Bom, vamos lá:
Lembrando que as impressões a seguir são frutos da experiência de um usuário comum, sem pretensões esportivas/profissionais de condução de uma motocicleta.
O intuito ao adquirir a V-Strom era em primeiro lugar ter uma moto confortável para viagens e com motor para as situações nas quais ele se faz necessário, principalmente ultrapassagens e que vez ou outra permitisse encarar estrada de chão. O segundo motivo era matar o tesão mesmo, desde a primeira vez que vi a Strom pessoalmente disse pra mim mesmo “ainda vou ter uma dessas”.
O passeio (sim, 490 km pra mim é passeio, tem nego que faz 200 e diz que é viagem...) tinha como destino Carazinho, minha terra Natal. Fomos eu, uma CB500 e uma Falcon.
Falando em Falcon, a posição da Strom é muito similar, tanto que lembrei logo nos primeiros km do que havia odiado na Falcon: quando a km rodada passava de 3 dígitos eu sentia as partes baixas, principalmente a região do cóxis pressionada contra o banco. Para o meu biotipo essa posição da Strom/Falcon ocasiona esse problema. Causa um incômodo/desconforto que leva algumas horas para passar. Embora o banco da Strom passe a imagem de poltrona sobre rodas... não é, pra mim a espuma do mesmo é muito dura. Não sei se é pelo sobrepeso, sedentarismo agudo ou idade, ou os três juntos, mas esse é um problema que me enche o saco. Na F não tinha isso, mas em compensação a tendinite nos punhos pegava forte depois de uns 300 km e os joelhos sofriam com o ângulo da perna dobrada. Na Strom não tive problema com a tendinite.
1º. Problema a resolver: melhorar o banco, seja com uma almofada de gel do Russo ou um banco Erê.
Fora esse problema do banco/bunda a posição de pilotagem é muito gostosa, bem natural. Ainda estou me acostumando com os comandos, a questão do acelerador e embreagem duros já não fazem mais parte do meu rol de pepinos a resolver, acostumei com eles. O que não acostumei ainda é com o movimento do pé para troca de marchas, a musculatura do pé e perna ainda não se adaptaram à nova postura e movimentos, tenho certeza que mais uns km e isso se ajeita.
Saímos na minha tocada de sempre, 110/130. Definitivamente no terreno da região não dá pra rodar a menos de 120 em 6ª. O que acaba elevando um pouco meu ritmo pois pela característica da moto pedir giro acabo botando 130/140 mesmo sem querer, tenho que aprender a rodar em 5ª.
Acabamos por não pegar estrada de chão, só uns 3 km num trecho de estrada que está sem conclusão há anos. Como a suspensão estava regulada para asfalto e os pneus estavam bem cheios o comportamento da moto foi arisco, mas creio que com a suspensão devidamente amolecida e os pneus murchados um tiquito a cavala se sairá bem, não acompanhará uma Falcon, sem dúvida, mas seguirá numa boa. Pra brincar girei o acelerador em 2ª. e a ignorante despejou boa parte dos 98 CV... caramba, se pegar a manha dá pra brincar legal.
No asfalto: como o pára-brisa original estava regulado na posição intermediária estava criando uma certa turbulência no capacete, rodei assim até o destino, puto da cara, pois o barulho do vento direcionado para o capacete é muito forte, levei comigo uns protetores auriculares mas acabei não usando, deveria ter usado. Em Carazinho botei o pára-brisa na posição mais alta e a turbulência sumiu, mas o barulho continuou o mesmo.
2º. Problema a resolver: testar melhor o pára-brisa Givi na posição mais alta, se não resolver vou comprar o Madstad (
www.madstad.com).
Continuando no asfalto: é um tesão pilotar essa moto acima dos 4.000 rpm, ela responde muito rápido e tem um vigor empolgante. Devido à altura da mesma você roda a 120 e parece que está a 80, a sensação de velocidade é bem diferente da F, por exemplo. Nego reclama da vibração da moto, venho de uma 4 em linha e com 600 km rodados já me habituei à vibração do V2. Não posso desmerecer a moto por esse detalhe. Tem a questão da potranca não rodar bem abaixo dos 3.500 rpm em 5ª e 6ª, dizem que o TRE ou a V-Mang resolvem esse problema, sinceramente agora isso não me preocupa. Vou rodar mais pra ver o que faço ou se faço alguma coisa.
A ciclística dessa moto é um ponto forte, muito fácil deitar e raspar as pedaleiras.
Consumo: caraio, primeira média 14,6 e segunda média 14,2 mantendo na maior parte do tempo entre 120/140. Considerando que nessa tocada a F fazia 17 pode parecer um absurdo o consumo. Mas se calcular friamente em 10.000 km percorridos a Strom gastaria 321 reais a mais que a F. Tem gente que gasta de 1.000 a 1.500 reais para melhorar o consumo da Strom, remapeando injeção, botando PC, fazendo macumba... ou seja, gastar 1.000 pra recuperar o investimento em 30.000 km? Tô fora, fico fazendo 14 km/l e gasto os 1.000 reais no banco Erê e no Madstad ou em outros acessórios.
Freios: estou adaptado também, basta pressionar com vontade que a moto pára.
Resumo da ópera: a moto é show de bola pra viajar, dá pra manter velocidades elevadas tranquilamente, ultrapassagens é puro prazer. A monstra bota o maior respeito no trânsito, quase todo mundo abre quando vê os olhos da fera no retrovisor. O meu destaque negativo para a moto é a questão do banco e o barulho do vento. Ah, sobre o vento... vou testar com meu Shark S500, atualmente rodo com um HJC FG14, casco que desde que foi comprado apresentou ruído muito superior ao Shark. Mesmo que o consumo esteja ruim não é um item que me preocupa, primeiro vou resolver as duas grandes questões e se tiver saco vejo se tem como melhorar isso de maneira simples e barata, se não der... tranquilo.
Estou cansado e provavelmente esqueci de algum detalhe. Se lembrar amanhã eu adicono.
Aqueles que aguardavam o relato... me desculpem. Cheguei às 16:30 em casa mas a família tem prioridade.
Perguntas?