Transamazônica 2013 - Chegadeira

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drsrg
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem I

Mensagem por drsrg »

rods escreveu:Me delicio com seus textos, Luiz! Ainda tenho na estante aquele "Histórias de Motocicleta" autografado! Estou no aguardo dos próximos capítulos, mas já vou dizendo que só essa viagem já daria um livro bem legal de se ler!

Livro?

Onde compro???
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Biagioni
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem parte II

Mensagem por Biagioni »

cade a parte III?? hehehehe
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drsrg
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem parte II

Mensagem por drsrg »

Ibagens?
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KSA
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem parte II

Mensagem por KSA »

Acompanhando!

Enviado via pombo correio.

Ex.....: YBR 125 ED (*)2002 - (†)2004
Ex.....: XTZ 125.....(*)2004 - (†)2005
Ex.....: XT 225.......(*)2005 - (†)2006
Ex.....: Fazer 250...(*) 2006 - (†)2015
Ex.....: CB500X ABS..(*) 2015 - (†)2018


PCX 150 (*) 2019
KSA escreveu: Relação Transponder (aquela que é tão barulhenta que avisa a aproximação)
Luiz Almeida
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem parte II

Mensagem por Luiz Almeida »

Amanhã sairei em viagem de trabalho que vai durar a semana toda.

Assim que retornar volto a postar textos.

Abração!
Luiz Almeida
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zébuscapé
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem parte II

Mensagem por zébuscapé »

Obrigado, muito obrigado, nada como o relato do caminho... :drunk:
De supertenere 750 ano 1997
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Medeiros Neto
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem I

Mensagem por Medeiros Neto »

drsrg escreveu:
rods escreveu:Me delicio com seus textos, Luiz! Ainda tenho na estante aquele "Histórias de Motocicleta" autografado! Estou no aguardo dos próximos capítulos, mas já vou dizendo que só essa viagem já daria um livro bem legal de se ler!

Livro?

Onde compro???


Entre em contato com Luiz, ele deve ter exemplares ainda para vender, é muito boa a leitura, recomendo sem dúvidas.

http://www.historiasdemotocicleta.com.br/index.php
Abraços Gente Boa !!! :beer:


XTZ 150 Crosser ED 2017
Luiz Almeida
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem parte III

Mensagem por Luiz Almeida »

Antes de viajar, mais um texto para vocês:

Entrando na Amazônia

Entramos em Marabá, cidade com quase 250 mil habitantes, com pesado tráfego de caminhões, sob forte sol e calor sufocante. Paramos no primeiro hotel que vimos, bem num barulhento trevo e não nos animamos parar ali. Parecia ficar longe de tudo. Ainda era cedo, por volta da duas e meia da tarde e fomos buscar hospedagem com calma. Joarez se perdeu de nós por alguns tensos momentos, mas nos reencontramos e, perguntando a transeuntes, chegamos a um hotel com garagem para as motos. Hotel Tibiriçá, simples e atendimento marromenos.

De chinelo e bermuda caminhamos por rua de muito comércio nas proximidades do hotel, comemos deliciosos espetinhos e procuramos em vão pilhas de lítio para o rastreador via satélite do Marcelo. Este aparelho era acionado todo final de dia para passar nossa localização via e-mail e blog Depois da Cerca a nossos amigos e parentes, independente de qualquer tipo de sinal de celular. Pilha comum acabava em 20 minutos.

À noite fomos de táxi conhecer a orla da cidade, banhada pelo rio Itacaúnas bem próximo deste desaguar no Tocantins. Muito movimento e entre bares e restaurantes. Tomamos algumas cervejas ao por do sol em um bar flutuante ancorado na margens do rio. Geralmente se coloca música em alto volume em tudo que é lugar; pedimos para baixar o volume. O tipo de música que colocam para tocar é conhecido, tipo Fagner, Roberto Carlos, Djavan e mais uma ruma de cantores de mpb. O diferencial é que nunca é o cantor que conhecemos tradicionalmente. A gravação é sempre de algum intérprete local a cantar as músicas.

Voltamos para terra firme e jantamos uma espetacular caldeirada de tucunarés, com fartura de ovos cozidos no meio do aromático caldo. Depois de mais de meia hora esperando, finalmente um taxista cearense apareceu para nos levar de volta ao hotel.

