em outra língua, falando de coisas que não são nossas e para ouvidos que não são os nossos. e a gente curte. pq? pq fomos doutrinados assim.
se tivéssemos sido criados no vácuo, bem provavelmente muitas de nossas escolhas e opções ferrenhas nem existiriam.
facilitei?