ltadeu escreveu:bom proveito por aí meNina
fome não há de passar
ressaca pela manhã é regra
sorte
passo não. jota comprou mamões e peras e bananas e melancias.
chedid, vou olhar com calma depois.
ow, eu esqueci de contar um trem.
a entrada da garagem do jota é numa ladeira infame. o prédio fica à esquerda da ladeira, na subida, e a entrada é descendo e tem uma espécie de lombada irregular, mais alta do lado direito.
deve ter sido projetada por escher.
quando vim a bh na garupa da fernanda, de cb1300, ela empacou na entrada dessa garagem. jota tinha nos resgatado na entrada da cidade, chegou no prédio, abriu a garagem com o controle, entrou. brizzo, de fz6, entrou atrás. eu já tinha descido do cbzão pq era óbvio que de garupa seria impossível enfrentar aquela ladeira. fernanda fez que ia entrar e parou.
só a ouvi dizendo 'não vou entrar com essa moto aí não. vem tirar pra mim.'
pra parar a moto na entrada da ladeira o cidadão fica com o pé esquerdo, bem mais baixo que o direito, em falso, e isso em cima de um cbzão deve dar dores cardíacas de pavor.
corri até a moto, segurei atrás, brizzo socorreu pelo lado direito e jota veio pelo esquerdo. fernanda desceu e jota subiu.
no que tentou botar a moto em pé, retinha pra entrar, puxou e a moto nem se moveu. afinal, era um cbzão. na terceira tentativa ele conseguiu desinclinar a moto da esquerda. entrou na garagem.
foi a primeira e até hoje a única vez que vi fernanda pedir ajuda numa situação difícil. já estive na garupa desse mesmo cbzão num chão de cascalho íngreme e irregular e ela disse que eu nem precisava descer. achei do caceta saber reconhecer a dificuldade da situação e não ultrapassar o próprio limite. aprendi.
então, eu já sabia que a tal entrada da garagem seria um obstáculo. mas minha moto, bem menor, provavelmente não seria tão difícil segurar.
lá vem o pé da ladeira.
jota subiu, lépido e faceiro, e eu tomei distância pq sabia que, na hora que ele virasse, eu teria que virar junto à esquerda, num embalo só, pra vencer a tal lombada disforme da entrada da garagem, fugindo da inércia da ladeira.
beleza, jota embicou e passou a lombada.
eu fui atrás, direto.
só que enxerguei errado e entrei numa porta à direita da entrada certa.
ou seja, não consegui passar a lombada e estava ali, do mesmo jeito, parada na ladeira, o pé esquerdo totalmente em falso, no lugar errado pra entrar na garagem, cansada já, gritei 'jota, me socorre aqui que eu vou cair!'
e se eu caísse ali era moto rolando por cima de mim com certeza.
foi a única hora na viagem toda que eu tive medo de não saber o que fazer.
jota, calmamente, 'vc segura, sô, segura aí, vc dá conta.'
e o tempo que ele demorou pra botar a moto dele lá dentro e voltar foi um milhão de anos.
'fudeu, vou ter que segurar essa moto aqui.' o problema não era o peso, claro, é uma moto pequena. era a física odiosa daquela ladeira e o pé em falso: se meu pé esquerdo tá em falso e o peso todo tá caindo pro lado esquerdo, como é que se segura qualquer moto?
olhei pro chão 'que que eu vou fazer agora' e firmei mais ainda o direito no chão. puxei a moto contra a ladeira.
eu devo precisar estudar mais física, pq incrivelmente a moto ficou leve e assentou.
um milhão de anos e meio depois jota chegou, segurou a moto pela esquerda e me forçou a entrar sozinha.
disse que ia descer, que ele subisse e botasse a moto lá, mas ele não subiu. até pra botar no neutro estava sem condições, se eu tirasse o pé esquerdo do chão, abraço.
mas ele segurou a moto pelo lado esquerdo e eu consegui desengatar, engatar, passar aquela lombada literalmente sem
nível e entrar na garagem.
é muuuuuuuuuuito macha pra andar sozinha de moto mas tem horas que só mesmo um homem sacolejando pra gente criar coragem e fazer o que tem que fazer.
mermão, que ladeira é aquela.