Joarez escrevendo:

"Confesso que tinha uma preocupação grande com a qualidade da comida que encontraria no caminho. No final das contas, não houve do que reclamar, pelo contrário, considero que comemos muito bem na grande maioria das vezes. Depois que começou o trecho de terra pra valer, passadas algumas horas e muitos quilômetros, começava a nascer um desejo interior que era fonte de motivação para a chegada ao próximo destino. A boca salivava e o pensamento pintava em cores vivas o objeto de desejo. Dava quase para sentir aquela sensação maravilhosa e refrescante. Qualquer tentativa de descrição é vã, pois é preciso viver um dia de muito sol, poeira e pilotagem tensa por estradas desconhecidas no meio da floresta amazônica para dar o devido valor...a uma CERVEJA GELADA!!!"

Ah, essa cerveja que o Joarez fala acima tinha um valor inestimável. Geralmente, no fim de uma jornada, ao chegar no hotel ou pousada, antes de tirar a tralha da minha moto, antes mesmo de entrar no apartamento, eu já providenciava uma latinha de cerveja bem gelada para tirar a poeira da garganta.

A partir de Marabá os asfalto seria mera lembrança. Cedo abastecemos as motos (26,9 km/l) e ajustei a pressão dos pneus em 18 libras. Marcelo fez parecido e Joarez baixou muito pouco a pressão dos pneus de sua Tenerè660, mantendo-as acima das 26 libras.

A lubrificação das correntes das motocicletas era feita diariamente antes de começarmos cada jornada do dia. Como eu, além de ser o primeiro a acordar, levava dois tubos de desodorante com 200mm de óleo SAE 120 cada, e também levava um prático macaco para suspender as motos, quando ia fazer o serviço na minha moto aproveitava e lubrificava também as correntes das motos dos amigos. Processo simples: derramar o óleo sobre a corrente até começar a gotejar.

Joarez escrevendo:

"Optei por uma calibragem um pouco mais alta considerando o peso das bagagens e o receio de cortar câmaras ou pneus em buracos da estrada. Até Humaitá essa estratégia funcionou bem, porque foram poucos os trechos com pista escorregadia. De fato, por conta da poeira que prejudicava muito a visibilidade, entrei em algumas valas e topei com muitas pedras pontiagudas e quinas vivas do resto de asfalto que um dia existiu por aquelas estradas que poderiam ter causado maiores estragos, se os pneus estivessem com calibragem muito baixa. No entanto a minha estratégia furou a partir da BR 319 onde tive que seguir o conselho sábio e generoso dos meus companheiros mais experientes - "Seca isso jumento, ar não é ouro não, viu!!"

Tchau Asfalto

30km depois de sair de Marabá começou o barro e a poeira com uma infinidade de pontes de madeira com duas linhas de pranchas para os pneus dos carros e caminhões, e nenhuma segurança nas laterais. No começo a travessia dessas pontes eram um pouco tensas. Depois nos acostumamos e cruzamos muitas sem problema. Só não podia querer olhar para o igarapé abaixo e perder o rumo da moto, além de atento para as eventuais tábuas quebradas. Cheguei a passar por pontes sem nem mesmo reduzir a marcha da Tenerinha. Em outra ocasião cruzei uma ponte temerosamente pelas treliças centrais. Essas pontes parecem não ser consertadas. Quando estão sem mais condições de receber o tráfego, são totalmente refeitas alguns metros ao lado da outra, muitas vezes ficando fora do eixo da estrada. Há minúsculas placas informando sobre a ponte poucos metros diante delas.

Rodamos por 35km em Território Indígena Parakanã, com suas ameaçadoras placas de “Não Entre”, com mata alta e fechada nas laterais. Não tenho ideia de como sejam as aldeias lá dentro. Após 186km no odômetro parcial, paramos para abastecer em Novo Repartimento, cidade onde o mapa alertava para o alto índice de assaltos na região. Comentei este fato com o frentista e fui informado que não havia mais bandidos por lá, só pistoleiros... - E pistoleiro não é pior que bandido não? Perguntei. - O sr pode ir na delegacia daqui que não vai encontrar nenhum Boletim de Ocorrência por lá. Bandido aqui aparece morto nas estrada ou nunca mais é visto. - Ah bom. Entendi agora o trabalho dos pistoleiros, respondi.

