Após 2 anos com a Heritage M8 – frígida, dócil e apática – e apenas 1 ano com a Shadow 600, chegou a hora de buscar novos ares. A Shadow - apesar do pouco tempo na garagem - foi uma grata surpresa, comprei sem nunca ter andado (aliás, 99% das motos que comprei foi assim), porém, surpreendeu e muito. Macia, boa de ciclística (faz curva e não raspa tanto), gostosa de andar (ronco, posição de pilotagem e tocada), me fez recuperar o tesão pelas custom que a Heritage havia me feito broxar.
Apesar de serem motos completamente diferentes, ambas tiveram um papel fundamental no meu “amadurecimento jaquístico”. Na Heritage pude aprender a aceitar que se é custom, é ruim, não adianta querer mudar a essência da moto: não foram feitas para andar forte (curvas), não servem para rodar em asfalto ruim (puta desconforto) e, por melhor que sejam, sempre será uma custom. Querer comprar uma moto custom para substituir uma moto boa (especialmente se for uma bigtrail) é um erro tremendo, isso deveria ser avisado pelos customzeiros mais experientes a todo novato.
Passado o trauma inicial e as diversas tentativas de “tapar o sol com a peneira” (transformar a Heritage em uma moto capaz de curvar a 140/150 km/h, ter uma autonomia de 300 kms, conforto para o garupa rodar milão por dia, capacidade de rodar em qualquer piso, etc), somente após ter superado o “trauma”, comecei a curtir a moto (quando aprendi a que fim ela se destina). Depenei tudo que me desagradava esteticamente (malas, bolha, banco sofá, banco do garupa, etc) e comecei a enaltecer os pontos que me agradavam (“menos é mais”). Por fim, comecei a tentar esquecer o conforto das bigtrail e passei a curtir a maturidade de uma custom. Porém, era uma Harley que não parecia uma Harley (estava mais para uma japonesa de tão boazinha – M8 “ejaculação precoce”).
Vendi a Heritage e, confesso, fiquei carente de custom. Olhei muitas motos que cabiam no meu bolso e escolhi a Shadow 600 (decisão mais do que acertada, a moto oferece muito pelo que custa). No tempo que ficou comigo pude deixá-la 90% próxima do meu “sonho de consumo”, a moto me agradava muito esteticamente falando, oldschool, belíssima… carburada, 4 marchas, motorzinho que assustava todas as custom de mesma cilindrada, um tesão.
Porém, como moto não é razão, algo estava me deixando inquieto. A impressão era que a Shadow já tinha atingido o patamar máximo do que ela poderia me oferecer. As modificações que eu queria fazer foram concluídas, a tocada era maravilhosa, mas para ir um pouco mais longe faltava um “algo a mais”. Infelizmente as lombrigas começaram a atiçar fortemente depois que subi na 883 carburada de um irmão… pra que fui subir? Já era.
Depois de 3 anos andando de custom creio que saí da fase cabaço e entrei na fase de aprendiz: já sei relativamente o que espero da moto e o que gosto no estilo. Jamais irei esperar que uma custom seja qualquer outra coisa que não uma custom: limitada. Porém, a tal limitação passou a ser uma cobiça também, um motorzão num chassi limitado (por exemplo) se traduz em diversão padrão “cadeira elétrica”. Uma autonomia ridícula pode ser compreendida em prol da beleza do tanque, e por aí vai.
A Shadow foi embora e deixou saudade. Mas, como diz o Tio Russo, são todas putas… Que venha a próxima meretriz pro meu quarto, digo, garagem

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(aproveitando para despoluir o tópico depois dessa Kawa horrenda)