Uma coisa que impressiona quando se entra no estado da Bahia pelo Oeste como eu fiz, é ver os plantation de soja nesta época do ano, em outra época vira tudo plantação de algodão...
Fazendas gigantescas, normalmente de uma empresa pois de vez em quando se observa armazéns ou silos encravados no meio das plantações, que mais parecem um oceano verde de tão imensas que são, não se consegue ver o fim, e normalmente estes armazens ou silos tem o nome das empresas...
Te garanto que impressiona qualquer europeu ver uma coisa linda destas, mas que em compensação gira muito dinheiro para pouquíssimos...
É a modernização que há muito chegou nos campos do nosso Brasil...
Finalmente sem mais sustos eu chegava em Luis Eduardo que pelo que havia me dito o Marcio com os problemas de postos de gasolina pelo caminho que poderiam não existir, é só indo por Correntina Marcio, por onde vim é beleza.
Por lá enchi o tanque comi um misto e segui viagem, não sem antes deixar por lá mesmo as garrafas pet que carregava na mochila de costas (eram 3) para encher de gasolina se fosse passar mesmo um trecho grande sem posto, mas me disseram que posto haveria pelo menos a cada 50 km...
Saí de Luis Eduardo e agora é que fui mesmo na emoção, estava acima de 200 km/h bastante tempo, só relaxei depois de uns 150 km percorridos e quando vi outro posto, parei para reabastecer...
...se eu pudesse advinhar, esperaria chegar Barreiras...
Como Barreiras já estava logo ali perto, passei sem reabastecer e fui em frente para ganhar sempre tempo, com o intuíto de viajar a menor distância possível à noite...
...de´pois de uns 180 km do último abastecimento, parei em um posto mas estava sem combustível porem me tranquilizaram dizendo que mais uns 14 km eu acharia outro posto.
Dito e feito, lá estava o outro posto, bem a tempo pois a reserva acabara de piscar...
...advinhem, neste posto tambem não tinha nada de combustível... ZERO... e o pior de tudo é que só acharia outro posto agora em Ibotirama...

de lá a mais 57 km...

eu teria que rodar isto tudo com a moto na resrva, o alforje pesadinho e mais eu e meus 110 kg, a chance de uma pane seca na estrada era grande...
... paciência, eu teria mesmo que ir... e fui, mas só para garantir, liguei o botão da paciencia e rodei este trecho a 60 km/h...
... quando cheguei em Ibotirama, já era fim de tarde e meu saco estava quase explodindo... huahahahaha...
...a cidade é a beira do tio chico, e atravessa-se neste ponto o rio por uma ponte muito alta mesmo... muito bonito...
...Enchi o tanque e parti para recuperar um pouquinho de terreno pois ainda tinha aí cerca de uma hora de luz do sol e ainda 650 km para Salvador...
Depois de uns minutos rodando bem rápido, começou a subida de uma serra, que a princípio tem uma visão do São Francisco muito linda...
Mal comecei a subida quando aconteceu, foi muito rápido a chegada daqueles Cumulus Nimbus. Anoiteceu de vez e uma ventania fortíssima já previa muita chuva...
... se eu pudesse imaginar, teria ficado para dormir lá em Ibotirama mesmo. A tribuzana caiu. Chuva galera, mas chuva como eu jamais havia enfrentado em estradas em toda a minha vida.
Como juntou a noite, com a escuridão das nuvens, me impressionou um pouco menos. Duas sortes, a primeira que em Ibotirama mesmo, eu já havia trocado a viseira negra pela tranparente e a segunda é que não tinha muito transito não.
Foi tão forte a tempestade que tive que diminuir a velocidade para uns 20 km/h...
A água era tanta que a estrada parecia um destes rios de corredeira, não esquecendo que eu estava em uma serra, mas mesmo tendo inclinação, a água era uns 4 dedos de altura na pista...
E o vento, fazia parecer que a moto não pesava nada, ia empurrando a moto de lado em algumas rajadas.
Tudo se passou em minha cabeça naquele momento de sufoco, mas o que fazer?? Tinha que continuar pois não tinha acostamento e muito menos algum lugar para abrigo...
E assim na maior tensão possível eu continuava, sendo castigado pela tempestade, agora até a alma estava encharcada...
E lá ia eu lutando contra o vento e muito mal enxergando alguma coisa, se eu enxergava algo, bem agradeço ao meu xenon... 20 km/h...
Tudo passava em minha cabeça, contudo não estava apavorado, e conversava muito com deus e pedia para acabar com aquele suplício logo...
Depois de mais de uma e meia hora, finalmente deu pra perceber que tinha acabado a serra, um perigo a menos...
...e logo então vi um posto de gasolina, mas estava fechado, e ao lado havia um bar/restaurante que foi como se eu estivesse vendo minha salvação ali, e na realidade foi.
Era um lugarejo muito pequeno mas parei a moto e corri para debaixo da cobertura, totalmente molhado, até minha certidão de nascimento lá no cartório devia estar molhada... hihihi
E frio, muito frio eu estava congelando agora e entrei no bar rezando para o lugar não fechar pra eu pelo menos ficar abrigado até passar a tempestade que insistia em cair.
Mas para a minha sorte o dono do lugar tinha uma pousadinha do outro lado da pista e mais sorte ainda pois arrumou uma garagem para a Pimentinha.
Para mim a visão do quarto da pousada, muito simples, mas até com banheiro dentro, foi como estar entrando naquele hotel de 6 estrelas lá no Bahreim, cheio de luxo em que uma vez a seleção brasileira ficou hospedada...
Não tinha água quente, mas também não estava gelada, e fiquei um bom tempo em baixo do chuveiro, agradecendo por aquela pousada e nada de ruim ter acontecido comigo...
Esta luta toda em mais de 1 e 1/2 hora e eu havia rodado somente 34 km desde que a tempestade havia começado.
Pra minha grata surpresa, no quarto tinha aqueles ventiladores bem grandes, não de teto, mas presos à parede que parecia uma turbina de tunel de vento, então pendurei toda a roupa com esperança de que secassem um pouco...
O pior de tudo é que eu estava isolado do mundo pois sinal de celular, nem pensar e o único orelhão que havia estava inoperante...
A galera e até meus pais e mulher, iriam ficar preocupados sem notícias...