O consumo de combustível da minha moto foi de 30,7km/l. Melhorou bastante fora do asfalto. Certamente por conta do regime de giro mais baixo, mesmo com maior troca de marchas.

Fora dos Parques Nacionais e Territórios Indígenas, o que se vê nas margens da Transamazônica são muitas fazendas de médio/pequeno porte voltadas para a criação de bovinos para abate. No meio dos pastos, como vestígio das mata original, apenas as frondosas, altas e belas castanheiras, para mim a mais bela árvore da Amazônia. As casas das fazendas são de madeira, com aspecto antigo, lembrando a colonização ao longo da estrada nos anos 70. Vez por outra entrava no capacete cheiro de madeira queimada. É a fumaça proveniente das muitas pequenas queimadas – não sei se legais ou ilegais - que observamos ao longo de toda a viagem cortando a floresta.

Em Pacajá, numa parada para beber água, encontramos um cearense, de Juazeiro do Norte, que voltava para casa sozinho numa pequena Honda Bros 150 toda empoeirada e cheia de bagagem. Era o Edmilson. Perguntado o que fazia por aquelas bandas, respondeu que havia ido cobrar umas panelas. Eita cabra para ir buscar dinheiro longe de casa!

Uma simpática e pequenina frentista, na pontinha dos pés, completou o tanque da minha moto em Anapú, cidade que passou a ser conhecida nacionalmente após o brutal assassinato de uma freira americana. O odômetro parcial marcava 189,7km desde Novo Repartimento. O baixo consumo se confirmou com os 6,25 litros que foram suficientes para encher o tanque: 30,35km/l.

Uma ótima semana para vocês!

Inté
Luiz Almeida
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem I

Mensagem por Luiz Almeida »

drsrg escreveu:
rods escreveu:Me delicio com seus textos, Luiz! Ainda tenho na estante aquele "Histórias de Motocicleta" autografado! Estou no aguardo dos próximos capítulos, mas já vou dizendo que só essa viagem já daria um livro bem legal de se ler!

Livro?

Onde compro???


;-)

Recebi e respondi a mensagem através do site. Beleza!
Luiz Almeida
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RAlves
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem parte III

Mensagem por RAlves »

ai sim hein!!!

acompanhando!
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Webasto
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem parte III

Mensagem por Webasto »

esse cobrador de panelas é popêro mesmo rsrs
Gogoboy, agregando valor trollístico, cultural e filosófico ao m@d desde 2005
drsrg
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem parte III

Mensagem por drsrg »

Luiz,

o que são estas benditas "travas de pneu"?

E o tal macaco que você usava para lubrificar corrente?
Tem foto? Fiquei curioso em como seria, para você poder carregar na moto.

[[]]!
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem parte III

Mensagem por RAlves »

drsrg escreveu:Luiz,

o que são estas benditas "travas de pneu"?

E o tal macaco que você usava para lubrificar corrente?
Tem foto? Fiquei curioso em como seria, para você poder carregar na moto.

[[]]!


Trava de pneu e so pra offroad extremo com baixa pressao nos pneus, se botar e for pra estrada e impossivel andar acima dos 100km/h.
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Zé Luís
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem parte II

Mensagem por Zé Luís »

Luiz Almeida escreveu:Valeu Diego e Minholi!

Uma perguntinha técnica:

A umidade do ar influi na pressão atmosférica?


Luiz,
A influência, apesar de pequena, se dá de forma inversamente proporcional. Maior a umidade, menor a pressão atmosférica. Pelo menos foi o que consegui depreender ao ler o seguinte documento: http://www.leb.esalq.usp.br/aulas/lce200/Cap6.pdf
Bração, coxinha e ateu.
CB 1300 SF rules! Se eu soubesse tirar proveito dela... ↑
Hornet 600 ↑↑
CB 500 / Honda Biz ↑ / ↓
Agrale Elefant ↓
XLX 250 ≈
XL 250 ↑
DT 180 ↑
Suzuki GT 185 ●
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem parte IV

Mensagem por Luiz Almeida »

Dilma de Mini Saia


Rodamos cerca de 80km e chegamos no rio Xingu, na localidade de Belo Monte do Pontal, onde pensamos haver uma cidade. Nada mais havia no lugar do que os botecos no ponto de embarque e desembarque da balsa que faz o transporte naquele ponto do rio. Posicionamos as motocicletas e, enquanto a balsa não chegava fomos fazer um lanche e beber água. Como bebíamos água sob aquele calor abafado!

