Foi a partir de 1973 que com o apoio da Confederação Brasileira de Motociclismo, dirigida pelo competente e batalhador Eloy Gogliano, que nosso pilotos puderam ter acesso às verdadeiras motos de competição !
Conta o piloto Mário Hélio Sanctos :
- Após alguns anos andando nas Yamahas 50 F5 S, 100 YL 1, 125 AS 1, 180 CS 2, 200 CS 3 e 5 , 250 DS 5, 350 R5 e RD, resolvi deixar de fazer besteiras nas já perigosas ruas de S. Paulo (lembram da campanha - Eu Respeito Motocicleta - da Honda ?) e decidi correr no então templo da velocidade - Interlagos !
Era uma Yamaha RD 350 preparada com carenagem, tanque e rabeta copiados das TR 2B pneus Dunlop KR 96 na traseira e KR 76 na dianteira e motor "feito a olho" ! Ah !! ... e um macacão de couro feito pelo Edmundo Maurício Correia & Filhos !
Depois de um ano e meio correndo com a RD na categoria Esporte, o Eloy Gogliano me ofereceu uma TZ 350 A, importada pela Federação Paulista de Motociclismo, isenta de impostos.
Corri ao Banco Itamarati (meu patrocinador) para ver se conseguia os Cr$ 34.000,00 para comprar a moto. Consegui que me financiassem em 24 vezes !
Fui ao escritório da Yamaha na Al. Glete para efetuar o pagamento e ao chegar lá tremia tanto que o funcionário teve que preencher o cheque !
Dois dias depois (chequinho compensado !), fui buscar a moto e a levei para a Tiger Moto !
Eram 2 caixas, uma com a moto e outra menor com o kit de peças de reposição (cilindro com pistôes, anéis, pinos, virabrequim, coroas, pinhões, gicleurs, agulhas, juntas, O-rings, discos de embreagem, sapatas de freio, etc ... ).
Abri a caixa daquele jeito que vocês podem imaginar ... e lá estava ela !! Carenagem branca com lista lateral vermelha, number plate na cor azul (regulamentar para a 350 cc), o lindo tanque em alumínio, também branco com lista superior vermelha, paralama dianteiro vermelho, também em alumínio, bolha , aros de alumínio, pneus Yokohama (que já no primeiro treino descobri serem piores que os normais de rua !), enorme freio a tambor, escapamentos dimensionados e o radiador de água ! Tudo com um acabamento excelente !
Fiquei olhando aquela maravilha por quase uma hora , sem acreditar que ela era minha ... Mal sabia o que me esperava no primeiro treino !
A Fera Indomável : Li o manual atentamente e lá dizia que os primeiros quilometros deveriam ser percorridos à aproximadamente 6000 rpm, para assentar os anéis , e com uma mistura de 20 l de gasolina para 1 de óleo Castrol R 30.
Saí dos boxes e fiz duas voltas à 6000 rpm, e a sonhada TZ parecia uma 125 de tão fraca que andava ! Na terceira volta, após a subida do lago, resolvi reduzir duas marchas e abrir o gás ... Um verdadeiro pavor ... aquela lesma transformou-se numa desmbestada e vi a Curva do Sol na minha cara ... ! Quase que instantaneamente apertei a manete do freio com tudo e ... quase parei !! Que motor !! Que freio !!
Dei mais algumas voltas tentando me acostumar com aquela coisa infernal, que teimava em não me obedecer ... atravessava nas freiadas, ... quando acelerava a frente teimava em levantar e começava a sacudir (haja braço !) !
Acabou o treino , encostei no box e pensava comigo mesmo ... que coisa de louco ... jamais vou conseguir andar neste troço ... 24 prestações ... e agora ?!
Mal sabia que após 3 corridas, eu já estava achando que a moto não andava, que o freio só durava uma volta (aparecia o "fading" e a manete encostava no acelerador !), enfim , havia domado a fera , e estava curtindo muito !!
Obs. Text e foto obtida no moto clássicas.