onde é que eu parei?
sim, facilitar ou complicar a vida do jota.
já em contagem a gente passa por um galpão grande do tre, me pareceu um depósito de processos arquivados que nem o do tj daqui. o jota me explicou depois que não, é lá onde ficam as urnas. pois bem. já eram umas seis da tarde e o trânsito já estava cão, peguei uns corredores - depois de andar atrás do demo nos corredores de sp, aquilo ali foi fichinha

- pensei em parar ali naquele galpão, naquele trânsito, ligar pro jota e dizer 'tô no teu trabalho, vem me buscar.'
mas a alegria de chegar era tão grande que sacanear o jota nem teve graça.
resolvi ir fondo, fondo, ver até onde eu conseguiria chegar.
eu sabia que já devia dar notícias e que, apesar de finalmente terem conseguido falar comigo a despeito dos sms não entregues, devia dar uma ligada pra qualquer uma das minhas bases.
mas o trânsito não me deixou parar.
entrei na cidade, vi umas placas 'centro', 'puc', pensei 'vou pra puc'.
mas entrei numa rua errado. saí num bairro tranquilo, obviamente eu estava fora do lugar onde deveria estar. parei numa esquina, pedi informação.
e aí começa meu estupefamento sempre renovado com a solicitude dos mineiros.
- boa tarde, tudo bem? eu tô muito longe pra chegar na prudente de morais?
- nooooooooooossa, mas tá longe demais! faz assim, ó, vai até aquela praça ali, primeira à direita. ocê desce, vai ter uma sinaleira. lá é a via expressa.
- essa que passa ali, né? eu percebi que saí e que devia voltar pra ela.
- então, ocê vai pegar a via expressa à sua esquerda. aí ocê segue nela uns 2 ou 3km, lá na frente vai ter uma placa 'avenida contorno'. ocê pega ela. lá ocê acha a prudente de morais.
(é morais ou moraes?)
- ok, muito obrigada, viu?
- de nada! não esquece, na praça, primeira à direita, sinaleira, vira à esquerda na via expressa, 2km depois tem a placa, ocê vai pegando a esquerda, ocê vai cair direitim na contorno.
- ok!
segui. na sinaleira indicada, o sinal fechado, parei ao lado de um uno.
- moço, boa tarde. pra pegar a contorno eu sigo a expressa à esquerda, né?
- faz assim, atravessa ela e pega a amazonas.
(achei que o trem ia complicar pro meu lado, argumentei)
- eu sou de brasília, tô chegando agora, acho que eu vou me perder se sair da expressa.
- é pq pela amazonas é mais rápido procê.
- eu sou ruim de caminho...
- então tá. ocê vira à esquerda aqui, vai ficando na esquerda, tem uma placa...
(o sinal abriu. o moço continuou a me explicar enquanto atravessava a expressa, gritando pela janela)
- ... aí ocê pega a contorno, lááááá na frente ocê vai cruzar com a prudente!
- obrigada!
segui.
- caraca, não tô acreditando que tô conseguindo. uhu!
laáááá na frente, sinal fechado de novo, parei ao lado de outro uno, três homens.
- boa tarde, tudo bem? onde é que eu pego a contorno?
(era na próxima transversal depois do sinal. na cara.)
- ocê vira aqui, é nessa aqui mesmo.
- eu preciso ir pra prudente de morais, é fácil achar ela de lá?
- ó, ocê vai andar, depois do viaduto é a segunda que corta, à direita.
- ok, muito obrigada, viu?
entrei à direita.
passa um caralhal de ruas, eu achando que a prudente tinha passado e eu não tinha visto, noutro sinal fechado paro ao lado de um motoqueiro.
- boa tarde, onde é que eu pego a prudente?
- ocê me segue que eu te levo lá.
- sério? nossa, que bom, obrigada, eu tô chegando de brasília agora, não sei andar aqui dentro e é lá que meu amigo vai me resgatar.
(olhando de cima até embaixo, se dando conta da parafernália de viagem e afirmando, em vez de perguntar)
- ocê veio de moto.
- sim. saí de lá hj de manhã, acabei de chegar.
- ééé... né comum, não.
ri, o sinal abriu e fui atrás dele. o doido num zigue-zague louco no meio dos carros, quase que eu grito: eu ando em br, nesse trânsito não ando não!
mas consegui não me perder dele.
no cruzamento com a prudente ele começou a sinalizar que era pra eu virar.
comecei a agradecer e ouço uma buzina do lado esquerdo.
era o uno dos três homens que tinha me acompanhado, sem eu perceber, até a prudente. buzinaram e me gritaram que era pra eu entrar ali.
agradeci, falando e gesticulando, se pudesse tinha até dado um abraço em cada um. achei do caceta a boa-vontade.
entrei na prudente, logo na esquina tem um bar. pensei que seria um bom ponto de referência pro jota me achar - dizem as más línguas que ele tb é péssimo de orientação

- mas não achei estacionamento, parei uns cem metros adiante.
liguei pro jota, disse 'tô em frente ao número 143 da prudente! pó vir me buscar!'
só esqueci de falar que estava DO OUTRO LADO DA RUA. ele desceu por onde? pelo lado ímpar da rua, claro, eu disse 143.
chegou, blz, teve que dar a volta lá embaixão, vira pra mim e fala:
- nina, aqui. ali tem um boteco... ocê quer ir pra casa tomar um banho ou prefere tomar umazinha pra relaxar?
ou seja: acordei de ressaca.
só comi melancia e tomei suco de laranja o dia todo até agora.