Percebemos umas pessoas de paletó e gravata circulando pelo lugar por trás dos carros. Notamos muitos caminhonetes da polícia militar, polícia federal, polícia rodoviária federal, polícia civil e guarda nacional fechando a estrada no alto. Devem ser políticos... pensei.

Quando a balsa chegou os chapas branca tiveram que tirar a ruma de caminhonetes do lugar para dar passagem aos caminhões que desembarcavam. Balbúrdia total e a gente só olhando.

Embarcamos primeiro e uma caminhonete da PF chegou muito perto de mim que estava logo atrás da moto. Fiquei parado para ver onde chegava a brincadeira do motorista. Chegou a um sorriso acompanhado de gesto amistoso por parte do policial e um sinal de positivo meu. Conversamos sobre nossa viagem e sobre que comitiva era aquela. Eram Desembargadores, juízes, promotores, secretário de Estado e mais uma ruma de gente que vinha de uma audiência pública em Anapú.

Desembarcamos e menos de 500m à frente uma motoniveladora bloqueava a estrada. A estrada estava em obras e haveria detonação de dinamite. Formou-se uma desorganizada fila de carros, motos, caminhões e carros oficiais com seus figurões apressados. Estávamos na região da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.

Passei o tempo observando o movimento e conversando com um engenheiro cearense que trabalhava na construção da usina. A fase da obra ainda era de desvio das águas do Xingu.

Marcelo, que ficou perto do camarada que recebia ordens para manter a estrada bloqueada, via rádio em viva voz, testemunhou o seguinte diálogo:




Chefe aqui desse lado só tá perdendo pra Brasília, cheio de autoridade e os "homi" tem hora pra chegar no aeroporto de Altamira, copiou ?


Num pode passar....


Chefe só carro de federal. Tem uns dez tudo armado com fuzil e 12. Tão me pressionando, copiou?


Rapaz! Por esse bloqueio num passa nem a Dilma de mini saia, copiou?



Foi uma gargalha geral pois todos estavam escutando tudo pelo rádio. Foram duas horas de espera e uma detonação que fez o chão estremecer.

Antes da liberação, de uma caminhonete da Guarda Nacional que perdeu a balsa e chegou atrasada, desceu um policial querendo resolver a parada com arma na mão. Percebeu a gafe, voltou e não mais saiu do carro. Despreparado!

Estrada liberada e a correria para seguir viagem era generalizada. Deixamos os apressados na frente e seguimos tranquilos. No trecho em que a estrada cruza o canteiro de obras da hidrelétrica caiu uma chuva que deixou o chão liso como sabão. Um belíssimo arco-íris se formou de ponta a ponta da obra. Tentei fotografar mesmo correndo o risco de molhar a máquina. Nas fotos apressadas, uma gota de água borrou boa parte das imagens.

Quando anoiteceu estávamos nos 10km de asfalto que existe antes de Altamira.

Em Altamira um motoqueiro nos informou que encontraríamos hospedagem nas proximidades do terminal rodoviário. Antes, paramos em uma pousada com hóspedes mal-encarados na calçada, porém não havia garagem nem vagas. Ótimo. Pertinho da rodoviária encontramos uma boa pousada, com garagem fechadas para as motocicletas e amplo apartamento triplo e preço camarada. Almoçamos/jantamos num restaurante grande, denominado Familiar. Comida boa e farta. No entanto, quase ao lado do restaurante havia um estabelecimento com luz vermelha na porta...

Depois do dia todo na poeira, Joarez saiu do banho e a toalha de ele havia se enxugado estava toda manchada na cor da poeira. Fizemos gozação com ele, que naquela idade ainda não tinha aprendido a tomar um banho direito. Claro que caprichei no meu banho para que não me acontecesse a mesma coisa... A propósito, já tinha dividido apartamento com o Joarez por uma noite em Alto Caparaó. A desorganização dele até que foi suportável. Mas nesta viagem, com muito dias juntos, o homi abusava em deixar tudo espalhado, colocava coisas dele sobre a cama dos outros ou espalhada pelo chão fazendo a gente tropeçar, trancava a porta do apartamento deixando a gente do lado de fora com bagagem nas mãos, corria para fazer serviço solitário no banheiro empestando o ambiente e ainda gritava “tchau Luiz” enquanto dava descarga, por fim, Joarez favelizava tudo!

Já o Marcelo era o mais organizado. Tinha tudo na mão e levava organizadamente apetrechos para o que bem se entendesse. Quer um corda fina? O Marcelo tinha. Recipiente para manter a água gelada na estrada. O Marcelo tinha. Colírio, canivete, lanterna, linha e agulha, ou qualquer outra coisa. O Marcelo tinha e sabia aonde estava!

Já eu, bom... eu até que levava diversos apetrechos, peças sobressalentes e medicamentos. Mas funcionava assim: - Luiz, estais com o calibrador de pneus aí? - Estou com ele sim, mas está no fundo dessa sacola e não vou soltar essa ruma de elásticos, não. Luiz, tens band-aid? Tenho, mas está na necessaire dentro do bauleto e não vou abrir esse troço não porque se desorganizar não fecha mais.

Uma das diversões durante a viagem era o constante “bulliyng” entre nós. Todos faziam piadas com todos. Coisa entre amigos.

Joarez escrevendo:

"Adoro pegar no pé do Luiz Almeida, só de mal, como se diz no nosso Ceará. E isso porque gosto dele. É um cabra cheio de predicados e já me serviu de inspiração para muita coisa neste tempão que temos de convivência. Ele foi militar, assim como eu também, só que no seu caso, mesmo após a baixa, continuaram impregnadas nas suas atitudes os costumes da caserna. Como alguém consegue manter 95,5 km/h, durante horas a fio e debaixo de um sol de arrebentar para poupar o equipamento? Já eu, se não sou o oposto total, também não tenho nada haver.. Organização, planejamento, rotina... são parte do meu cotidiano de trabalho. Numa viagem faço um pouco de cada e uso o bom senso para não deixar as coisas tomarem um rumo indesejado, mas o principal é me divertir, me sentir livre."

Pela manhã, antes de ligarmos os motores, verificamos o nível de óleo do motor das Tenerinhas, eu e Marcelo achamos que estavam no nível mais baixo da vareta. Combinamos colocar 200ml em cada moto no posto em que fossemos abastecer na saída de Altamira. Chegamos em um posto BR com quase ninguém para atender. Fiz sinal para o Marcelo e Joarez para irmos em busca de um outro posto estrada à frente. Joarez não viu ou não entendeu para onde íamos e foi em outro posto nos procurar trocando óleo, enquanto seguíamos estrada adiante de olho no retrovisor em busca de uma Tènèrè660. Não havia posto nenhum nos 60km à frente e o Joarez se juntou a nós somente depois da parada seguinte, em Brasil Novo, onde abastecemos (29,07km/l) e verificamos que não seria necessário completar o óleo. Creio que fizemos uma medição errada anteriormente.

Joarez escrevendo:

"Eu entendi que eles iriam completar o óleo no próprio posto. Abasteci e fui procurar a dupla que tinha sumido. Fiquei feito vaca esperando os dois, por uma boa meia hora. Conheci um cara que vive de fazer leilão de gado naqueles programas de TV em que há lances... pelo menos o papo foi interessante. Perguntei aos frentistas e as informações foram contraditórias. O fato é que entrei em Altamira de novo para ver se eles estavam em outro posto BR que, segundo disseram, tinha a troca de óleo. Voltei pro posto original e nada. Sem contar que o celular estava fora de área. Dali há pouco chega um sujeito de Brós, vindo de Brasil Novo, que se aproximou e disse que encontrou uns caras com motos parecidas com a minha e que eles tinham ajudado a amarrar sua bagagem. Bom, pensei, @###xxx!!... Peguei a BR 230, sentido Rurópolis e botei para moer na 660... encontrei os malas depois de pouco mais de uma hora de estrada."

Viajamos alternando nossa posição naturalmente, sem combinação prévia, eu ia na frente do grupo por um tempo, depois assumiam a frente Marcelo ou Joarez e um de nós ficava no meio e outro atrás, sempre se revesando. Mantínhamos um certa distância entre as motos por conta da poeira e dos pedriscos.

A estrada sempre com a instabilidade do piso de barro muitas vezes era ladeada por valas profundas, fruto da erosão provocada pelas chuvas. Vez por outra havia pequenas valas longitudinais e diagonais no meio da pista, nada muito complicado para quem tem boa experiência em trilhas. Numa delas ganhei uma pitada de adrenalina a mais; Era descida e uma vala se apresentou discretamente no meio da pista, na longitudinal, e eu, que vinha a uns 80km/h, optei pelo lado direito da erosão, que se alargava e se aprofundava a cada metro. Tudo se passou muito rapidamente. Percebi naquele instante que minha escolha não fora a melhor. A pequena erosão transformara-se numa vala profunda e saía da estrada exatamente pela direita, o lado que eu equivocadamente havia escolhido. Impossível voltar para a esquerda da estrada. Frear na velocidade que eu estava naqueles pedriscos também seria bobagem. O jeito foi ficar de pé nas pedaleiras, acelerar e puxar a frente da moto para cima ao saltar a profunda vala de quase metro de largura. A roda dianteira passou – naquele culhonésimo de segundo, esperei pancada forte na roda traseira – a roda traseira passou!

Seguindo viagem, passamos por Medicilândia, cidade em cuja entrada há uma placa que informa ser ali a Capital Nacional do Cacau. E eu pensando que isso era coisa do sul da Bahia, de Ilhéus... Apurando a informação: A produção de cacau de Medicilândia em 2011 foi de 22 467 toneladas enquanto que a de Ilhéus foi de 11 520 toneladas, de acordo com o IBGE. Segundo a SEPLAC (importante órgão ligado diretamente à cultura cacaueira) a produção atual de Medicilândia deve passar da 30 mil toneladas. Medicilândia é, portanto, a Capital Nacional do Cacau!


Paramos em Uruará, depois de uma tocada de 160km, para descansar, beber água e aproveitamos para reabastecer as motos. Minha moto parecia andar só com o cheiro da gasolina – 30,21km por litro.


Inté!
Luiz Almeida
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem parte IV

Mensagem por Luiz Almeida »

Dilma de Mini Saia

Dupricô
Editado pela última vez por Luiz Almeida em 09 Nov 2013, 14:17, em um total de 1 vez.
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem parte III

Mensagem por Luiz Almeida »

drsrg escreveu:Luiz,

o que são estas benditas "travas de pneu"?

E o tal macaco que você usava para lubrificar corrente?
Tem foto? Fiquei curioso em como seria, para você poder carregar na moto.

[[]]!


Vou fotografar o macaco portátil e postar aqui. É muito útil para motos sem cavalete central. Comprei na Motoban.

Por conta de ter que rodar no asfalto, preferi não colocar as travas de pneu que comprei. Elas desbalanceiam muito. Acho que só devem ser usadas quando a pressão dos pneus forem abaixo das 15 libras.

Abraço!
Luiz Almeida
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem parte II

Mensagem por Luiz Almeida »

Zé Luís escreveu:
Luiz Almeida escreveu:Valeu Diego e Minholi!

Uma perguntinha técnica:

A umidade do ar influi na pressão atmosférica?


Luiz,
A influência, apesar de pequena, se dá de forma inversamente proporcional. Maior a umidade, menor a pressão atmosférica. Pelo menos foi o que consegui depreender ao ler o seguinte documento: http://www.leb.esalq.usp.br/aulas/lce200/Cap6.pdf


;-) ;-) ;-)
Luiz Almeida
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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem parte IV

Mensagem por drsrg »

Luis, e o tal macaco que VC usava para lubrificar a corrente?

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Re: Transamazônica 2013 - Relato de Viagem parte IV

Mensagem por Luiz Almeida »

drsrg escreveu:Luis, e o tal macaco que VC usava para lubrificar a corrente?

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Procurei o macaco para fotografar para você e não o encontrei nas tralhas da viagem ainda por arrumar. Devo ter deixado na garagem do prédio.

É uma peça muito útil. Dois tubos de corte quadrado que se encaixam e uma alavanca para finalizar. Simples e quase não ocupa espaço.

Aguarde.
Luiz Almeida
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XTZ 250 Ténéré

http://www.historiasdemotocicleta.com.br

Bons tempos aqueles em que só andava de moto quem realmente gostava de motocicleta.
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